06 setembro 2010

Os ciganos e os outros

Segundo entendi a França está a propor o retorno de ciganos ao seu país de origem, contra um prémio monetário e, ao mesmo tempo, a expulsar os imigrantes ilegais. É feio realizar uma acção selectiva dirigida a um grupo étnico mas comparar isso com as tristes e sinistras perseguições do passado é ignorância ou estupidez ou as duas coisas misturadas.

Pagar para saírem voluntariamente não é expulsar e ilegal é por definição ilegítimo e inaceitável. Ou devemos aplicar uma discriminação positiva, segundo a qual os ciganos e outras minorias étnicas podem permanecer ilegais e outros não?

A nossa sociedade tem um modelo que é aquele em que eu quero viver e tem regras que têm que ser cumpridas por quem cá chega. A defesa desse nosso “modus-vivendi” não passa por perseguir e banir os diferentes mas também não também é compatível com tolerar desvios que o violam. Não me incomoda nada ver um cigano na rua, ou um africano, ou um árabe ou um esquimó, mas não quero ter um acampamento de ciganos no jardim público em frente à minha casa nem quero ver a minha rua igual a uma de um bairro popular africano. E presumo até que muitos dos manifestantes solidários não se sentiriam muito confortáveis num cenário desses.

Os políticos e os “fazedores de opinião” que no alto das suas torres, entre duas cachimbadas, fazem pueris discursos sobre a defesa da diversidade ignorando os efeitos intrusivos que o “excesso de diversidade” pode trazer, estão ao lado da história. Ou conseguem descer à rua e entender, ou os extremistas, esses sim xenófobos e perigosos, irão capitalizar o fenómeno e será feio.

03 setembro 2010

Afinal havia outra ...



Há uns tempos atrás eu queixava-me do anacronismo do espelho nas máquinas fotográficas de qualidade e dos preconceitos quanto ao mesmo por parte dos “profissionais”. Na altura, depois de algumas peripécias, acabei por comprar em saldo uma Olympus E3, que dizem ser profissional e, apesar de algumas nítidas melhorias e muitos mais botões, não me fez esquecer a velhinha Sony R1 e a sua Zeiss impecável.

Depois, quando vi o anúncio das Nex 3 e Nex 5, achei que a Sony tinha ouvido as minhas preces, mas enganei-me. Quando analisei melhor, entendi que essas Nex’s afinal são a outra coisa que também ainda não existia. Câmaras em tamanho pequeno com sensor de qualidade, tamanho grande (APS-C).

As reais sucessoras da R1, saíram agora. São as a Alpha 33 e 55 e sem compromissos. Têm tudo o que de vantagem tem uma “bridge” séria e até garantem aquilo que seria a “última” vantagem das reflex – a focagem por detecção de fase. Neste momento não há mais dúvidas. A Sony lidera e quem achar que o traque-traque do espelho móvel continua a ser fundamental, com todas as limitações que acarreta, está a trocar o racional pelo emotivo.

E uma reflexão: se a Sony lançou a R1 há 5 anos e demorou tanto a dar esta sequência, chegando somente agora que o assunto está na berra, porque será? Um palpite: a aquisição da Minolta e aquilo que em parte foi uma grande herança tecnológica terá sido ao mesmo tempo um banho de conservadorismo de que só agora se libertaram.

E a Canon e a Nikon que se cuidem.

E, se alguém quiser uma E3 + obj 12-60 de excelente qualidade a bom preço, o email está no perfil.

Nota: Foto extraída do site da Sony

01 setembro 2010

Escoural



Dizem que vale a pena visitar e tentámos. De acordo com um folheto da câmara de Montemor-o-Novo, o espólio principal estaria no museu de Arqueologia da cidade. Chegamos lá um pouco antes da hora oficial para almoço e estava fechado. Voltamos meia hora depois da hora oficial de reabertura e estava fechado. Um papel na porta mandava tocar a sineta. Tocámos, esperámos e tocámos de novo e nada. Procurámos outras portas e outras sinetas e nada. Resolvemos ir directamente ao local, deixando uma pequena nota sobreposta no dito aviso.

