02 junho 2024

Camões não merece


Comemorar 500 anos de alguém que definitivamente da lei da morte se libertou não é pouca coisa. Quando esse alguém é provavelmente o maior génio da história portuguesa e o expoente máximo da nossa arte e cultura, o desafio é grande.

Entende-se e aplaude-se que o Banco de Portugal se tenha lembrado de cunhar uma medalha comemorativa. De passagem, é de referir que, no geral, esta efeméride pouco interesse parece estar a despertar. Pode-se entender que quisessem ilustrar a mesma com uma imagem diferente da clássica, que se vê nos manuais escolares…

Agora, que tal imagem seja uma coisa disforme, que nem sequer um rosto humano é, horrível de ver, sem propósito ou significado decifráveis, a menos de eventualmente desvalorizar e ridicularizar o príncipe dos poetas, isso é coisa que não se entende de todo, nem se aceita. É absolutamente ultrajante e quem autorizou tamanha monstruosidade deveria ser confrontado com a sua irresponsabilidade. O domínio artístico é certamente subjetivo, mas há mínimos de decência e de respeito, especialmente neste contexto. Aparentemente Camões continua a não merecer o país que tão brilhantemente cantou, mas, sei lá, às tantas esta moeda ainda vai ganhar um prémio de design qualquer…

30 maio 2024

E/Imigrantes


Por estes dias, o nosso governo aprovou um conjunto de medidas em favor dos jovens, nomeadamente para procurar reter os qualificados cá no país e evitar o nosso empobrecimento em recursos humanos.

Ao mesmo tempo, há quem clame que devemos receber na Europa todos os que quiserem para cá vir, pela necessidade de termos mais gente a trabalhar e a criar riqueza, independentemente do que isso possa implicar de empobrecimento nos seus países de origem. Falta de coerência ou simples egoísmo/oportunismo?

Migrações sempre houve e haverá na história da humanidade e o respetivo enquadramento não se resume a uma palavra, ou duas: integração e asilo. Uma jovem afegã a quem foi vedado o acesso aos estudos não pode ser tratada da mesma forma que um quadro superior magrebino que procura melhores condições económicas. E muito menos do que um originário não importa de onde que queira simplesmente usufruir do guarda-chuva social europeu.

Não podemos fechar a porta a toda a gente, nem abrir de par em par. Devíamos estar de acordo que a prioridade das prioridades é proporcionar condições de vida digna para todos, no local onde nasceram e isso não passa obviamente por esvaziá-los dos seus recursos humanos valiosos. A Europa cometeu certamente erros no seu passado, mas que esteja condenada a uma expiação coletiva de todos dever receber como penitência, não. O erro maior está principalmente nas carências nos governos dos países de onde os emigrantes querem sair, mas pôr isso em causa pode ser classificado de ingerência e “neo-colonialismo”.

E não falei dos choques culturais de (des)integração que não são um problema menor, nem se resolvem com ignorância e ingenuidade.

24 maio 2024

O Diretor “Executivo”

Com o processo de substituição de Fernando Araújo na direção do SNS, têm abundado as referências ao seu cargo de “Diretor Executivo”. Não será caso único com essa função designada, mas o sentido dela em bom português é algo que me escapa.

Escapa-me pela simples razão de que, tanto quanto sei ou imagino, não existem diretores sem funções executivas. De que servirá então acrescentar esse atributo, em pleonasmo? Penso que se deve a um certo “lost in translation”.

Em inglês existe, é certo, o executive director, mas a confusão vem do facto de que director não se traduzir por diretor, mas sim por administrador. O board of directors é o conselho de administração, não a direção da empresa/entidade. Aí faz todo o sentido existirem administradores executivos, com responsabilidades na gestão diária da empresa e outros não executivos.

A confusão aumenta quando os membros executivos de uma administração constituem uma chamada “comissão executiva” (CE), que efetivamente governa a empresa ao mais alto nível. Chamar “executivo” a um diretor poderá ser uma forma de tentar dizer que ele “está lá em cima”. Não será, no entanto, pelo simples título de “executivo”, alguém que executa, que tal se concretiza. A kind of lost in translation?

 

22 maio 2024

Um bom debate?


