27 maio 2022

Os judeus não reconhecem a nação? (II)


Continuação de Acusar

Quando se fala em antissemitismo e perseguição aos judeus na Europa é impossível não referir a Alemanha nazi. Este “nazi” vem de nacional + socialista. Sendo óbvio que de socialista o partido de Hitler teve pouco, a associação das duas palavras é algo incoerente. Apesar do aspeto comum da prevalência do poder do Estado, o socialismo é internacionalista e Hitler nunca pretendeu ser um pai de todos os povos; a ideia era mais “Alemanha acima de tudo e todos”. 

Penso que o caráter “menos nacionalista” e até um pouco “supra nacionalista” dos judeus é uma das razões que os tornam inimigos de estimação, especialmente para poderes autoritários que buscam uma homogeneidade cultural e religiosa entre os seus súbditos. Uma das acusações recorrentes contra os judeus é precisamente a de fazerem parte de uma conspiração internacional... estando implícita a insinuação de não reconhecerem completamente as autoridades nacionais.

Há alguns séculos os judeus foram expulsos de Espanha quase em simultâneo com o processo de unificação de Castela e Aragão, pelos oportunamente designados Reis católicos. Curiosamente em Portugal, nação mais consolidada, o processo equivalente surgiu como uma imposição dos vizinhos ibéricos e não por uma necessidade sentida internamente.

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26 maio 2022

Acusar… (I)


Em setembro de 1894 é encontrado um documento revelador de uma ação de espionagem militar em França a favor da Alemanha. A sua caligrafia é semelhante à de um oficial, até aí de carreira exemplar, de seu nome Alfred Defruys. Isso é suficiente para o julgar sumariamente, condenar grosseiramente, ser publica e humilhantemente destituído e deportado para a “Ilha do Diabo”.

Na prática havia mais do que a semelhança da caligrafia. Defruys era judeu e o antissemitismo básico foi suficiente suportar a “convicção” quanto à sua culpa. Posteriormente o verdadeiro culpado Estherhasy é identificado, julgado e… ilibado.

Para lá do absurdo de as instituições militares terem ignorado a busca da verdadeira origem de um grave problema, transmitir informações sensíveis ao inimigo, o caso vai  provocar uma polémica enorme, entre aqueles absolutamente “convencidos” da culpa do judeu e os defensores do direito à justiça. Entre estes últimos, Émile Zola, faz publicar um texto de acusação, uma carta aberta ao presidente do país, acima reproduzido, o que lhe vale um processo e respetiva condenação por difamação.   

Com toda a pressão na opinião pública, Defruys é repatriado do seu degredo na Guiana e julgado de novo… e de novo condenado.

O objetivo aqui não é relatar todo o caso, apenas evidenciar como é possível tanta cegueira e injustiça popular e institucional contra os judeus. Por serem responsáveis pela morte de Cristo…? Por inveja pelo seu elitismo e relativo sucesso económico?

Pela prática religiosa e os fundamentos do seu credo em si não o será certamente.

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24 maio 2022

Crimes de Guerra


Um jovem soldado russo confessou o seu crime de guerra na Ucrânia, ter morto um civil deliberada e intencionalmente. Certo que a vítima e a sociedade em geral, pedem que justiça seja feita, o momento é simbólico, mas face ao que vemos diariamente, só podemos esperar que o jogo não fique pelos peões. Não terá havido um superior que o incentivou a disparar? E aquele que lançou um míssil contra um hospital? E quem deu ordem para lançar misseis com esses alvos?

Apesar de os civis sofrerem regularmente com as guerras foi, depois do ensaio em Guernica, que na II Grande Guerra o massacre deliberado de civis passou a ser utilizado assumidamente como arma de guerra. Face à resistência apresentada pelos Países Baixos às forças nazis, que pretendiam entrar rapidamente em França, contornando a fronteira comum bem defendida, a cidade de Roterdão foi arrasada, com sucesso, forçando a capitulação imediata do país. A seguir foi a vez de Londres, mas aí o resultado foi diferente.

Bombardear deliberadamente civis para desmoralizar a população foi adotado no conflito por todos os lados, acabando a série com “sucesso” após Hiroshima e Nagasaki. Se disparar contra um civil é um crime de guerra, arrasar uma cidade também o será, certamente.

