22 julho 2022

E quem paga?


O Sri Lanka, antigo Ceilão, vive dias de grande tormenta. Populares invadiram o palácio presidencial e a residência do primeiro-ministro, o presidente fugiu, o poder não está na rua, mas as portas estão escancaradas e as incertezas são muitas.

Para trás fica um período de má governação, incompetente e corrupta, a quem o travão do Covid-19 no turismo deu o golpe de graça. O país não consegue refinanciar a sua dívida nem garantir o mínimo de serviços do Estado. Bancarrota, assim se chama.

Não é situação rara e o passo seguinte habitual é financiamento sob tutela, tipicamente do FMI, forçando uma grande disciplina orçamental e controlo das finanças públicas. A particularidade aqui é que uma boa parte da dívida do país ser com a China, conhecida por financiar projetos de desenvolvimento (e outros) na sua esfera de influência, sem olhar demasiado para a qualidade da governação associada.

Assim sendo, o FMI terá alguma relutância em participar no reembolso desta dívida. A China também não deve estar muito interessada em aceitar algum tipo de restruturação; seria um precedente terrível, dada a sua enorme exposição a situações potencialmente análogas. Irá nascer um “FMI Chinês”?

E, no fim, quem paga? Para já, paga o povo e especialmente os mais desfavorecidos. Nós, por cá, andamos mais preocupados com a legitimidade dos penteados…

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