Leio na imprensa que a Ford está a pontos de vender a sua fábrica de Almussafes, Valência, à chinesa BYD. Todo um símbolo, depois de acabar com os convencionais e históricos Fiestas e Focus e de fazer acordos com outros construtores europeus para produzir os seus elétricos. A seguir ao Capri com a VW, sem grande sucesso, agora passará para Renault. Basicamente significa que não vêm potencial para investir numa fábrica própria e .. a Renault terá espaço para aceitar outras marcas nas suas linhas. Ainda, todo um símbolo.
Isto lembrou-me uma visita que fiz a essa fábrica espanhola
da Ford, algures por 1993 ou perto e no meio de outra crise da indústria
europeia. Estava em curso a construção da Autoeuropa, na altura uma parceria em
que a VW desenvolveu o veículo e a Ford as instalações. Eu estava baseado na
Bélgica e saiu o concurso para um pequeno armazém automático, para a fábrica de
Palmela. Destinava-se a ferramentas e consumíveis, materiais não integrados no
veículo, mas era muito importante para nós, pelo símbolo de estar naquele
investimento e naquele sector.
Como as compras estavam a ser coordenadas a partir da
histórica fábrica da Ford de Colónia e de Bruxelas a lá eram 220km, fiquei
encarregado de acompanhar a proposta. Vroumm e fui reunir com o comprador
responsável pelo concurso. Não me recordo do nome, mas vou chamar-lhe Schmidt,
combina com o perfil de que tenho memória. Uma curiosidade no parque de
estacionamento do pessoal da fábrica. Numa altura em que a indústria europeia
estava sob enorme pressão pela oferta asiática, ver automóveis japoneses ali
pareciam-me ser uma incoerência.
O Schmidt explicou-me o procedimento. As propostas recebidas
eram analisadas, validadas tecnicamente e a mais barata adjudicada. Não havia
segunda hipótese nem negociação. Tínhamos interesse em apresentar o melhor
preço logo na primeira e única oportunidade.
O caderno de encargos técnico era muito detalhado e
especificava opções técnicas que não utilizávamos, algumas interessantes e que
até posteriormente adaptamos como standards. Sendo portugueses, para um projeto
em Portugal apresentamos o preço em escudos.
Submetida a proposta e decorrido o tempo de apreciação, vroumm, lá fui visitar o Schmidt que me disse que estávamos validados e éramos os mais baratos. Abri um sorriso de orelha a orelha e disse: Então, ganhamos! E ele respondeu… Não !
Continua...














