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17 abril 2026

José Luís Tinoco


Alguém se recorda da canção que venceu o Festival da Canção há 5 anos? Ou o de há 10…?

No entanto, todos ou quase todos se recordarão daquela que ficou em terceiro lugar há 50 anos, em 1976. Termina assim:

No teu poema

Existe a esperança acesa atrás do muro

Existe tudo o mais que ainda me escapa

E um verso em branco à espera do futuro

E a primeira voz pela qual a ouvimos era a de Carlos do Carmo

Sim, era de uma época em que as canções tinham letras, melodias e interpretações que venciam o tempo.

Esta semana deixou-nos o seu autor, José Luís Tinoco, mas também nos deixou belas obras, que jamais esqueceremos!

(No teu Poema)

Existe um rio

A sina de quem nasce fraco ou forte

O risco, a raiva e a luta de quem cai

Ou que resiste

Que vence ou adormece antes da morte

01 janeiro 2026

Pela vida

Nas últimas horas de Sol de 2024 o jardim teve direito a uma limpeza. Os trabalhos foram supervisionados de perto por um atento passarito, talvez preocupado por o corte de galhos afetar o seu habitat ou na expetativa de que nas voltas e reviravoltas surgisse alguma coisa simpática para debicar.

Ficou por al a saltitar de galho em galho, pela relva, pelos passeios e até mesmo em cima do balde que recolhia os verdes. Caídos os últimos raios de Sol de 2025, terminados os trabalhos, despediu-se e lá terá ido à sua vida.

Uma coisa é certa. Mesmo por entre ramos secos que mais tarde ou mais cedo desaparecerão, haverá sempre um novo Sol a nascer e alguma forma de vida para o receber e para ser apreciada.

Aproveitem 2026!


05 agosto 2023

Deixai-os celebrar


Uma coisa são os venenosos e hipócritas frequentadores de sacristias; outra coisa são as instituições cristãs genuinamente solidárias e humanas.

Uma coisa foram os Torquemadas, outra coisa foi a criação artística e intelectual que a religião promoveu.

Uma coisa foi a mafiosa gestão financeira no Vaticano, outra coisa é o apoio social que em tantos cantos perdidos a igreja proporciona.

Uma coisa é um regime intolerante que impõe uma religião única, a mesma coisa são os que a tentam proibir a sua prática.

A lista pode continuar, mas com tantos duns e doutros, é certamente uma grande ligeireza ficarmos divididos e ter que optar entre os que incensam cada cruz que lhes apareça à frente e os que “pavolvianamente” rosnam a qualquer sotaina que se aproxime.

Passando por uma declaração de interesse, anunciando-me como agnóstico de matriz cultural cristã, não posso deixar de reconhecer que os princípios fundamentais do cristianismo são mais pela tolerância do que pela proibição, mais por promover o coletivo do que destacar o individual, mais pela dignificação do ser humano do que pelo seu aviltamento, mais pela inclusão do que pela exclusão, mais pela primazia da paz do que pela afirmação pela guerra.

Sim, houve, há e haverá desvios, como em tudo, como sempre.

Por isto tudo, sendo as jornadas mundiais de juventude uma festa bonita, se não gostam, não olhem, não ouçam, mas deixem-nos festejar. O fato de não gostarem não devia implicar raiva e menosprezo por quem lá está. Tolerância, senhores!

Por maiores que sejam as crenças em materialismos, racionalismos e outros ismos, a religião não vai desaparecer da face da terra nem do horizonte espiritual de muitos. E mais vale promover festas assim do que outras coisas…

Acrescentada a 6/8 a versão impressa.



17 setembro 2017

Andores de Santa Tecla

Fica na margem esquerda do rio Neiva, já relativamente próximo da foz. Uma simples capelinha num pequeno sobressalto de terreno verdejante e arborizado, com o bucólico rio ali a seus pés e uma presa e respetiva azenha logo acima. As minhas primeiras aventuras remadoras, muito incipientes, foram ali.

