01 fevereiro 2026

Adamuz, a “Glória” espanhola


O recente descarrilamento e posterior choque de dois comboios de alta velocidade, em Adamuz, próximo de Córdova, provocou 45 vítimas mortais.

Irrita-me a imediata gestão política da desgraça. Os putativos responsáveis tentam logo “sacudir a água do capote” e lançar “narrativas” de abrigo, A oposição aproveita para clamar contra uma suposta incompetência generalizada. As vítimas mereceriam mais respeito.

Parece que uma fissura numa soldadura do carril terá sido a causa. Existem comboios laboratório que circulam regularmente pela rede, procurando detetar falhas como estas. Em situações análogas de alta velocidade, por exemplo em França, a periodicidade das passagens será de duas por mês. No caso de Espanha, o comboio antigo, o “Séneca”, está avariado e o novo, o “Doctor Avril”, ainda não está homologado. O carril em causa esteve 58 dias sem ser auscultado.

Aqui há algum perfume semelhante ao da tragédia do elevador da Glória, em Lisboa. Uma falha estrutural que “não podia” acontecer, práticas de manutenção aligeiradas e uma enorme distância entre os decisores de topo e a realidade do terreno. Quando falo em distância, não me refiro à sequência de níveis hierárquicos. É pior do que isso. É existir gente politicamente nomeada, cujo único mérito é terem bons padrinhos e que borboletam entre variadas entidades e empresas públicas, sem saberem muito bem o que andam a fazer ou o que deveriam assumir. Quando um desastre “fatalmente” acontece, lá correm a afirmar “Eu não fiz nada!”. Precisamente…

Quanto à eficácia sas entidades competentes na reação aos estragos da tempestade Kristin, esperamos para ver.

1 comentário:

Anónimo disse...

Subscrevo na integra!