28 outubro 2026

O Garrett


Na génese dos movimentos contestatários atuais em França vemos estudantes protestarem contra as condições de algumas escolas, degradação, ausência de climatização e todo um conjunto de problemas que, dizem eles, condicionam e condenam o seu futuro.

Vamos colocar de lado os aproveitamentos políticos posteriores e as hordas de vândalos cujas barbaridades estão a levar Marine le Pen ao colo para ser a próxima presidente do país… a ver vamos.

A propósito de instalações de ensino degradadas lembrei-me do “Garrett”, antigo colégio na praça Coronel Pacheco, que na década de 80 funcionava como anexo da Faculdade de Engenharia, cujas traseiras dele estavam separadas apenas pela estreita rua do Mirante. Muitas aulas ali tivemos, em salas sem climatização, naturalmente, com tetos a ameaçar tombar e infiltrações de água que baste.

A cantina tinha a particularidade de incluir uma trave atravessada no solo, penso que a suportar umas colunas improvisadas. Para os recém-chegados que avançavam com o tabuleiro a limitar a visão… dava origem a alguns incidentes!

Apesar de toda a degradação inaceitável, não foi por isso que eu e outros da minha geração de lá saímos com limitações que nos impedissem de ser engenheiros e ter a nossa carreira profissional.

Não é questão de um “se eu sofri, os outros também podem/devem sofrer”. A questão é que o nosso futuro depende mais da nossa atitude do que da qualidade dos tetos das salas de aula. Podemos entender que o momento de enfrentar os desafios de uma vida profissional e de procurar autonomia têm sempre alguma dose de angústia, especialmente se não houver papás a garantir alguma sinecura em administrações públicas e para públicas…

Dar corda às sapatilhas depende fundamentalmente da vontade e da determinação de cada um. Não sei se isto de ensinará na escola ou em casa, mas é fundamental conhecê-lo, assumi-lo e não esperar ou exigir um permanente mar de rosas…

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