Não sei se se pode assumir razoável ter havido julgamento em Nuremberga e não sobre os massacres em Hamburgo, Colónia, Dusseldorf ou Dresden, só como exemplos. Seria impossível na altura, mas hoje? Grozni, Alepo e Mariupol são exemplos de crimes de guerra inquestionáveis. Há justiça para os julgar?

19 maio 2022

Quem não vai à guerra

Parece ser uma especialidade deste jardim à beira-mar plantado. Não ir à guerra, não dar nem levar, ou antes não perder, mas ganhar. Já na II Grande Guerra muito ganhamos, até mesmo a transacionar com os dois lados.

As guerras e demais disrupções trazem muita desgraça e também muitas oportunidades, sobretudo para quem tiver um sentido apurado e ético q.b. da oportunidade.

Agora, regozijarmo-nos com vantagens obtidas a partir dessas oportunidades é imoral. Certamente que o mundo não para e nas reviravoltas onde tanto que se perde, algo algures se pode ganhar, mas deveria ser um ganho envergonhado e, dentro do possível, partilhado com os que tanto perderam.

Não é líquido o que podemos efetivamente ganhar com a guerra na Ucrânia. No mínimo, convinha não perder a oportunidade de ficar calado e procurar outros motivos de regozijo, fruto do nosso mérito e iniciativa, não de os misseis caírem bem longe do nosso jardim. 

15 maio 2022

Logo se vê…


Dois dos principais temas na primeira linha da atualidade mediática nacional, a receção aos refugiados ucranianos em Setúbal e a inconstitucionalidade da lei dos metadados, aparentemente muito distintos, revelam algumas semelhanças na atitude de como somos governados. Colocando de lado segundas intenções dissimuladas e assumindo que tudo não passa de simples distração e inação, é demasiado.

Assumir responsabilidades, gerir e governar não passa apenas por cumprir normas e carimbar despachos; inclui muito de “e se, e se, e se…?”: prever, avaliar, analisar possíveis consequências e antecipar soluções.

Ninguém se ter preocupado, nem se sentir responsável por ter russos pro-kremlin a receber e a registar refugiados ucranianos é dormir na forma e, já agora, para que precisamos de serviços de informação? Quando já em 2014 o tribunal de justiça da União Europeia tinha colocado em causa a validade da recolha dos metadados, ninguém responsável se ter preocupado e termos continuado 8 anos a instruir e a julgar processos, que agora se esvaziam … 8 anos… é incompetência ou irresponsabilidade, muitas.  

Como se nos lembrássemos de pensar nos travões apenas depois de bater no muro…

12 maio 2022

Metadados e vídeovigilância


Na polémica atual sobre a (in)constitucionalidade do registo indiscriminado de meta dados encontro algum paralelo com a questão da gravação de imagens vídeo na via pública. Obviamente que não faz sentido que tudo e todos sejam objeto de gravação sistemática e indiscriminada do destino das suas chamadas telefónicas ou dos seus passeios higiénicos.

Mas, considerando a importância fundamental que tais registos possam ter na investigação e prova de atividades criminosas, será que a opção tem que ser mesmo entre o tudo ou nada? Não será possível que tais registos sejam realizados e mantidos em caixa negra, apenas para serem abertos caso necessário por ordem judicial?

Não gostaria, eu e imagino que os cidadãos em geral, que o que se possa passa em frente à nossa casa fosse permanentemente registado e acessível a qualquer um, mas, caso aí ocorresse um assalto ou uma agressão, seria muito útil ter uma caixa negra que pudesse ser aberta. Não me parece muito complicado…

06 maio 2022

Republicano e laico, hoje?… e daí?


Confesso que até há pouco tempo me interrogava sobre o real significado e intenção do uso por alguns dos nossos políticos da expressão “republicano e laico”, como um “santo e senha”, distintivo da sua identidade. Parece-me pouco específico. Dentro dos políticos atuais, quem não é republicano? Está bem que existe o PPM monárquico, mas pouco significa. E quem não se assume como laico? Está bem que há/havia um partido com democracia-cristã na identidade original, mas na prática não me recordo de o ver pedir revisão favorável da Concordata.

