À sombra dos últimos desenvolvimentos do caso das gémeas,
veio-se a saber que o então secretário de Estado da Saúde, Lacerda Sales,
recebia pedidos de intervenção/informação de amigos partidários relativamente à
situação de alguns utentes do SNS e, prestimoso, os reencaminhava ao seu amigo,
diretor clínico do Santa Maria.
Há quem não veja mal nisto e identifique até um compassivo e
generoso gesto de boa-vontade, de ajuda ao semelhante. Só que, está bem
estampado na nossa Constituição, e noutras reconhecidas cartilhas, o princípio
da igualdade. Não existem castas com privilégios exclusivos. Como o SE da Saúde
não estaria certamente disponível para atender a pedidos análogos de todos os
cidadãos, é injusto que apenas alguns usufruam dessa “facilidade”. Também não foi para isso que foi nomeado, não
fazia parte da sua missão ter disponibilidade para ajudar (apenas) os seus
amigos a ultrapassarem as deficiências do SNS.
Sabemos que relativamente às interações com o SNS, uma coisa
é ter acesso a contactos internos, outra coisa, pior, é apresentar-se como
simples cidadão. Isto é um disfuncionamento que urge corrigir. O atendimento e
tratamento dos seus utentes não deve depender da carteira de amigos e eventual
altruísmo.
No caso das gémeas, alguém acredita que se o processo
tivesse seguido os canais normais, o resultado e o tempo seriam os mesmos?
Claro que não e o primeiro passo para procurar corrigir um problema é reconhecê-lo.








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