Não se discutem. Gosto de histórias com pessoas, suas particularidades e subtilezas, mais de que de construções filosóficas e complexas. Acredito que estas pecam sempre um pouco por desalinhamento no significado das palavras. Quando se sai para muitas voltas pelo abstrato não é garantido que a abstração e respetivas evocações sejam lidas de forma equivalente entre quem escreve e quem lê. Entendo que a filosofia é mais interessante e fértil dialogada do que monologada.
Passando aos diálogos, gosto das histórias com muito
discurso direto. Penso ser a forma mais eficaz e rica de traçar identidades, desenhar
personalidades e “falar” aos leitores.
Vem isto a propósito de algo que li recentemente de Haruki Murakami.
Já há algum tempo tinha lido o “Kafka à Beira-mar”, que muito de agradou. Agora
foi a vez do “Norwegian Wood”, que me confirmou o autor como alguém que vale a pena
ler. Estando bem localizado num espaço e num tempo que não são os nossos, tem o condão de nos fazer entender e viajar na cabeça dos personagens, apreciando a paisagem.
No passado, depois de me agradar um ou dois livros do mesmo
autor, partia para uma sequência que apenas acabava quando não vi mais títulos do
mesmo nas estantes das livrarias. Neste caso, hesito. Tenho algum receio de que
o próximo possa não estar à altura das expectativas… A ver quanto tempo
demorará a superar esse receio.













