Na génese dos movimentos contestatários atuais em França vemos estudantes protestarem contra as condições de algumas escolas, degradação, ausência de climatização e todo um conjunto de problemas que, dizem eles, condicionam e condenam o seu futuro.
Vamos colocar de lado os aproveitamentos políticos
posteriores e as hordas de vândalos cujas barbaridades estão a levar Marine le
Pen ao colo para ser a próxima presidente do país… a ver vamos.
A propósito de instalações de ensino degradadas lembrei-me
do “Garrett”, antigo colégio na praça Coronel Pacheco, que na década de 80
funcionava como anexo da Faculdade de Engenharia, cujas traseiras dele estavam
separadas apenas pela estreita rua do Mirante. Muitas aulas ali tivemos, em
salas sem climatização, naturalmente, com tetos a ameaçar tombar e infiltrações
de água que baste.
A cantina tinha a particularidade de incluir uma trave
atravessada no solo, penso que a suportar umas colunas improvisadas. Para os
recém-chegados que avançavam com o tabuleiro a limitar a visão… dava origem a
alguns incidentes!
Apesar de toda a degradação inaceitável, não foi por isso
que eu e outros da minha geração de lá saímos com limitações que nos impedissem
de ser engenheiros e ter a nossa carreira profissional.
Não é questão de um “se eu sofri, os outros também
podem/devem sofrer”. A questão é que o nosso futuro depende mais da nossa
atitude do que da qualidade dos tetos das salas de aula. Podemos entender que o
momento de enfrentar os desafios de uma vida profissional e de procurar autonomia
têm sempre alguma dose de angústia, especialmente se não houver papás a garantir
alguma sinecura em administrações públicas e para públicas…
Dar corda às sapatilhas depende fundamentalmente da vontade
e da determinação de cada um. Não sei se isto de ensinará na escola ou em casa,
mas é fundamental conhecê-lo, assumi-lo e não esperar ou exigir um permanente
mar de rosas…













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