No processo de Independência das colónias portugueses de
África, cerca de 500 mil portugueses regressarem à metrópole. Ficaram
conhecidos por “retornados”. Foi criado um organismo designado IARN (Instituto
de Apoio ao Retorno de Nacionais) para apoiar esses refugiados à chegada, já
que nem todos viriam com diamantes cosidos nas bainhas das calças.
Independente das justiças e injustiças ocorridas na gestão
desse processo e se a duração foi curta ou excessiva, em 1975 era consensual a
necessidade de um mecanismo de apoio. Se hoje ainda houvesse netos de
retornados a viverem em tendas, em campos de campismo, subsidiados por um ainda
existente IARN, isso já seria muito difícil de entender e justificar.
A eternização de gerações de refugiados por longas décadas é
obviamente um absurdo, fruto de uma lógica onde esses seres humanos são
ferramentas e vítimas de uma agenda que não é a dos seus interesses humanos.
Existem dois bons exemplos dessas situações atualmente. A famosa dos
palestinianos, que dura desde a independência de Israel de1948, onde alguns já estarão
para lá de netos… A outra, menos conhecida, é a dos Saarauis, “refugiados” ainda
presos em Tindouf, na Argélia desde 1975, data da invasão do Saara Ocidental
por Marrocos. Não há aqui espaço para desenvolver os comos e porquês destes
absurdos, apenas referir que algumas razões haverá para esta pobre gente viver
miseravelmente e após tanto tempo ainda não estar de alguma forma integrada.