Será que o debate de ontem foi um bom debate, como vi referido nalguns fóruns? Começando por para que serve o debate? Para conhecer os pontos de vista dos candidatos ou para, em sentido largo, aprender algo? Bom, para os candidatos repetirem aquilo que já sabemos valerá de pouco e isso foi o caso de João Oliveira, absolutamente cassete, ou disco riscado, e não vale a pena questioná-lo, porque dali nada sai nada diferente ou de outro “racional”.

Tanger Correia parecia, mais uma vez, alguém na corda bomba, a tentar não se espalhar, com uma cassetizinha mais ou menos aprendida, mas dando ares de ter vontade que aquela espécie de tormenta acabasse depressa.

Ficava então Marta Temido (tendo gaguejado menos) e Sebastião Bugalho, supostamente quem poderia apresentar visões e ideias mais equilibradas e supostamente mais ricas e esclarecedoras. Se é um facto que debaterem, e talvez haja quem adore este espírito de tourada, foi tudo na base do disseram, não disseram, é verdade, foi mentira. Mais do que afirmarem, pela positiva, o que pretendiam e propunham, caíram muito facilmente no acusar o outro do negativo que eles, ou o seu grupo político fizeram. Foi, não foi, disse, não disse. Muito pobre. Acho que foi um debate inútil. Não aprendi nada.

20 maio 2024

Protestos contra… os próprios


Tem-se visto algumas referências ao paralelismo entre os atuais protestos de estudantes, particularmente nos USA, contra a guerra na Palestina e aos de há umas décadas atrás contra a guerra do Vietname. Há alguns pontos em comum, mas a intervenção militar americana na indochina tinha motivações, objetivos e antecedentes completamente diferentes dos do contexto atual. Também quem protestava era quem, ou seus próximos, lá ia expor-se, o que não é o caso de todo neste momento.

O que há também de comum entre estes protestos e outras contestações estudantis é o serem “contra o seu sistema”. É compreensível e meritório que os jovens queiram e exijam um mundo melhor e questionem a forma como o seu mundo é administrado, mas isso não deveria gerar simpatia por regimes brutais, largamente piores em termos de respeito pelos direitos humanos do que o mundo ocidental. Porque será que a brutalidade da Rússia na Síria para acabar com o Estado Islâmico, poucos dedos fez levantar? Xinjiang diz alguma coisa?

Na fundação de Israel, este enfrentou os estados árabes promovidos pelo ocidente, na sequência da reorganização dos Médio Oriente, pós queda do império Otomano. Assim, inicialmente foi buscar apoio ao chamado bloco de Leste. Vai uma aposta em como se hoje os EUA ainda apoiassem apenas os árabes e a Rússia suportasse Israel, os estudantes americanos estariam sossegados ou, quando muito, a sair à rua com bandeiras do estado judaico, protestando contra o (seu) imperialismo que tinha desencadeado esta guerra desnecessária? Depois, há também quem se aproveite desta ingenuidade/ignorância e que lhes chama “idiotas úteis”.

18 maio 2024

Os turcos devem estar a rir


Obviamente que André Ventura disse uma grande “patacoada” quando, relativamente aos prazos para a construção do novo aeroporto de Lisboa, resolveu fazer uma comparação com os turcos “que não são propriamente conhecidos por ser o povo mais trabalhador do mundo”. Obviamente que deve ignorar a dinâmica económica e empreendedora daquele país que, podendo não ser o mais dinâmico do mundo, tem uma capacidade de realização e de resiliência capaz de fazer inveja a muitos.

Fazer dessa patacoada uma questão de Estado, capaz de mobilizar a primeira página dos media, é realmente um sinónimo de que não devemos ter grandes problemas em curso neste nosso jardim à beira-mar plantado.

Sim, é uma patacoada infeliz, desnecessária e desenquadrada. Não é de aplaudir, claro, mas basta classificar uma vez. Se bem conheço os turcos, estou a imaginá-los mais a ironizar sobre tais despropósitos do que a sentirem-se vítimas de racismo ou outro crime qualquer…

14 maio 2024

O debate


Sem grandes expetativas à partida, decide-me assistir ao debate de ontem de 4 cabeças de lista às próximas eleições europeias. A expetativa era baixa e receava ver um concurso de cuspidela, como nos habituamos em campanhas anteriores.

Para minha agradável surpresa não foi o caso. Os 4 candidatos discutiram de forma civilizada, com pouquíssimas cacofonias, concordando entre si quando tal se justificava e discordando com argumentações objetivas e concretas, sem ataques pessoais nem setas envenenadas fora de contexto. Apenas Marta Temido tentou aqui e ali “polemicar” a argumentação, mas sem sucesso.