No Escoural as placas mandam seguir até à gruta que fica a cerca de 4 km da localidade. Quando lá chegámos verificámos que estava fechado para obras. Uma placa sugeria, em alternativa, visitar o centro de interpretação na povoação e lá voltámos para trás os 4 km. Nesse último local um anúncio diz que, adivinhem...., estava fechado, por baixa da funcionária. Tudo isto aconteceu no dia 27/8, em plena época turística. Tudo muito consistente e a tirar a vontade de voltar a tentar. E é pena, não é ?

31 agosto 2010

Notícias da estação tonta






Chamam-lhe tonta, não sei porquê. Poderia ser apenas diferente como “diferente” foi o facto de o Glosa Crua ter ido de férias sem avisar. Não se faz!

Mas, que temos a realçar nestes tempos?


1. Os incêndios
De que se fala quando ardem, em nauseantes excesso de “informação”, forçosamente angustiantes e ainda mais quando se conhecem os locais. Nesta altura todos têm ideias e propostas. Uma sugestão: guardem-nas para as apresentarem e serem discutidas no Inverno. É mais útil.

2. Os apoios psicológicos
Cada vez mais parece que esta nossa espécie é incapaz de enfrentar a menor contrariedade sem “apoio especializado”. Qualquer contratempo gera stress a pedir “tratamento”. Até para o fim das férias. Se não são capazes de encerrarem as férias dignamente, então não deveriam sequer começar. De qualquer forma não gostaria que os meus impostos servissem para pagar as eventuais baixas de quem tem dificuldade em deixar a boa vida.

3. A falta de férias
Houve cá a Marsans e, que me recorde, mais uma em Inglaterra. Encerramento de agências de viagens/operadores turísticos. É mau pagar e no final não gozar as férias, mas o “drama” não pode ser assim tão grande que justifique até a intervenção diligente de ministro. Face a todas as desgraças reais e potenciais, ficar um ano sem férias não deveria ter esse importância.

4. E a selecção ?
É habitual em regimes “especiais” não publicitarem nem julgar de imediato os culpados no momento dos factos. Estes são guardados discretamente e mais tarde em caso de necessidade são usados para fazer uma outra “justiça” qualquer. É o caso da nossa selecção. Se tivéssemos saído da África do Sul com uma classificação mais conforme com o potencial e a expectativa, alguém se lembraria do episódio da Covilhã? Parece-me que não. A Federação quer despedir o homem, sem ter que cumprir o contrato que assinou. Para isso vasculha nas gavetas. Talvez achem que estão a ser muito “espertos”, mas eu acho que estão a fazer uma triste figura.

5. A Casa Pia
Dizem que está a chegar ao fim. Ouço estupefacto que a gravidez de uma juíza provocou que durante meses se realizasse apenas uma sessão pró-forma por mês, para cumprir os mínimos. Tinha que ser assim? Já sabemos que a Justiça tem sempre todas as razões e justificações para poder desfrutar de “todo o tempo do mundo”

6. A Praia vazia é crime
A promoção de Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura apresentou um cartaz mostrando uma praia deserta em Agosto de 2012, sugerindo que nessa altura “tudo acontece” em Guimarães. Os inefáveis corporativos defensores dessa região turística sentiram-se ofendidos e insultados, exigem desculpas e até ameaçam com processo judicial de pedido de indemnizações. Não têm mais com que se preocupar? Um cartaz assim assusta tanto? Não poderiam responder pela promoção positiva, em vez deste ataque de impotência negativa? E aqui está o objecto do crime retirado do sitio do Público:



15 agosto 2010

Com pinças

Há um projecto para ser construído um centro islâmico, incluindo mesquita, ali ao lado do local onde estavam as torres do WTC que ruíram em 11/9/2001. Não há forma pacífica de abordar este assunto que parece um autêntico lança-chamas na polémica do Islão – islamofobia – terrorismo – tolerância – abertura – etc.

É fácil afirmar emotivamente que se trata de uma provocação inútil e de gosto duvidoso como também é fácil dizer que o respeito pela liberdade de culto e a igualdade de direitos, tão caras nos states, pelo menos no princípio, não deveriam permitir uma descriminação destas.

Obama manifestou-se e optou pela segunda hipótese, a única possível oficialmente. Ficando assim pelo plano dos princípios apetece acrescentar duas coisas:
  • Pelo princípio da justiça – os promotores, apoiantes e futuros frequentadores muçulmanos do referido espaço deveriam clara, inequívoca e publicamente repudiar os atentados do 11/9, condenar as execuções de reféns que ainda hoje ocorrem e não assobiar para o lado.
  • Pelo princípio da reciprocidade – esperamos para ver um dia ser anunciada a construção de uma igreja no centro de Riad.

