Há escritores que escrevem(descrevem) acontecimentos e factos, histórias mais ou menos curiosas e interessantes, mas ficando pela narrativa. Outros escrevem(expondo) pessoas, nas suas complexidades, angústias e naquilo que faz a subtileza da humanidade. Por mais elegante que possa ser a escrita dos primeiros, aprecio mais os segundos. John Steinbeck é para mim um excelente exemplo dessa maestria e “A Leste do Paraíso”, talvez a sua obra(prima) melhor conseguida.
Saiu recentemente na Netflix uma adaptação do livro em minissérie.
Com todas as dúvidas que estas transumâncias do literário para o cinema em
geral suscitam, a minha opinião é de que foi muito bem conseguida. Acho que o
fundo do livro e a profundidade dos personagens está lá, nada falta, e
brilhantemente traduzidas partes do texto em expressão/interpretação. Foi um
gosto rever aquela fantástica histórica naquele outro palco. Há diálogos riquíssimos
e muitas frases que nos ficam, para lá da fundamental, sempre de recordar: Tu
podes escolher entre o bem e o mal. Não há desculpa, nem fatalidade que o impeça.

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