01 outubro 2026

Quando a tecnologia surpreende e nos interroga (IV)

 

4) O perigo, onde está o perigo?

Como perigo existencial para a humanidade, continuo a preocupar-me mais com as armas nucleares do que com a IA, esperando que os seus sistemas de controlo não estejam ligados à internet, nem potencialmente acionáveis por agentes imprevisíveis (para não ver atual outro filme do genial Kubrick: Dr Estranhoamor).

A IA é e pode ser uma ferramenta fantástica, que ultrapassa o simples acesso à informação. Para lá de encontrar respostas, ela compara e digamos que “cria” (ou copia) textos, músicas, imagens e “tudo” o que se quiser. É absolutamente espantoso como o consegue fazer e em escasso tempo.

Há aqui um problema: se as dificuldades aguçam o engenho, as facilidades embotam-no.

Com as máquinas de calcular eletrónicas e folhas de cálculo deixamos de precisar de saber fazer contas; com os corretores ortográficos já não nos preocupamos com como se escrevem as palavras e respetiva acentuação: com a IA deixaremos de precisar conhecer a gramática para escrever um belo texto. Certo que não vejo grande valor em memorizarmos simplesmente montes de coisas, mas inferir e raciocinar são uma forma de ginástica mental cuja falta pode ter efeitos idênticos à inatividade física.  Estaremos a ir longe de mais neste delegar na máquina capacidades cognitivas?

Podemos fazer um paralelo. Da mesma forma como as facilidades motoras nos retiraram atividade física das necessidades quotidianas e devemos/podemos compensá-lo com práticas desportivas e de lazer, também devemos procurar uma forma de compensação para não acumular gordura nos neurónios. É uma questão de disciplina, muito semelhante ao necessário exercício físico.

Assim sendo, onde fica o perigo… ?


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