25 abril 2026

A janela que Abril abriu


Em 1974 um sistema triste, retrógrado e sufocante caiu de podre. Não foi preciso muito esforço para ele se desmoronar completamente e a revolução conseguir uma enorme adesão popular. Num meio bafiento e asfixiante foi uma janela que se abriu e dessa abertura esperava-se um desapertar do país para uma realidade mais aberta, livre, justa e próspera (e sem guerra). Havia objetivos largamente consensuais entre a maioria da população simples e claros.

Como expetável o caminho específico e os destinos concretos seriam menos consensuais. Para desempatar essas divergências existe um sistema que é o pior sistema com exceção de todos os outros: a democracia.

Apesar de alguns sustos e ameaças, o 25 de abril cumpriu as expetativas globais e se onde estamos não é o local que muitos ansiaram em 1974, paciência. A janela abriu, ficou aberta, o país foi e será aquilo que os portugueses quiserem. De pouco serve hoje proclamar nostalgias românticas do que não foi e poderia ter sido. Olhemos para a frente, será mais útil e mais construtivo.

2 comentários:

jorge neves disse...

Os portugueses são um povo espetacular.52 anos depois, ainda discutem apaixonadamente o bom e o mau de uma revolução que aconteceu quando a maioria ainda nem era nascida. Está a acontecer, como no tempo da "antiga senhora", com as comemorações do 28 de Maio.

Carlos Sampaio disse...

Efetivamente, para lá dos “polémiquistas” do costume que tentam vender a imagem do dia que mais capital aporta à sua causa, as celebrações estão a transformar-se numa espécie de liturgia sebastiânica, invocando um redentor espírito de abril, que há-de chegar numa manhã de nevoeiro e tudo arranjar… e está comprovado que esperar por D. Sebastiões nunca deu grandes resultados.