Uma campanha eleitoral é e deveria ser isto mesmo. Vamos a ver se o nível se mantém, mas gostei! Para variar…

11 maio 2024

O risco das milícias eficazes


Há cerca de 30 anos atrás conheci de perto a situação em Francelos, Gaia. Ao lado da estrada principal havia um acampamento cigano que funcionava como centro comercial de estupefacientes. A frequentação nas redondezas de clientes e vendedores proporcionava um ambiente de enorme desconforto e insegurança e perante a passividade de “quem de direito”.

É aí que aparecem as milícias populares para “resolverem” a situação. A sua ação ilegal e brutal foi, é e será sempre inaceitável, mas o fato é que depois desses acontecimentos, as forças de segurança reagiram e a zona voltou a viver em clima de segurança. Ou seja, houve uma clara relação de causa-efeito entre a inadmissível investida popular e a solução do problema. Muito preocupante, não será?

Esta evocação vem a propósito dos recentes acontecimentos no Porto, cuja discussão é desde logo contaminada com o direita/esquerda, como se isso fosse o fundamental. Imigrante não é um conceito singular nem homogéneo. Haverá imigrantes inocentes vítimas de xenofobia e imigrantes violentos e marginais. Quem conhece a realidade urbana no norte de África, sabe que lá existem “códigos” e comportamentos que não queremos ver aqui transpostos.

Se não olharmos para isto com rigor, objetividade e tomando as consequentes ações, se ficarmos entretidos em considerações ideológicas, estaremos a ir de olhos fechados contra o muro.

04 maio 2024

O manifesto dos 50


50 personalidades (no sentido de “Pessoa conhecida devido às suas funções, à sua influência, etc.”?), maioritariamente políticos, assinaram um manifesto a exigir uma reforma do sistema da Justiça.

Quando li o título, pensei que estavam em causa as prescrições dos possíveis crimes imputáveis ao BES e a Ricardo Salgado e a inarrável incapacidade do tal sistema em julgar um tal de José Sócrates.

Afinal não. A sua indignação é relativa às intervenções do Ministério Público contra agentes políticos. Até poderá ter alguma razão, mas o que eu e a generalidade dos portugueses preferiria é de que políticos e demais personalidades se indignassem efetivamente quanto à incapacidade do sistema jugar os seus (maus) pares e menos com condicionar o investigar. Questão de prioridades…

No pano de fundo parece estar a necessidade branquear António Costa a tempo da sua ida para Bruxelas. O armário do IKEA por cá fica…

03 maio 2024

Rurais, vareiros e outras diminuições




Tempos houve em que alguém produzir algo com as mãos constitua uma desqualificação social. Tempos houve em que os camponeses eram uma subespécie estruturalmente abaixo dos senhores feudais e doutos clérigos. Algo que devia ficar mansamente pelos campos como as árvores e as ovelhas.

Felizmente esses tempos mudaram, em princípio, e usar as mãos ou trabalhar a terra deixou de ser um sinónimo de descrédito social. O vírus, no entanto, não morreu completamente e de vez em quando lá vêm os sinais da supremacia neo-aristocrática  e dos privilégios da capital relativamente ao resto, “paisagem”.

Quem conhece Espinho, sabe que a jovem cidade é tudo menos rural. Lá num canto é até vareira, mas gente do mar é ainda outra coisa. Se ainda fosse Montalegre ou Vila Viçosa …

Enfim, para lá da 2ª circular existirá uma grande homogeneidade, na perspetiva de alguns personagens muito Queirosianos… Vocês sabem de quem eu estou a falar… !

Atualizado em 8/5 com publicação no Público

25 abril 2024

50 anos…


50 anos, é muito tempo. O 25 de abril é hoje uma data consensual na importância que teve para o país e na enorme diferença entre o antes e o depois. Menos consensual será a forma como é vista por cada um.

Certamente que mais importante do que apenas celebrar ou lamentar o que foi ou não foi feito, será refletir sobre o que se pode aprender e hoje fazer. O 25 de abril não foi um bilhete de lotaria premiado, que, lamentavelmente, alguém se esqueceu de reclamar a totalidade do prémio e agora choramos o que se perdeu no caminho.

