Por estes lados, por vezes vemos o mundo com óculos” made in
USA”, que nem sempre proporcionam uma visão suficiente alargada da realidade.
Um exemplo é o caso da escravatura. Para eles será sinónimo do tráfico
transatlântico de África para o continente americano. Como sabe facilmente quem
quiser saber, a escravatura foi uma realidade muito disseminada no passado,
remontando a tempos em que ainda não havia navios a atravessarem o Atlântico.
No século VII, no tempo de Maomé, era banal e perfeitamente
aceitável naquela sociedade. Daí que o Corão, na sua dimensão regulamentar,
refira direitos e obrigações de um muçulmano face aos seus escravos. Quando o
Ocidente vem decretar ser proibido algo que uma leitura estrita do livro
sagrado considera permitido, a rejeição é grande. Dentro do negativo das
colonizações do século XIX de África, elas tiveram um papel decisivo no combate
ao fenómeno nesse continente.
Aqui por perto, no Mediterrâneo e na costa atlântica, muitas
ações de saque e de captura de escravos foram realizadas pelos corsários
otomanos a partir de principalmente Argel, Tunes e Rabat, ações terminadas em
meados do século XIX… com a colonização francesa do Norte de África. São
referidas mais de um milhão de capturas, menos certamente do que os números
transatlânticos, mas de todo não irrelevante. Miguel Cervantes por isso passou,
em Argel,
Uma vez que já atravessamos a maré dos pedidos de desculpa,
se quer avançar para a parte das compensações e o assunto ganhou foro global na
ONU, sugiro que a Turquia faça também a sua parte, começando pelas
desculpas. O saque de Porto Santo em
1617, por exemplo, foi terrível. Depois dessa fase, podemos eventualmente
passar à fase das compensações, mas sempre numa perspetiva de equidade…
Obviamente que nunca na vida a Turquia irá apresentar um mínimo esboço de
pedido de desculpas pelas ações dos seus corsários no passado e, se calhar, terá
razão.














