Muitos terão visto aquelas produções, meio históricas, meio romanceadas, sobre a vida e obra dos narcotraficantes da Colômbia ou do México. É extremamente chocante o nível de violência, opulência, falência das instituições e, sobretudo, desumanidade.
Essas coisas passavam-se muito longe, do outro lado do
Atlântico, geográfica e culturalmente demasiado afastadas para as imaginarmos parte
do nosso quotidiano.
Por cá vemos principalmente noticias de apreensões e
escaramuças com as assombrosas lanchas rápidas dos traficantes. Apenas isso?
Não.
Em cidades como Marselha e Bruxelas soam pistolas
metralhadores e corpos jazem no solo em poças de sangue, consequência de
ajustes de contas e disputas territoriais associadas ao tráfego de droga. Na
capital belga não é um problema das periferias degradadas; é mesmo no centro da
cidade que as armas falam.
Recolhi a imagem acima de uma reportagem do El País sobre Marselha.
Trata-se de um “drive-truh” de droga com clara indicação dos produtos – e
aproveitam porque há promoção!
Dizer que o dinheiro compra tudo pode não ser absoluto, mas
muito dinheiro compra muita coisa e ao dinheiro “ilimitado” quase nada resiste,
seja pela convicção, seja pela coação.
Penso que esta guerra contra os narcotraficantes não tem
vitória para as forças da lei. Especialmente enquanto continuar a existir gente
rica e gira pagando e sugando cocaína, achando isso “cool”, financiando
alegremente estas redes criminosas. Com tantos recursos financeiros
disponíveis, os narcos encontrarão sempre buraco por onde furar e chegar aos
seus clientes, deixando pelo caminho as vítimas e os cadáveres que for
necessário.
Podem-se encontrar fortes semelhanças com a lei seca de há
um século atrás, sabemos como foi e como terminou. Não estará na altura de
aplicar remédio análogo?
Pode parecer chocante e perigoso para a saúde pública
liberalizar a cocaína, mas talvez seja a única forma de secar e apagar uma rede
brutal que brutaliza uma boa parte do universo. Provavelmente um mal menor.
O travão policial já demonstrou a sua ineficácia e, repito, recordemo-nos
da lei seca.