Acho que recentemente encontrei a chave ao olhar para a chamada Primeira República, da qual no ano passado comemoramos o centenário da tenebrosa noite sangrenta de outubro de 1921. Uma noite em que foram barbaramente assassinados dois históricos do 5 de outubro, Machado Santos e Carlos da Maia e o primeiro-ministro de então António Granjo (para detalhes, google.com). Tinham cometido o erro fatal de, sendo republicanos e laicos, não serem “republicanos e laicos” exatamente como a cartilha única exigia.

Nesse período com 45 governos em 16 anos, “republicano e laico” tinha um significado muito claro e concreto, distintivo, exclusivo… e abusivo. Sim, esses tempos tiveram aspetos positivos, mas a instabilidade, sectarismo e violência foram demasiados para se poder sentir nostalgia e alguma simpatia romântica por um período revolucionário, incompetente e brutal, muito especialmente se se acrescentar a palavra “ética” à invocação.

Mais importante do que o mal feito até 1926, incluindo a impreparada, irresponsável e dramática participação na Grande Guerra, o mais trágico é o 28 de maio ser filho direto destes comportamentos “republicanos e laicos”, para os quais já não havia pachorra. Daí que, hoje, o balanço objetivo da Primeira República deveria ser, didaticamente, muito pouco nostálgico. Foi dela e dos seus erros que saiu o Estado Novo. Como confirmação, podem visitar o Museu do Aljube… um bom exemplo onde se vê como há ainda quem se recuse a ver e aprender.

05 maio 2022

Os limites da Europa


De Lisboa a Vladivostok parece-me um pouco exagerado. Havendo poucas dúvidas quanto ao limite Atlântico a oeste, o Pacifico do outro lado é talvez um pouco exagerado.

Na definição da Europa e seus limites, mais importante do que os meridianos geográficos estão os valores sociais e culturais e, citando a chamada Constituição Europeia, “humanismo, igualdade de todos os seres, liberdade, respeito pela razão”. A história da Europa teve fases brilhantes e períodos sinistros, por vezes escassamente separados, como, em França, com a Declaração universal dos direitos do homem e do cidadão em 1789 e o terror de Robespierre quatro anos depois. Mais recentemente vimos barbaridades como a guerra civil espanhola, aqui ao lado, o Nazismo na Alemanha e o Stalinismo na Rússia.

No entanto, nos últimos 70 anos, após o final da II Guerra Mundial, a Europa parece ter-se estabilizado, reencontrado esses valores e citando de novo: “respeito pela dignidade humana, da liberdade, da democracia, da igualdade, do Estado de direito”. O que se está a passar na Ucrânia é uma clara negação dos valores europeus. Para aqueles que se recusam a vê-lo, como não viram o Gulag, cegueira ideológica é uma explicação algo benigna.

Trata-se antes de uma opção ideológica, veladamente assumida. É não se reconhecer nos valores humanísticos europeus, promover a tal “revolução” purificadora e a reversão deste regime que, sem ser ideal, é o melhor que existe. Não é passivamente ignorar, é ativamente lutar por uma causa perigosa.

03 maio 2022

História, Estado e Religião


O Islão é uma religião com génese relativamente recente. 14 séculos constituem uma distância temporal que já permite alguma precisão histórica. Esta religião, também de Abrão e Moisés, com raízes comuns ao judaísmo e ao cristianismo, originou um edifício muito diferente. Ao contrário do Cristianismo que se desenvolve dentro de um organizado e estruturado império Romano e a César o que é de César, o Islão vai-se desenvolver numa Arábia tribal, sem estruturas de Estado.  De certa forma, Maomé será também César, o primeiro, e o crescimento e implantação do Islão vão coincidir com a criação de um Estado.

A morte de Maomé e respetiva sucessão constituíram um momento delicado, até porque ele não deixou definida a forma de transição do poder após a sua morte. Estas obras de Hela Ouardi são uma fascinante viagem por esse tempo, as convulsões no islão pós-Maomé e os sistemas de valores que se disputam. Se a primazia deve ser dada aos companheiros do profeta, independentemente das suas origens sociais, à sua tribo, os quraish, que já antes dele constituam uma elite na paisagem social árabe, ou à sua família próxima, incarnada pelo seu primo e genro, Ali.  

