11 julho 2017

Da quinta para a serra


Esta foto circulou recentemente como exemplo de que um terreno com árvores tradicionais resiste melhor ao fogo do que uma monocultura de pinheiro, eucalipto ou, obviamente, terra abandonada. É verdade. Donde que se toda a serra estivesse com esta vegetação, resistiria melhor ao fogo. É verdade.

No entanto, na imagem, estamos a ver 1 ou 2 ha, que podem ser tratados por uma família. Em 1 ou 2 ha podemos colocar as árvores que nos apetecer, tratar e limpar o terreno e criar com alguma facilidade o tal espaço mais resistente ao fogo. Mas há um problema. À volta da quinta haverá 1000 ou 2000 ha onde não existem 1000 famílias, nem perto, para replicar o modelo.

Passando ao lado de que, muito provavelmente, entre os proprietários desses 1000 ou 2000 ha, alguns estarão em Lisboa, sem saberem bem onde ficam as suas propriedades; outros no Luxemburgo e, ao virem cá uma vez por ano, nem têm tempo para ver os seus terrenos e outros serão herdeiros que ainda não se entenderam com as partilhas… passando ao lado desse tipo de questões e supondo que os 2000 ha são administrativamente entregues à família que tão bem tratou da sua quinta…

Preparar, plantar e cuidar de 2000 ha é outra escala. Já não se trata de escolher uma dúzia de árvores no horto e ir lá com a enxada e a mangueira de vez em quando. É necessário investir, ter fundos e acreditar na rentabilidade de um negócio que durará anos… Neste momento a fileira da pasta/papel proporciona condições de investimento para a plantação de eucalipto. O facto de as outras fileiras não o conseguirem fazer será outro problema. Área disponível não falta.

E ainda: se os 2000 ha pudessem ser objeto de uma gestão integrada e global, seria possível definir que, por exemplo, por cada 100 ha de eucalipto seria obrigatório fazer 5 ou 2 ou 10 ha de floresta autóctone. Com a dispersão da propriedade e com donos ausentes ou desconhecidos, é bastante mais difícil.

Mas, pronto, vamos lá arrancar os eucaliptos bandidos, havendo quem acredite ser remédio santo.

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