Se um individuo apunhala outro na via pública, matando-o, é um crime, condenável, contra o qual podemos expressar a maior condenação e repugnância. Tal não autoriza que o apelidemos de “serial killer”, porque, a ser assim, face a um verdadeiro como lhe iriamos chamar? Supra serial Killer? Naturalmente que esse criminoso nunca iria a tribunal e seria condenado por essa acusação excessiva.
Podemos considerar que Israel cometeu crimes em Gaza e manifestar
condenação e repugnância. No entanto falar em genocídio neste contexto é
brincar com o peso das palavras, dá certamente grande impacto mediático, mas genocídio
não é uma caraterização subjetiva. Está bem definido, desde 1948.
Há três tipos de enquadramentos para estas situações,
relacionadas com atos de guerra fora das normas. De uma forma simplificada
- Crimes de guerra: Ataques deliberados a civis ou a militares fora do teatro de guerra, sem objetivos puramente militares
- Crimes contra a humanidade: Ataque generalizado e sistemático contra uma população exclusivamente civil
- Genocídio: Quando há intenção deliberada de aniquilar um grupo étnico, racial ou religioso, de forma organizada e sistemática.
Na altura isto ainda não tinha sido definido e tipificado,
mas, por exemplo, os bombardeamentos das cidades ingleses, alemãs ou japonesas
durante a II Guerra Mundial hoje seriam provavelmente classificados como crimes
contra a humanidade, já que numa grande parte não existiam objetivos militares
associados aos bombardeamentos. Hiroshima foi muito brutal, mas não foi um genocídio.
O que se passa em Gaza, mesmo havendo muitas vítimas civis inocentes,
não pode ser chamado genocídio, uma vez que as ações em causa, por condenáveis
que sejam, não visam a exterminação dos palestinianos. Se tal fosse a intenção de
Israel, muitas mais vítimas existiriam e, mesmo na Cisjordânia, apesar dos
condenáveis colonatos e dos incidentes que ocorrem, não há nenhum movimento
organizado para liquidar tudo o que seja palestiniano. No próprio Estado de
Israel existem cidadãos palestinianos, árabes e muçulmanos, com todos os direitos,
incluindo representação parlamentar.
Sobre Gaza, entre o crime de guerra e contra a humanidade,
talvez seja o primeiro caso. A forma como o Hamas cobardemente se infiltra na população,
fazendo quarteis em escolas e hospitais, torna difícil defender que os alvos de
Israel sejam exclusivamente civis.
Acusar sim, mas com justiça.

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