O regime caiu prontamente, de podre, e podemos questionar como conseguiu sobreviver tanto tempo e atingir tamanha decadência. Não foi a luta dos antifascistas, que correram riscos em maior ou menor intensidade, que o atirou ao chão. A sociedade civil na sua larga maioria, com maior ou menor desconforto, não teve força nem empenho suficientes para o pôr em questão.

A revolução teve na causa próxima uma reivindicação de carreira dos capitães e encontrou largo apoio numa população saturada por uma espada de Dâmocles sobre a cabeça dos seus filhos, de uma guerra de baixa intensidade, mas de longa duração, que o regime se mostrou incapaz de resolver.

Hoje, vivemos um certo sentimento de podridão nas instituições e não queremos vê-la resolvida por capitães nem conselhos de revolução, nem tão pouco por irrefletidos e irresponsáveis populistas, assumidos ou disfarçados,

Hoje o “25 de abril” de que necessitamos é da exigência dos cidadãos face às instituições, para evitar a degradação do regime. Não se trata com (apenas) festas e flores uma vez por ano, mas que se celebre o 1974, vale sempre a pena. 

16 abril 2024

OLAG - Organização de Libertação da Anatólia Grega


 

Não há, mas podia ter havido.

Na sequência da queda dos impérios, especialmente no final da Grande Guerra, estes desmembraram-se em vários estados nação, que buscaram identidade e estabilidade pela homogeneidade étnica e religiosa. Dentro desse processo a vida não foi fácil para os arménios e gregos no novo país Turquia. E para muitos até nem foi longa…

Além dos que foram mortos, tema ainda hoje sensível, dezenas de milhares de gregos ortodoxos atravessaram o mar Egeu e instalaram-se na atual Grécia. Agora, vamos supor…

Foram colocados em campos de refugiados e três gerações depois ainda aí continuam, ostentando a chave da casa abandonada pelos avós e vivendo em condições degradadas, na dependência de uma agência da ONU.

Foi criado um movimento OLAG – Organização de Libertação da Anatólia Grega (em grego talvez fosse OEAA - Oργάνωση Ελληνική Απελευθέρωση της Ανατολίας), apoiada e financiada pela Rússia e outros países ortodoxos, que realiza ações terroristas contra interesses turcos, chegando mesmo a sequestrar e assassinar uma delegação de atletas turcos nuns jogos olímpicos. Lança ataques terroristas contra território turco e, em retaliação, a Turquia ameaçada invade a Grécia e anexa uma parte dela.

Nas escolas ortodoxas gregas é ensinado desde a primeira hora que um turco é um inimigo que merece castigo e ódios ilimitados. Os turcos vêm os gregos como gente que os odeia e um perigo permanente.

Quando décadas depois a OLAG se normaliza um pouco e assina um acordo de paz com a Turquia, nasce um novo movimento, Os Ortodoxos Radicais, que relançam as hostilidades.

Quando a Turquia está progressivamente a sair da Grécia ocupada e a permitir a autonomia aos ortodoxos gregos, estes aproveitam essa liberdade para organizar e lançar novo ataque terrorista brutal na Turquia.

A ferida continuaria aberta, e por aí fora seguimos…

Esta história não se passou assim, apesar de gregos e turcos não serem grandes amigos como a situação em Chipre o atesta, mas um pouco mais a sul, noutra zona do ex-império Otomano, por aí seguimos. Descubra as diferenças….

14 abril 2024

Eu sou Israel

Eu sou Israel e isto não significa estar de acordo com toda a política e atuais políticos no poder no país. É pena que Netanyahu não seja um Yatzhak Rabin, mas foi eleito, será reeleito ou não, julgado se necessário e é possível no país haver manifestações contra o governo sem riscos para a vida económica ou física de cada um.

O conflito com os palestinianos eterniza-se, Israel não é inocente, mas tão pouco o principal responsável. Se em 1949 os “amigos” árabes tivessem permitido a constituição de um estado palestiniano em vez de terem ocupado os territórios, há muito que o assunto estaria encerrado. Mas não. Enquanto os judeus deslocados se integraram no novo estado hebreu, os palestinianos foram colocados em campos de refugiados, já lá vão 3/4 de século! Após um certo tempo razoável, os refugiados retornam se houver condições ou integram-se. Não há justificação racional para permanecem geração após geração assim confinados. Em quantas dezenas de processos, pós-queda dos grandes impérios e constituição de estados nação mais ou menos homogéneos houve deslocações de populações da mesma amplitude e hoje os processos estão cicatrizados?

