Depois de Camilo, Júlio Dinis e Alexandre Herculano, chegou
naturalmente a vez de Almeida Garret. Ele foi um cidadão com uma enorme
participação e contributo na vida política e cultural do país, mas esse não é o
tema aqui. Apenas o que achei da sua produção literária que li. Pela introdução
já dará talvez para entender que não me entusiasmou muito e que tenho alguma dificuldade em sintetizar num traço caraterístico. Pode ser da seleção de obras que fiz...
As duas peças de teatro são interessantes, mas não a ponto de
deslumbrar. Talvez seja da escola da época, as personagens são estáticas, acabam
como começaram, não se apercebem subtilezas nem evoluções. Custa-me a entender
o carácter quase mítico atribuído ao “Ninguém” do Frei Luís de Sousa.
O Arco de Santana é um romance histórico que tem a
particularidade notável de tudo acabar em bem. Até a velha judia se converte
voluntariamente no final, para nada destoar. O prato principal, que ficou para
o fim, foi o Viagens na Minha Terra, cujo saltar da leitura integral muito me
tinha trocado as voltas no secundário.
A história entrelaçada é “mais” uma narrativa romântica em
que como seria obrigatório, a donzela acaba em morte súbita, suicida, demente
ou, no melhor dos casos, em clausura. Tem duas exceções, a inglesa Georgina tem
mais força e determinação do que o habitual e Carlos acaba por não ser o garboso
cavaleiro irrepreensível que a receita da época prescrevia.
Se já tinha achado que Camilo saltava demasiado da narrativa
para se dirigir ao leitor, neste livro Garret ultrapassa-o de forma gigantesca.
Os comentários e apartes não se ficam pelo enredo e personagens, mas vão sobre
tudo. Algumas reflexões são certamente muito pertinentes, mas gostaria de as
ver mais agrupadas e estruturadas e não despejadas a granel, sendo que por
vezes parece ser alguém que faz mais garbo em expor da sua enorme cultura
geral do que em desenvolver o que pensa.
Para não acabar em negativo, cá vai uma citação:
Fica, é verdade, o direito salvo para chorar depois o erro,
lamentar a precipitação do momento e conspirar cada um contra a sua própria
obra; mas é tudo o que fica.

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