Contados os votos, indiscutivelmente Seguro ganhou, Ventura perdeu e comparar números de uma eleição binária com os de outras onde existe uma dúzia de alternativas disponíveis é um exercício com muito pouco sentido.
Será desta vez que o PS volta ao seu registo histórico, se
deixa de devaneios neomarxistas e faz as exéquias, assumidas, de um tempo
sombrio e indigno?
Face à primeira-volta Ventura subiu. Estranhíssimo seria se
descesse. Faço parte dos portugueses que consideram que, apesar dos erros e
abusos dos habituais inquilinos do poder, com ele teríamos uma emenda pior do
que o soneto. É importante mostrar o que está em causa e em perigo, sem rasgar
vestes, nem cair na gritaria. Ventura nunca será nenhum Salazar nem por
inteiro, nem por um terço, pela simples razão de nunca saberá governar. A sua
equipa é genericamente fraca, o seu programa económico absurdo e a sua relação
com a verdade algo de muito débil. A tentativa de colagem à herança de Sá
Carneiro foi de uma indecência escandalosa.
O triunfo muito claro de Seguro é a vitória de uma abordagem
à prática política mais séria e decente, mas nada garante para o futuro. A
satisfação deve ser comedida, especialmente se não for seguida por práticas
sérias e decentes.


3 comentários:
Penso e espero que o Seguro será um presidente no mínimo razoável.Mas a votação "histórica", na minha opinião, deveu-se aos votos anti-Ventura.
Sim, espero e acredito que será um presidente razoável. Sejamos otimistas.
Se o outro fosse M. Mendes ou G. Melo, Seguro não teria certamente a mesma votação, mas também se em vez de Seguro estivesse no boletim de voto A. Vitorino, por exemplo, os números também seriam outros… De todas as formas há por aí muita gente a comparar alhos com bugalhos…
👍
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