Esta época dos primeiros califas passou por várias fases e com alternância das diferentes correntes. Se pensarmos que desses 4 califas, 3 morreram assassinados, dá para imaginar um pouco as convulsões vividas. Depois de Maomé, a Arábia não voltou a ser a mesma e uma boa parte do mundo também. As razões desta evolução são importantes para entendermos o que se passa hoje.

Para lá da mensagem e das ações em vida do profeta, a sua sucessão é determinante para a expansão e consolidação do novo Estado. A coincidência entre a liderança politica/militar e religiosa, a criação e a expansão do império árabe com a religião como aglutinadora e legitimadora, os pergaminhos e a antiguidade na fé como avalizadoras da autoridade terão sido fundamentais para a federação das tribos e a eficácia militar, mas...

A dificuldade e impossibilidade de separar as duas lideranças são talvez a razão de algum anacronismo e dificuldade de consolidação dos “Estados Nação” nos dias de hoje.

30 abril 2022

Marcas brancas e preços pouco claros


Não devo ser o único que, ao comparar o preço de um produto de marca branca com outro de marca consagrada, fica na dúvida quanto à razão da diferença. É mais barato porque ser intrinsecamente mais fraco, com menor qualidade, ou pela poupança na publicidade, comunicação e construção da imagem de marca?   

Notícias recentes sobre alguns processos instaurados pela Autoridade da Concorrência evidenciaram um terceiro fator. Alguns produtos de marca serão mais caros porque as mui dignas, reputadas e consagradas marcas impõem à distribuição preços mínimos a respeitar, devidamente escrutinados.

Confesso que passarei a ver as marcas brancas com outro olhar.

25 abril 2022

Por estes dias de abril


Por estes dias de abril, voltaremos a recordar uma data em que coletivamente e de uma forma muita ampla e consensual o país acreditou, abraçou e brindou a uma mudança. Por estes dias de abril, iremos voltar a ouvir um discurso sectário sobre os chamados valores de abril, por parte de quem deles costuma abusivamente se tentar apropriar.

Por estes dias há uma guerra brutal em curso na Europa, fruto de uma agressão sem a mínima justificação e alguns desses expropriadores de liberdade e democracia estão a demonstrar claramente os seus valores, o seu projeto de sociedade.

Por estes dias de abril, vamos, talvez, uma vez mais, e só seria necessário para os muito distraídos ou intelectualmente míopes, ver uma separação das águas. O verdadeiro espírito popular de abril é solidário, apoia inequivocamente o sofrimento do povo ucraniano, condena a brutalidade do regime russo, a sua invasão de um país soberano, assim como denuncia a falta de direitos e liberdade na própria Rússia. O resto são cantigas de enganar, para quem as quiser ouvir.

21 abril 2022

França, Le Pen e UE – Entre divórcio e libertinagem


A primeira vez foi em 2002 quando JM Le Pen chocou o mundo político francês ao passar à segunda volta das eleições presidenciais, contra J. Chirac. A proeza foi repetida pela filha Le Pen contra E. Macron em 2017 e agora de novo em 2022.

Num discurso amaciado face ao passado, ela diz não pretender propor a saída do país da UE, mas promete implementar uma preferência aos nacionais franceses e fazer a legislação francesa prevalecer sobre a europeia. É um pouco como o habilidoso que não quer divorciar-se, aprecia manter o conforto familiar às 2ª, 4ª e 6ªs e estar livre às 3ª, 5ª e sábados.  

Qual a razão para tanto sucesso deste discurso nacionalista? Penso que, entre outras coisas, incluindo uma alteração substancial da paisagem social de muitas cidades e subúrbios, há talvez demasiada “discriminação positiva” de algumas minorias, pelo menos em perceção. Real ou apenas sugerida, de dimensão corretamente avaliada ou pelo discurso populista amplificada, acaba num convite à discriminação positiva da maioria. Discriminações mesmo positivas podem ser remédio perigoso. Igualdade de oportunidades e recompensa objetiva e justa pelo mérito serão caminho mais são. 

No próximo domingo será a segunda volta e veremos. Termos visto JL Mélechon de uma extrema-esquerda utópica com 22% na primeira volta contra 1,7% da candidata do histórico partido socialista, sugere que alguma razoabilidade está a faltar.

