09 maio 2017

Milagres e Santos


Começando com uma declaração de interesse: sou agnóstico, não sou crente, mas tenho uma matriz cultural cristã. Aprendi a catequese em pequenino e não deixo de me reconhecer nalguns dos valores desta religião.

O que quer que aconteceu em Fátima em 1917, nos calores e nos apertos da primeira República, teria provavelmente uma projeção diferente caso tivesse ocorrido 30 anos antes ou 50 anos depois. No entanto, é um fenómeno social, vivo, que cresceu, que se consolidou e o seu valor atual para os crentes, não seria muito diferente se a sua base de 1917 tivesse sido mais verosímil ou menos fantástica, menos manipulada ou mais genuína. Esta “fé” pode e deve ser respeitada, independentemente das visões e convicções de cada um.

Nesta excitação toda com a vinda do Papa e para lá da proliferação dos vendilhões do templo (inclusive de colchões e de locais para dormir), não consigo entender e aceitar (se é que esse direito tenho) o processo de canonização e a sua sustentação. O critério de ser determinante e suficiente o reconhecimento de um milagre, muitas vezes associado a curas improváveis, parece-me pobre.

Muito mais determinante para o bem-estar humanidade e termos um mundo melhor são os atos e o exemplo deixado pelo próprio. Se algum cego passar a ver e me atribuir o mérito e a inspiração, isso não deverá fazer de mim santo, julgo eu…

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