Um destes dias, depois de alguns quilómetros a pedalar e quando serpenteava às escondidas com o Neiva desde Forjães passei lá, vi uns andores cá fora, à sombra das árvores, generosamente floridos e marquei regresso para a tarde, devidamente equipado.

Lá estava uma banda de respeito, curiosamente com alguns músicos que já vi a tocar em orquestra sinfónica, as criancinhas representando as várias Nossas Senhoras e as autoridades, esperando para participarem e abrilhantarem a procissão. Uma festa como deve ser. Curiosamente, cruzei-me com e encarei o presidente da câmara, que conheço dos cartazes. Fez um cumprimento de quem me conhecia, apesar de eu não aparecer em cartazes, e, educadamente, respondi. Aparentemente, isto andar com duas câmaras aos ombros inspira respeito aos políticos!

Bonita a festa… Mais detalhes dos andores aqui.

22 junho 2017

A Festa do Cavaquinho


Muitas das habituais manifestações/espetáculos de música/cultura tradicional, infelizmente, não são festa. Independentemente do maior ou menor rigor colocado nas representações, independentemente da qualidade intrínseca e da técnica das execuções, muitas vezes é até difícil sequer segui-las com interesse.

No dia 10 de junho passado, realizou-se em Cernache mais um encontro de “Cavaquinhos para o Guiness”. O objetivo era chegar ao milhar, ficaram a faltar uma cinquentena, mas parece que ninguém se preocupou demasiado com esse detalhe, no meio daquele ambiente genuíno de festa. E sublinho a palavra “genuíno”. Vieram novos e velhos, vieram de escolas e de universidades sénior, vieram rurais e urbanos, participaram e divertiram-se.

Os sorrisos, os dedos a correr com prazer nas cordas e os plenos pulmões de quem canta com todo o gosto do mundo, criaram incontáveis cenários de beleza e alegre autenticidade. Obrigado à organização e aos participantes. Foi muito bonita a festa, pá!

Mais fotos aqui e aqui.

10 maio 2017

Coisas cá da terra


Cenário 1 – Os estrangeiros ignoram ou ridicularizam a participação.

Resposta cá na terra: Estava-se mesmo a ver. Aquilo é absolutamente ridículo; não tem jeito nenhum. É inconcebível como foram escolher uma “coisa” daquelas. Outro resultado não era de esperar.
Acrescentar-se-ia, certamente, uma boa série de piadas e graçolas de natureza e gosto variados.


Cenário 2 – Consta que os estrangeiros gostam e, se calhar, vamos ficar bem.

Resposta cá na terra: Yeahhh!!! Sobral, amigo, estamos contigo! És o maior! Mostra a esses estranjas como se canta! Vamos lá, somos bons…!
E só falta pendurar bandeiras nacionais nas janelas e varandas.

Assim somos...

16 setembro 2016

13 setembro 2016

11 setembro 2016

Princesas Misteriosas do Cáucaso




XX Festival de Folcore Internacional do Alto Minho - 2016
Tsu Folk Dance Ensemble “University 2”, Tibilisi, Geórgia

10 fevereiro 2016

E o Carnaval?

Pois é, já passou. Já estamos nas cinzas. Do Carnaval mesmo, genuíno, recordo-me de na infância sair pela rua com os meus primos a “correr o farrapão”, não esfarrapados mas pouco menos. Havia também uma tradição na grande família de organizar um “assalto” a casa de um feliz contemplado em cada ano… Entrava toda a gente mascarada e os anfitriões forçados lá tinham que se esforçar para identificar quem é quem. Mérito para os últimos a serem reconhecidos, já quase pelo princípio da exclusão de partes.

Mais tarde, foi uma data que, juntamente com o S. João e a Passagem de Ano, constituía a “troika” das festas de garagem. A data servia de motivo e de desculpa, sem uma entidade característica muito marcada.