12 agosto 2010

Sem sal

Dizem os especialistas que em Portugal se exagera no sal e se calhar é verdade. Aliás, insosso é adjectivo com conotação negativa do que não tem sabor, personalidade ou marca. Claro que ter gosto não é equivalente a ter sal – há outros temperos, há o sabor natural das coisas e o tempero excessivo sobrepõe-se e anula o sabor do que é temperado. Mas, por exemplo, não imagino presunto sem sal.

Posso estar de acordo quanto à necessidade de alterar esse hábito. Está em causa a saúde pública e o orçamento do sistema de saúde – que todos nós pagamos. No entanto, aplicar carácter de lei ao teor de sal no pão parece-me absurdo. É passar um atestado de menoridade e de incapacidade de aprender à população em geral. Já que vocês não se ajustam voluntariamente, vamos impor. Se não vai a bem, vai a mal.

Penso que, por outro lado, é perigoso pela desresponsabilização. Há no mercado muitos produtos cuja combinação ou ponderação representam riscos e que nunca se poderão anular. O cidadão que um dia faça uma combinação ou uma ponderação de risco, sendo esse cidadão declarado e assumido de discernimento menor pelo sistema, que o tenta proteger a todo o custo, poderá colocar uma acção judicial contra o estado ou contra o vendedor? Um obeso poderá um dia processar o talhante por lhe ter vendido carne com gordura sem avisar ?

Como pouco pão e pouca manteiga. Mas quando o como, quero que seja salgado. No global até poderei estar a ingerir menos sal do que um consumidor quotidiano que funciona dentro da media legal. Mas, não posso fazê-lo legitimamente? Não será absurdo ? Já agora não se esqueçam, ao estabelecer os parâmetros, que o calor do sul pede mais tempero do que o frio do norte. Lá para cima eles suportam melhor o insosso.

01 agosto 2010

Desafecto pela Afición

O Parlamento Catalão votou e aprovou a proibição das touradas na região a partir de 2012. Mais um tema quente para aquecer o quente sangue que os espanhóis demonstram nestas coisas.

O inefável Mariano Rajoy lá veio dizer que proibir as touradas era como proibir a caça ou a pesca ou as corridas motorizadas e isso não podia ser regional. Não se entende porquê, como muitas outras coisas que ele diz. Acrescenta que vai pedir à Unesco a classificação da tourada como património cultural da humanidade. Será uma boa ideia para a Sudão, a Somália e outros pediram também respeito pela especificidade cultural de algumas das suas tradições, como, por exemplo, a excisão feminina. Aliás que posição tomará Marian Rajoy e outros quando saltar para o público a polémica sobre a forma de abate dos animais de acordo com os preceitos islâmicos em que são degolados a sangue frio e morrem esvaídos em sangue? Defenderá a especificidade cultural ?

Pode haver uma grande carga emotiva nesta discussão da parte de quem nasceu sentindo e vivendo touros e as touradas, mas uma coisa é certa: na perspectiva histórica evolutiva não há dúvidas sobre para que lado sopra o vento. Nos seus moldes actuais com ferros e sangue a tourada é inaceitável à luz do mínimo respeito pelos animais. A Catalunha está do lado certo.

28 julho 2010

Enquanto o navio afunda


Conta-se que a orquestra do Titanic continuou a tocar enquanto o navio afundava. Se calhar até poderia fazer algum sentido para não agravar o pânico. Não sei. O que sei é que essa imagem ficou associada ao “The show must go on” e à insensatez e insensibilidade do primado do prazer, independentemente das condições, dos contratempos e até mesmo da proximidade de uma tragédia.

Vem isto a propósito do recente acidente no “Love Parade” em Duisburg na Alemanha, em que apesar da tragédia e do terror que se terá vivido, não houve coragem, nem respeito pelos mortos e feridos, nem sensibilidade para dizer: “Meninos e meninas, não deve e não vai haver show!” Justificações são a coisa mais fácil de arranjar. Podemos sempre justificar um sim e ao mesmo tempo o correspondente não. A dificuldade está em ponderar as razões e decidir qual a que vale mais em função da respectiva escala, sempre algo subjectiva.

