28 outubro 2022

Há, mas é verde


O anúncio do gasoduto “verde” entre Barcelona e Marselha é uma história mal contada e se foi calculada ainda não o vimos. Em primeiro lugar estamos sem saber porque foi abondando o projeto anterior Midcat, para transportar gás natural pelos Pirenéus, sendo certo que as interligações energéticas na Europa são necessárias e que muita água ainda irá passar por pontes e barragens antes de o gás natural ser banido, como muito bem comportadamente já fizemos com as nossas centrais de carvão.

Depois, fazer um investimento desta natureza para algo que ainda não existe em dimensão que se veja, nem em produção, nem em utilização…!? Alguém fez as contas? E qual o papel de Portugal neste negócio? O hidrogénio verde é feito simplesmente a partir da eletrólise da água usando eletricidade de origem renovável. Por alma de quem vamos fazer isso aqui e enviar o hidrogénio a milhares de quilómetros? Não temos excedente de renováveis e a França até tem eletricidade barata a partir do seu parque nuclear. Alguém fez as contas a que custo o gás chegaria ao destino? Será economicamente viável? Ou vamos fazer as contas depois de se gastar uma pipa de massa no gasoduto?

Ou será isto apenas uma forma “esperta” de fazer um investimento em infraestrutura de gás natural, pintado-o de verde, para poder ser mais facilmente aceite e financiado? De qualquer forma, Portugal, seja pelo singelo terminal de Sines, seja pelo hipotético parque de produção de hidrogénio verde, que não existe nem se sabe como nem quando existirá, não tem nada a ganhar com isto. Apenas uma excelente oportunidade para queimar dinheiro.

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