4) O perigo, onde está o perigo?
Como perigo existencial para a humanidade, continuo a
preocupar-me mais com as armas nucleares do que com a IA, esperando que os seus
sistemas de controlo não estejam ligados à internet, nem potencialmente acionáveis
por agentes imprevisíveis (para não ver atual outro filme do genial Kubrick: Dr
Estranhoamor).
A IA é e pode ser uma ferramenta fantástica, que ultrapassa o
simples acesso à informação. Para lá de encontrar respostas, ela compara e
digamos que “cria” (ou copia) textos, músicas, imagens e “tudo” o que se quiser.
É absolutamente espantoso como o consegue fazer e em escasso tempo.
Há aqui um problema: se as dificuldades aguçam o engenho, as
facilidades embotam-no.
Com as máquinas de calcular eletrónicas e folhas de cálculo deixamos
de precisar de saber fazer contas; com os corretores ortográficos já não nos
preocupamos com como se escrevem as palavras e respetiva acentuação: com a IA
deixaremos de precisar conhecer a gramática para escrever um belo texto. Certo
que não vejo grande valor em memorizarmos simplesmente montes de coisas, mas
inferir e raciocinar são uma forma de ginástica mental cuja falta pode ter
efeitos idênticos à inatividade física. Estaremos
a ir longe de mais neste delegar na máquina capacidades cognitivas?
Podemos fazer um paralelo. Da mesma forma como as
facilidades motoras nos retiraram atividade física das necessidades quotidianas
e devemos/podemos compensá-lo com práticas desportivas e de lazer, também devemos
procurar uma forma de compensação para não acumular gordura nos neurónios. É
uma questão de disciplina, muito semelhante ao necessário exercício físico.
Assim sendo, onde fica o perigo… ?

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