Alguém acredita que cancelar o espectáculo poderia provocar ainda mais tumultos ? O que me cheira é que da mesma forma como a autorização para o espectáculo foi tardia porque havia muitas dúvidas... quanto à segurança.. mas foi dada porque tinha que ser, se entendeu que tinha que continuar e que há coisas que não podem ser postas em causa, nomeadamente a expectativa de festa criada.

Como se sentirá um participante que tenha andado lá entretido a “bombar” (é assim que se diz?) ao saber que alguém como ele morreu ali estupidamente e que o sangue está ainda fresco no chão a uns metros de distancia? É possível alguém saber e dizer alegremente “Que se lixe!” ? É ético esconder o facto da multidão, somente para não estragar a festa?

Apesar dos tempos notórios e inquestionáveis de crise, há algo que parece ter uma precedência indiscutível na escala de valores: a festa. Creio mesmo haver quem aceite subalimentar-se ou privar-se de cuidados de saúde, apenas para não deixar de poder ir às festas.

Quando a festa é um valor primário sobrepondo-se a tudo, inclusive ao respeito pela vida humana, não hesitando em ser feita saltando sobre a memória dos mortos frescos, temos realmente uma grande crise e muito pior do que a crise económica.
Nota: Fota extraída do Jornal Público

18 julho 2010

Amor com amor se paga

Presidenciais 2006

O candidato oficial do PS, Mário Soares, não faz o pleno do eleitorado do partido, nem do chamado flutuante (a que eu prefiro chamar eleitorado crítico). É ultrapassado e humilhado por um independente, Manuel Alegre. Há uma franja do eleitorado que não se revê nem em Alegre nem em Soares e dá a vitória na primeira volta a Cavaco Silva, tornando-se este o primeiro Presidente da República eleito depois do 25 de Abril apoiado oficialmente apenas pela direita.

Presidenciais 2011
O Presidente em exercício, que parece ainda não ter entendido bem a sua função e o que se espera dele, esbraceja quase desesperado para não ter a humilhação de ser também o primeiro a não ser reeleito para o segundo mandato. Bastaria ao PS ter apresentado alguém como Jorge Sampaio, António Guterres ou Jaime Gama para Cavaco já ter as malas feitas. Mas não. O anterior independente, Manuel Alegre, é agora o oficial do PS mas, por motivos diversos, também não fará o pleno. Mário Soares ainda não digeriu a humilhação e não o apoia. Parece mesmo é desejar um “Manuel Alegre” para o Manuel Alegre actual.

Se Fernando Nobre não fazia sombra suficiente, surge agora Defensor Moura que anuncia só querer encher a actual terra de ninguém à direita de Alegre e assim impedir nova vitória de Cavaco Silva à primeira volta. A história não se repete porque da segunda vez é a farsa.

Resumindo e concluindo: vamos ter umas presidências bastante pobrezinhas...

17 julho 2010

A Guiné dos ricos

Nem de propósito! A seguir ao meu anterior post sobre os números negros em África, em que apesar da liderança no rendimento per capita, a Guiné Equatorial não sai muito bem na qualidade de vida dos seus cidadãos, estamos com a polémica sobre o seu pedido de adesão à CPLP.

Se a pátria da CPLP é a língua portuguesa, então será difícil ela entrar, a menos que se considere o espanhol uma variante do português ou que ela adopte o português como língua oficial em pró-forma.

Agora, não venham com o argumento de que não deve entrar por ser uma ditadura. Para não ferir susceptibilidades, não falemos dos restantes membros da CPLP. Vamos por um caminho menos sensível e mais abrangente. Se a ONU fosse a recusar o estatuto de membro a todos os países que não respeitam os direitos humanos, quem ganharia com isso? Isolados, sem enquadramento e sem pressão internacional institucional, os párias ficariam ainda mais párias e a ONU mais fraca. É obviamente um equilíbrio delicado entre o pragmatismo e o limite da hipocrisia, mas globalmente é melhor estarem dentro do que fora.

Que a Guiné Equatorial queira ser “meia portuguesa” não pode ser muito mau. Acredito até que provocará alguma inveja noutras comunidades. Provavelmente que se fosse o pobre Burundi a pedir a adesão, levantar-se-ia a nobre solidariedade, independentemente do fraco nível democrático do país. Como se trata da rica Guiné Equatorial, há uma maior exigência, que por acaso até interessa às comunidades preteridas.