 Se o Hamas não tivesse sido criado e boicotado o processo de paz em curso, talvez hoje não houvesse guerra. Governando Gaza “tranquilamente”, sem invasor presente, desde 2005, o que é que o Hamas organizou para o martirizado povo palestiniano? Guerra, culminando no vergonhoso ataque de 7/10/2023.

Porque é que a brutalidade da Arábia Saudita no Iémen desde 2015 não suscitou especiais reações, porque é que quando a Rússia arrasou parte da Síria para travar um movimento terrorista, causando largas dezenas de milhares de mortos, isso não casou indignação?

Porque este confronto não é entre mesquitas e sinagogas. Já agora, em Israel existem muçulmanos, mesquitas e partidos árabes representados no Knesset e o recíproco nem de perto nem de longe. O confronto em torno de Jerusalém é entre dois modelos de sociedade e governo. Entre as democracias liberais, onde as pessoas são livres, busca-se a prosperidade e as mulheres não são seres de segunda e as ditaduras repressivas.

Sem pretender justificar ou desculpar todas as reações de Israel, que de certa forma caiu na armadilha que o Hamas preparou em 7/10, este processo não cicatriza porque cada vez que disso se aproxima, alguém vem provocar a reabertura da ferida.

Os drones que passaram a última noite sobre Jerusalém são os mesmos que se lançam sobre Kyiv. A luta é a mesma e eu estou claramente do lado dos países em que os cidadãos (e cidadãs) têm voz e liberdade para a usar.

 

12 abril 2024

Portugal, Portugal


A reversão da alteração do símbolo oficial do país deve ter sido indiscutivelmente saudada e aplaudida por uma larguíssima maioria dos portugueses. Insinuar ou afirmar que é uma cedência à extrema-direita, significando que afinal há uns bons milhões de portugueses potencias seguidores de autoritários putativos Mussolinis ou Pinochets é, de novo, não entender nada.

A versão anterior, um esticar da bandeira do Mali, foi classificada como “inclusiva, plural e laica”. Vamos por partes. Ser inclusivo passa por excluir todas as referencia históricas? Plural? Qual era o singular do anterior? Laico, havia lá antes uma cruz? E se houvesse?

Por esta lógica, todos os países que incluem uma cruz explícita nos seus símbolos, deveriam ter vergonha e rapidamente corrigirem tal erro. Parece que alguns os produtos suíços da Swatch, Tissot e Victorinox à venda nas “arábias” trocaram a infame cruz por outra coisa e que quando o Real Madrid ali se procura promover, corta a cruzita que existe no topo do seu brasão. É este o caminho?

Incluir não é apagar e se não devemos ser louros para não irritar os morenos, se estes podem chocar os ruivos e  .. por aí fora, ficamos com um vazio brutal de identidade que, naturalmente desconforta muita gente. Explicar-lhes que isso é equivalente a ser lamentavelmente xenófobo tem por efeito o pessoal deduzir que se o lamentável não lhes parece, se calhar então são mesmo xenófobos… se é gente tão inteligente que o afirma !

Progresso é avançar num sentido de melhoria. Não é nem devia ser apanágio exclusivo de uma fação ideológica.

09 abril 2024

As alterações das causas


 Citando, disse-se hoje que:

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) decidiu nesta terça-feira que o caso dos seis jovens portugueses contra Portugal e outros 31 Estados é inadmissível relativamente à jurisdição extraterritorial dos restantes Estados mencionados no processo no combate às alterações climáticas…

Se é indiscutível que por várias razões devemos ter atenção e frugalidade relativamente à utilização dos recursos do planeta, já começa a ser irritante a facilidade com que se invocam as “alterações climáticas” para justificar tudo e mais alguma coisa.

Relativamente ao caso acima citado, do TEDH, os jovens portugueses terão atribuído às ditas cujas os brutais incêndios de 2017 e respetivas vítimas. Que me lembre, há incêndios florestais desde a década de 70 e a floresta/mato abandonada, limita-se a acumular matéria combustível até arder um dia e não é por um grau a mais ou a menos que as labaredas avançam ou recuam.

Quanto às vítimas, que o envergonhado e sumariamente detalhado monumento acima representado evoca, todos sabemos que há mais de falta de Proteção Civil, Siresp, coordenação e outras razões do que graus a mais.

Não misturem, por favor….