Consta que o carácter autoritário do futebolista francês Kylian Mbappé lhe valeu a alcunha de ditador e alguém se lembrou de o representar enxertando o seu rosto na imagem de um ditador famoso. Escolheram Mao Tsé-Tung, que até nem foi um simples ditador. Foi um dos mais brutais assassinos da história da humanidade. Mais detalhes aqui.
Numa entrevista o futebolista evocou a essa brincadeira com
humor, referindo ter achado divertido, ver-se colocado na pele de um “ditador
chinês”. O regime chinês é que não achou graça nenhuma à brincadeira e reagiu
energicamente à ofensa. Baniu as transmissões televisivas da liga espanhola e
forçou o cancelamento de contratos publicitários de empresas chinesas com o
jogador. Que eles assim reajam não é propriamente uma novidade. Tudo o que seja
evocar uma “realidade” sobre Mao, pondo em causa o mito decretado pelo partido,
é inadmissível e até perigoso para quem o fizer dentro do país. Não há dúvidas
sobre a natureza daquele regime.
O mais curioso é termos visto imediatamente de joelhos a
implorar perdão, o jogador, o seu clube, o Real Madrid e a Liga espanhola.
Veremos se chega à UEFA, mas bastará ameaçarem com novos boicotes para logo se
formar o mais completo cortejo de penitentes, em humilhantes e acríticas autocriticas,
na boa tradição maoista.
Os milhões têm muita força e o futebol faz circular milhões
de milhões, alguns sem se conhecer muito bem de onde vieram nem para onde vão.
Quando se trata de uma piada racista, os seus organismos são lestos a julgar e
condenar os infratores, em prol dos bons princípios. Quando está em causa a
liberdade de expressão, não sendo mentira nem insulto gratuito chamar ditador a
Mao, aí todos os princípios são relativos e flexíveis que baste?
Diz o povo que “quem muito se abaixa, o….” Esta incondicional tolerância face à China é
indecorosa. Interesses nem sempre são compatíveis com princípios, mas quanto
mais nos baixarmos… mais expostos ficaremos.