Acredito existirem terras e pessoas para quem esta festa tem e terá um significado forte e profundamente enraizado na sua cultura e identidade coletiva. Assim seja… No entanto, há um carnaval que não me agrada: o do espetáculo pelo espetáculo, o dos corsos gelados e pingados pela inversão das estações do ano entre o local origem e a triste cópia. Tão pouco gosto da festa “obrigatória” nas escolas para os pequenos (a minha fantasia é mais chique do que a tua…), que até já importaram uma tal de “Halloween” que nunca conheci.

Como não crente, até estou muito à vontade para o dizer: sendo o Carnaval o adeus à carne antes da quaresma, acho que quem não a faz, também não o devia celebrar…

PS: E não é que em 54 000 fotografias arquivadas, aparentemente não encontro nenhuma que de carnaval? A semana santa de Braga, também serve…

26 agosto 2015

Choveu na festa


Terminaram as festas da Sra da Agonia deste ano em Viana do Castelo, marcadas pela chuva e não só. Uma manifestação popular desta dimensão é e deve ser feita principalmente pelo povo. É absolutamente impossível e irrealista presumir que possa ser organizada da mesma forma como se produz um simples concerto musical. Dentro do orçamento para a sua realização uma parte significativa e largamente maioritária do contributo deve vir das “vontades” do povo, que até são gratuitas.

Parece, no entanto, não ser essa a tendência recente, dado o desenvolvimento de uma tutela pela autarquia, excessiva aos olhos de muitos. Particularmente polémica este ano foi a burocratização do Desfile da Mordomia, talvez o ponto mais alto e mais impressionante do programa, pela obrigatoriedade duma pré-inscrição. Se a preocupação com o rigor nunca deva ser pouca, precisamente por isso uma simples fotografia prévia é fraco garante do mesmo.

Um momento bastante constrangedor foi precisamente o controlo da entrada no referido desfile em que uns seguranças pesadamente trajados (a rigor) exigiam, sem cerimónias, o salvo-conduto às mordomas que se apresentavam na entrada. Recolhiam-no com determinação, como se estivessem a receber os cartões de consumo devidamente carimbados na saída de uma discoteca (que raio de festa…!). Ironicamente, o rigor aqui começava e acabava na simples existência de um papel.

Há certamente um equilíbrio a encontrar entre espontaneidade e organização e numa escala destas não existem soluções sem senão. De uma coisa tenho, no entanto, a certeza: não é por decreto.

14 fevereiro 2015

Carnaval e quaresma


Se, esquecendo eventuais raízes mais profundas, o Carnaval representa a “última festa” antes da Quaresma, fará sentido festejar o Carnaval e depois ignorar a Quaresma?

05 janeiro 2015

Janeiros

Ainda agora aqui cheguei
E mal pus o pé na escada
Logo o meu coração disse
Aqui mora gente honrada...


Viva o dono desta casa
Junto à sua família
Oxalá que de hoje a um ano
Estejam com a mesma alegria !

25 agosto 2014

A Festa


Chamam-lhe também “A Romaria das Romarias”, mas eu não acho essa etiqueta, de cola rápida, muito feliz. Caeiro dizia que “o Tejo não é mais belo do que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”. As festas, como os rios, não valem por comparação ou relação com os seus pares, mas pela forma como são sentidas e vividas pelos seus. A romaria da Srª da Agonia, de Viana do Castelo, é sentida de forma única, intensa e empenhada, por quem a vive e muito especialmente pelos seus. Também não é métrica revelante as toneladas de ouro que saem à rua no desfile da mordomia. Haverá quem tenha muito gosto em ourar abundantemente o peito, mas não é essa quantidade que torna a festa mais bela.

Na minha opinião, o que há de muito particular nesta festa, e conjuga-se certamente no feminino, é aquele pisar a rua com a cintura apertada entre as mãos, tronco bem direito e cabeça levantada, sorrindo. Gente que no resto do ano passa quase sem se ver, nestes dias transforma-se e afirma-se com a autoridade fatal do sorriso. As ruas são delas e nada a contestar, muito pelo contrário, tudo a agradecer.