Uma coisa são os venenosos e hipócritas frequentadores de
sacristias; outra coisa são as instituições cristãs genuinamente solidárias e
humanas.
Uma coisa foram os Torquemadas, outra coisa foi a criação
artística e intelectual que a religião promoveu.
Uma coisa foi a mafiosa gestão financeira no Vaticano, outra
coisa é o apoio social que em tantos cantos perdidos a igreja proporciona.
Uma coisa é um regime intolerante que impõe uma religião única,
a mesma coisa são os que a tentam proibir a sua prática.
A lista pode continuar, mas com tantos duns e doutros, é
certamente uma grande ligeireza ficarmos divididos e ter que optar entre os que
incensam cada cruz que lhes apareça à frente e os que “pavolvianamente” rosnam
a qualquer sotaina que se aproxime.
Passando por uma declaração de interesse, anunciando-me como
agnóstico de matriz cultural cristã, não posso deixar de reconhecer que os
princípios fundamentais do cristianismo são mais pela tolerância do que pela
proibição, mais por promover o coletivo do que destacar o individual, mais pela
dignificação do ser humano do que pelo seu aviltamento, mais pela inclusão do
que pela exclusão, mais pela primazia da paz do que pela afirmação pela guerra.
Sim, houve, há e haverá desvios, como em tudo, como sempre.
Por isto tudo, sendo as jornadas mundiais de juventude uma
festa bonita, se não gostam, não olhem, não ouçam, mas deixem-nos festejar. O
fato de não gostarem não devia implicar raiva e menosprezo por quem lá está.
Tolerância, senhores!
Por maiores que sejam as crenças em materialismos,
racionalismos e outros ismos, a religião não vai desaparecer da face da terra
nem do horizonte espiritual de muitos. E mais vale promover festas assim do que
outras coisas…
Acrescentada a 6/8 a versão impressa.