A Constituição da República Portuguesa consagra o direito à habitação, embora não signifique que o Estado tem o “dever” de dar casa a toda a gente. Aliás quando ela é dada, nem sempre os resultados são excelentes, como estamos a ver, por exemplo, em Coimbra.
O Estado tem obrigação de se preocupar com esse direito e tomar
ações e políticas que vão no sentido de todos poderem ter habitação digna.
Infelizmente há coisas que não se resolvem com power-points e declarações de
intenção. É necessário trabalho com resultados que ultrapassam o horizonte da
próxima campanha eleitoral. Olhando para Portugal, há algo que falhou,
abrangendo vários ciclos eleitorais.
Quando vemos manifestações politizadas em que a crise da
habitação é associada ao perverso sistema liberal e capitalista ocidental,
apetece perguntar que alternativa preferem: China, Rússia, Venezuela?
O Estado nunca poderá ser o paizinho bondoso a quem só falta
generosidade para resolver o problema. Qualquer solução passa por investidores
e promotores privados, os tais que está na moda hostilizar.
Convinha ser mais objetivo na caraterização do problema.
Qual o peso real dos imigrantes, ricos e pobres, no mercado? É isso que faz a
diferença? São os rendimentos, baixos,
de muita gente que não permitem aguentar essa concorrência? Nesse caso é o investimento
profissional de cada um ou até mesmo o modelo económico do país que está em
causa? Entre quem teve sucesso para obter casa e quem não consegue, qual foi a
diferença? O que se pode concluir e daí aprender?
Não é com “assembleias populares” e agitações
revolucionárias que vão nascer casas e muito menos amanhã. É necessário haver
confiança e condições para avançarem os investimentos necessários, eventualmente
ajudados pelo Estado. Puerilidades e hostilidades não conduzem a nenhuma solução.











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