Mostrar mensagens com a etiqueta Mariano Rajoy. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mariano Rajoy. Mostrar todas as mensagens

11 março 2016

Outras vítimas

Já aqui atrás contei a história da última vítima dos atentados de Madrid do 11 de Março de 2004. Não morreu pelas bombas terroristas. Morreu vítima da manipulação e da prepotência. Em resumo, e para quem não abriu o link acima, trata-se da mulher do comissário de polícia de Vallecas, local onde se encontrou a mochila-bomba não explodida, prova fundamental para identificar a origem muçulmana dos atentados e arrumar de vez com a fantasia da ETA que tanto jeito dava ao PP. Este nunca perdoou ao polícia ter sido o involuntário responsável pelo desmascarar da sua mentira.

Para lá do contexto específico, ser Espanha ou outro país, se quem manipula é um partido de direita ou de esquerda, é certamente muito grave alguém morrer devido não ao ato terrorista, claramente ilegal, com leis claras que o marginalizam e objeto de ação policial que o persegue, mas simplesmente sucumbindo ao assédio injustificável de quem tinha poder e aparelho mediático à disposição. É absolutamente repugnante que poderosos ressabiados, sejam capazes de atacar inocentes de forma tão despudorada, espezinhando-os sem piedade.

O PP perdeu as eleições três dias depois dos atentados, em grande parte, como castigo da sua atitude imoral, mas não aprendeu. O que falta a esta humanidade para ser consistentemente mais honesta, aceitando como únicas regras do jogo válidas as da verdade e as que começam e acabam no respeito pelos semelhantes.

Poder-se-á dizer resignadamente que “nunca”, que é uma utopia. No entanto, sem dúvida, a qualidade do quadro humano e social em que vivemos/viveremos é tanto maior quanto mais próximos estivermos da utopia, quanto menos traficarmos dolos e enganos. Num momento em que no nosso país, parece regredir para um “vale tudo” desde que no interesse próprio; do “manda quem pode” e “quem discorda que se cale” (mesmo tendo razão), não é inoportuna esta reflexão.

30 setembro 2014

Não foi em envelope

Depois de alguns dias de reflexão o nosso primeiro-ministro veio dizer que nada recebeu como remuneração da Tecnoforma nem da sua ONG satélite. Foi apenas reembolso de despesas efectuadas. Era importante saber um pouco mais sobre isso porque facturas há muitas…

E lá se aguenta, como também se aguenta o seu homólogo espanhol, à partida até bem pior colocado. Ao que parece, ele e demais notáveis do partido, recebiam notitas dentro de envelopes, geridos e distribuídos pelo tesoureiro do partido.

Esta remuneração B de políticos, melhor ou pior enquadrada, é uma praga que vai para lá dos aspectos fiscais de rendimentos não declarados ou incompatibilidade com o estatuto de exclusividade. Mesmo até com facturas certinhas e rendimentos declarados, não há almoços grátis. O dinheiro que circulou pela tal ONG que origem tinha e qual o propósito real da sua utilização? Obviamente que não se explica por uma lógica económica “normal”. Como milionários excêntricos não há assim tantos a fumarem notas pelo prazer de gastar, há neste e em tantos outros casos uma razão que a ética desconhece.

A autoridade só existe se houver moral em quem a exerce, independentetemente dos sacrifícios em curso que vivemos, que simplesmente a tornam mais premente.

17 julho 2012

A Europa acabou ?

Apesar de o Euro ter sido concebido com regras apenas para os dias de Sol, tem manifestado uma capacidade de resistência formidável nestes dias de tormenta. Com tanta trapalhada e diz/desdiz, faz/desfaz dos líderes europeus, é impressionante como a sua cotação permanece em alta. Apenas estão mal os níveis dos juros que se cobram aos elos mais fracos de cada momento. A resposta da Europa tem sido não pelo “princípio”, mas sim pela natureza, dimensão e capacidade reivindicativa daquele que em cada momento está nesse papel de elo mais fraco.

Quando no dia 9 de Junho Rajoy anunciou uma “muita vantajosa linha de crédito” para os seus bancos problemáticos, frisando que não era um resgate e evidenciando uma diferença de tratamento inaceitável para o problema tão idêntico ao da Irlanda, eu pensei que a Europa estava mesmo a acabar. Depois os Eurocratas vieram dizer que não senhor, que a garantia do empréstimo passava pelo Estado Espanhol, ficando célebre a ironia do: “Tu (Rajoy) dizes tomate, eu digo resgate”. Com o resultado futuro dessa operação, apenas anunciada, a colocar o défice público espanhol em níveis pouco saudáveis, os mercados carregaram e os juros da dívida pública de Madrid subiram para valores insustentáveis. Aí os Eurocratas inventaram que afinal poderia sim, ser uma ajuda directa à banca espanhola, sem penalizar as contas públicas do país. No mínimo estranho: por alma de quem, quem põe o dinheiro lá, de que forma e com que garantias? Mais uma coisa “dita e inventada” na última hora de uma cimeira sem se saber como se implementa. De realçar que sendo o objectivo tapar buraco existente, um estrago já feito, estes fundos não irão facilmente gerar valor para o respectivo reembolso. Como resultado, os “mercados” não acalmaram e os juros continuam lá em cima… e agora, que se inventará mais?

Diz-se que a génese do problema da banca espanhola está no rebentar da bolha de especulação imobiliária, daí o paralelo com a Irlanda. Mas não é bem assim. Os bancos espanhóis geridos seriamente como o Santander e o BBVA não estão a arder. O buraco principal está nas “caixas” que “geridas” politicamente à toa com negócios, negociatas, por amigos e afilhados torraram milhões e milhões. Ou seja, é um cenário algo próximo do nosso famigerado BPN, que o povo português está e continuará a pagar estoicamente. Não seria óptimo que o buraco do BPN fosse tapado directamente por fundos europeus de forma indolor para o Estado e o contribuinte português? Entretanto o povo espanhol tem mostrado nos últimos dias que não aceita passar a ser mais pobre. Têm todo o direito de protestar e pelos vistos têm uma capacidade reivindicativa fantástica, mas eu não pago o orgulho deles e se calhar os alemães também não. Com tomate ou com resgate estes espanhóis estão a fazer mais mal à Europa do que os gregos!

01 agosto 2010

Desafecto pela Afición

O Parlamento Catalão votou e aprovou a proibição das touradas na região a partir de 2012. Mais um tema quente para aquecer o quente sangue que os espanhóis demonstram nestas coisas.

O inefável Mariano Rajoy lá veio dizer que proibir as touradas era como proibir a caça ou a pesca ou as corridas motorizadas e isso não podia ser regional. Não se entende porquê, como muitas outras coisas que ele diz. Acrescenta que vai pedir à Unesco a classificação da tourada como património cultural da humanidade. Será uma boa ideia para a Sudão, a Somália e outros pediram também respeito pela especificidade cultural de algumas das suas tradições, como, por exemplo, a excisão feminina. Aliás que posição tomará Marian Rajoy e outros quando saltar para o público a polémica sobre a forma de abate dos animais de acordo com os preceitos islâmicos em que são degolados a sangue frio e morrem esvaídos em sangue? Defenderá a especificidade cultural ?

Pode haver uma grande carga emotiva nesta discussão da parte de quem nasceu sentindo e vivendo touros e as touradas, mas uma coisa é certa: na perspectiva histórica evolutiva não há dúvidas sobre para que lado sopra o vento. Nos seus moldes actuais com ferros e sangue a tourada é inaceitável à luz do mínimo respeito pelos animais. A Catalunha está do lado certo.