Foi com bastante surpresa que constatei a existência dum encarniçado
movimento contra o Volta, com petição pública e tudo.
Antes de mais, é de recordar uma evidência sobre tratamento
de resíduos. É consensual que poupar o planeta e os seus recursos passa por
reduzir e valorizar resíduos. Se não é, devia sê-lo. Tratar um monte de papel
velho tem solução fácil, um monte de vidros também, idem para latas de alumínio,
cascas de batata e pilhas gastas, sempre que os mesmos se apresentem separados.
Se estiver tudo misturado a granel num contentor, torna-se muito difícil!
Eu separo o mais que posso e choca-me ver situações como às
vezes encontro, especialmente em cafés ou restaurantes, onde tudo vai para o mesmo
grande saco preto, atirado no contentor de resíduos indiferenciados da esquina.
Sobre o Volta, posso entender que se discutam sugestões de
melhoria, se questionem os circuitos financeiros, mas pretender abolir o
sistema de todo é violento. No meu caso, pouco muda, apenas tenho que ter um pouco
mais de cuidado com as embalagens e levá-las ao supermercado em vez de ir ao
ponto de reciclagem.
Logo numa das primeiras queixas da petição, invoca: “Impõe
ao cidadão o trabalho de armazenar, transportar e entregar embalagens.”. Pois,
quem queriam que o fizesse – o Pai Natal? Talvez não se lembrem, mas já chegou
a existir um depósito de vasilhame generalizado para as bebidas no passado e
ninguém morreu por isso.
Refletindo sobre quem pode ter ficado assim tão assanhado
com o sistema, encontro um padrão possível. O dos preguiçosos que não estavam
para se ralar com a reciclagem das embalagens e agora perdem uns trocos e no
mesmo princípio, mas com outra dimensão, aqueles que no café punham tudo misturado
no mesmo saco preto. Terão efetivamente mais trabalho, mas se queremos dar uma
ajuda ao planeta, não dá para ser egoísta.
Sobre os caçadores de embalagens Volta nos contentores do lixo,
isso merece atenção e busca de solução, mas obviamente que não é razão para abolir
o Volta e encher aterros.