Ingénuos...

15 julho 2010

04 julho 2010

Números negros

Na mesma altura em que leio um título “No futuro o ser humano poderá viver mil anos, defende cientista britânico”, que parece ser mais uma frase destinada a servir de título que nem sei nem quero avaliar, consulto o último relatório do Banco Mundial sobre os indicadores de desenvolvimento em África. Aliás nem sei se gostaria de viver 1000 anos, mesmo que fisiologicamente viável. O referido relatório do BM são cerca de 200 páginas de análise e de muitos quadros. Um resumo na página 37 já diz bastante. Há indicadores que se entendem mais ou menos bem, para os quais se tem maior ou menor sensibilidade e há outros que são claros: esperança de vida à nascença e taxa de mortalidade abaixo dos cinco anos. Alguns exemplos

Esperança de vida em Moçambique: 42,1 anos – Faz pensar, não faz? É um país pobre. Se olharmos para Angola em que o rendimento per capita é quase o dobro, teremos como esperança de vida em Angola : 47,3 anos.

Olhando para os extremos:
País com maior rendimento per capita – Guine Equatorial = 8692 USD
País com menor rendimento per capita – Burundi = 111 USD,
Média no continente = 879 USD
Se compararmos , respectivamente, esperança de vida e mortalidade infantil teremos:
Guiné Equatorial -- 50,5 -- 20,6 %
Burundi -------------- 50,6 -- 18,0 %
Média África -------- 54,8 --- 13,4%

Apesar de ter um rendimento quase 80 (oitenta) vezes superior, a Guiné Equatorial praticamente empata com o Burundi nesses dois indicadiroes e até está pior na mortalidade infantil. Pode-se argumentar que é uma riqueza recente (do ouro negro, é claro) e que ainda não teve tempo para surtir os seus efeitos na global da população. Esperemos...

Os bons exemplos e o bom exemplo dentro dos bons

Seychelles --------73,2 ----1,3% ---- 8 267
Maurícias ---------72,4---- 1,5 % ---- 4 929
Cabo Verde ------ 71,2 --- 3,2 % ---- 1 632
(Esperança de vida - Mortalidade infantil - PIB/capita)

02 julho 2010

Eu sabia...

Quando escrevia há poucos dias atrás acerca do folhetim político da introdução de portagens nas scuts e previa que antes de as novas portagens entrarem em vigor ainda iriam chegar mais novas “ideias”, acertei.

Agora o identificador deixou de ser obrigatório. A identificação pode ser feita fotografando a matrícula. Até já lhe chamaram uma solução de bom-senso. Calcularam os custos totais de processar a transacção dessa forma? Os senhores sabem que esse processo não é 100% fiável? E lá vem um efeito colateral: quem tiver via verde pagará de certeza, quem não tiver fica à mercê da fiabilidade do outro sistema que pode falhar até 10% das leituras, dependendo de factores como intensidade da circulação, condições atmosféricas e da quantidade de “lixo”, involuntário ou não, que estiver na matrícula. Não me parece justo e acho que alguém ainda vai exigir que o identificador da Via Verde passe a ter um botão de desligar para poder desactiva-la ao passar nas ex-scuts e poder ficar em igualdade de circunstâncias com os demais. Ou então, para compensar, e como é feito nalgumas aplicações deste sistema, o custo de passagem com leitura óptica deveria ser mais elevado... ! É só mais uma “ideia”...

E, em termos de protecção de privacidade, qual a diferença entre uma leitura electrónica de um identificador e uma leitura óptica automática de uma matrícula? E, já agora, com uma percentagem grande de veículos sem identificador a probabilidade de eu ser fotografado colateralmente é elevada. Isso será constitucional ?

Porquê esta nova trapalhada? Porque, para encravar o processo, em vez de se ir ao fundo da questão achou-se melhor lançar uma gincana jurídica em torno da obrigatoriedade do identificador. É um exemplo típico dos habituais malabarismos legais em que por hábil manipulação do acessório, se desperdiçam recursos e se impede o bom funcionamento da justiça e das instituições em geral.

Pior do que pagar é a cobrança ser feita por uma máquina ineficaz, pouco fiável e não equitativa. Esperemos pelas próximas ideias e gincanas...