14 abril 2022

Não, obrigado!


Algures pela segunda metade da década de 70 eu tinha na minha capa escolar um autocolante tipo ovo estrelado do “Energia Nuclear, Não, Obrigado”. Era um tema ainda fresco, havia alguma contaminação entre a ideia do nuclear civil e militar, este último bastante ameaçador na época. O certo é que após a crise petrolífera provocada pelo boicote árabe de 1973, muitos países abraçaram sem hesitação esta alternativa, mais controlável, especialmente do ponto de vista do risco geopolítico.

Hoje, mais de 40 anos depois, tendo-se acrescentado ao contexto a necessidade da limitação das emissões de CO2 e estando algumas centrais nucleares a chegar à reforma, o que podemos dizer quanto ao nuclear sim ou não? Por um lado, continua a haver bastante instabilidade geopolítica na área de origem dos combustíveis fosseis. Além dos tradicionais, de há umas semanas para cá, foi acrescentada a Rússia. As renováveis cresceram muito, mas ainda estão longe de assegurar a integralidade das necessidades.

Do lado da segurança das centrais, tivemos Chernobyl e Fukujima e constatamos uma coisa. Não há forma certa de controlar a besta quando ela desembesta. Não há um modo operatório definido sobre por onde e como reagir com segurança em caso de acidente grave. E as consequências potenciais são brutais.

Não há também ainda forma consensual e segura de como gerir os resíduos radioativos do combustível usado ou do desmantelamento das centrais. Quarenta anos depois ainda se especula sobre se se enterra ou não, em que condições e a que profundidade. Considerando o tempo de vida de alguns resíduos, é assustador… e irresponsável o tema ainda estar verde. Ou então será porque não há mesmo solução adequada…

Diz-se que as novas centrais são muito mais seguras, mas também são muito, muito mais caras. Entretanto, equaciona-se prolongar a vida útil das antigas. Mas se estas são mesmo seguras, a ponto de poderem aguentar mais anos, porque se constrói agora de forma diferente?

Quanto ao risco de acidente, podemos dizer que Chernobyl foi coisa soviética, um contexto que aparentemente já não existe. Será? Fukujima, Japão, aconteceu num país muito organizado e disciplinado. Centrais em países como Egito ou Paquistão terão sempre uma gestão e operação rigorosas e irrepreensíveis?

E a guerra? Vimos recentemente imagens de Chernobyl e Zaporizhia em pleno teatro de guerra e arrepiamo-nos com o que poderia provocar um “tiro ao lado”. Todos os locais nucleares do mundo estão protegidos contra serem apanhados num cenário destes? Não. E se aqueles terroristas que não se ensaiam em provocar os maiores estragos possíveis decidirem atacar um reator… já sabemos que a besta, desembestando …

Pela lógica, racionalidade, preocupação com o ambiente e sustentabilidade do planeta e da humanidade: Nuclear, não obrigado. É irrazoável conviver com estas bestas apocalíticas, confinadas em frágeis jaulas. Há alternativa, mantendo os nossos atuais padrões de vida? Não.

Imagem de versão compactada, publicada no Público.  

01 abril 2022

Pequenas histórias


Tinha lá por casa um livro de crónicas perdido, num andar superior de uma estante e que não se me mostrava facilmente. O Pai Natal trouxe-me o aqui representado e foi o momento de ler os dois, do mesmo autor, Germano Silva.

O Porto, é o Porto. Uma frase que de concreto pouco diz. O Porto não é uma cidade de monumentos vistosos e de abasbacar. É uma cidade feita da grandeza de simples e frontal gente, de pequenas e significativas histórias, que lhe traçam no granito a identidade.

As crónicas de Germano Silva são simples histórias, de pequenos episódios, de perdidos recantos, de discretas passagens, mas de onde se constrói um belo quadro da chamada antiga, mui nobre, sempre leal e Invicta.

São pequenas histórias, mas muitas e diversas, ricas precisamente por essa diversidade e por um fio condutor que nos desvela o ser da urbe. Há quem diga que “a vida é feita de pequenos nadas”; uma cidade é feita, e muito, de pequenas histórias. Obrigado Germano Silva. Não voltamos a olhar para as ruelas e calçadas da mesma forma depois de o ler.