Frequentemente discute-se a imigração em termos absolutos e redutores: é boa porque isto; é má porque aquilo. Como é óbvio, nem todos os emigrantes são iguais qualitativamente em potencial e cultura, nem todas as escalas são equivalentes.
Por estes dias, os acontecimentos de Ceuta vieram colocar em
evidência a falta de consistência dessas abordagens simplistas. A chegada
daquela quantidade de pessoas a um espaço como Ceuta em dois dias é obviamente
incomportável; se fosse a toda a Espanha durante 10 anos, seria diferente. Onde
está o limite?
O limite está certamente na capacidade de integração sem
transfiguração social. Um quadro venezuelano irá integrar-se mais facilmente do
que um jovem marroquino, que não fala espanhol, nem tem formação. Os países que
se identificam como Estados têm uma identidade e costumes em que os seus
cidadãos se reconhecem. Evoluem, certamente, mas essas mudanças não podem ser
brutais, nem colocar em causa valores basilares da sociedade recetora, neste
caso, principalmente, a liberdade, a tolerância e a igualdade de direitos, para
lá de alguns códigos sociais básicos, que também definem o ecossistema social.
Em Portugal é normal atravessar uma rua fora da passadeira, na Suíça não. Um
suíço não apreciará ver imigrantes portugueses transporem para lá essas
práticas (apenas um exemplo simples e pacífico).
Nas causas de Ceuta, acumulam-se vários fatores,
catalisadores e responsabilidades dos dois lados da fronteira e não é objetivo
aqui analisá-los.
Queria apenas realçar que a política do “venham todos”, somos
bonzinhos e “recebemos todos, todos” estourou na cara de Pedro Sanchez e de
quem o defende. Supostas boas intenções ingénuas ou demagógicas não são solução
para nada. Veremos se aprenderam! Vai uma aposta?

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