Os Estados Unidos da América celebraram este mês 250 anos e
não é necessário ir a Teerão para os ver serem condenados como o grande Satã e
o mais maléfico país da história da humanidade. Certamente que não têm
currículo limpo, mas esses acusadores podem fazer o favor de apontar um, um
único, exemplo de uma grande potência que possa atirar a primeira pedra…
São também tempos controversos. Por um lado, temos um
Presidente que só lhe falta mudar o nome do país para TSA (Trump States of
America) e com mais alguns detalhes de atitude e valores muito afastados dos
princípios e práticas dos pais fundadores do país.
Outra figura, com bastante menos poder executivo, mas com
grande exposição e apreciação mediática é o progressista Presidente da Câmara
de Nova Iorque, Zohran Mamdani. Aparentemente sente-se algo desconfortável com
a data e o contexto da fundação do país, provavelmente por ter sido pouco
inclusivo. Esperemos que a moda não pegue, caso contrário ainda veremos alguns
iluminados a condenarem a celebração da fundação de Portugal, pela intolerância
de D. Afonso Henriques face aos mouros.
Apesar de todos os defeitos e pecadilhos, os USA são o país
da liberdade e das oportunidades, num registo que não tem paralelo. O seu
nascimento marca o nascimento irreversível de um sistema onde não há poderes
sem escrutínio popular, não hã mandatos temporais de suposta origem divina e é
o povo quem valida e sanciona o exercício do poder. O extrato a seguir da
declaração de independência é extraordinariamente eloquente e forte:
“…todos os homens são criados iguais, que são dotados por
seu Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais estão Vida,
Liberdade e a busca da Felicidade. — Que, para assegurar esses direitos,
governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do
consentimento dos governados. — Que sempre que qualquer forma de governo se
torne destrutiva desses fins, é direito do povo alterá-la ou aboli-la, e
instituir um novo governo, estabelecendo seus fundamentos sobre tais princípios
e organizando seus poderes de forma que lhes pareça mais adequada para garantir
sua segurança e felicidade”
É curiosa esta evocação do “direito à felicidade”. A
felicidade é algo talvez difícil de definir juridicamente, mas com toda a
subjetividade implícita, é dever dos governantes proporcionarem felicidade aos
seus governados.
A implementação destes princípios após a independência não
foi perfeita, certamente, sobretudo quando se pensa em negros e em índios.
Mesmo hoje o valor de cada um não é exclusivamente função do seu mérito e do
que ele faz. Continuam a existir alguns privilégios de casta, na prática.
Apesar de todas essas deficiências práticas não deve haver
no mundo contemporâneo um país com um sistema mais são. Os resultados estão à
vista em muito do que temos à nossa frente no nosso dia-a-dia e certamente que o
seu sistema irá resistir a todas as Trumpices e Mamdanices que o ameaçam.
A fundação dos EUA marca a fundação de uma forma de governo
que cortou com tudo o que então existia e, não sendo perfeita, é ainda hoje
melhor do que todas as outras.














