05 maio 2010

Compulsos (13)

Começou em
Bem-vindos! Bem-vindos a este círculo dos compulsivos. Todos temos pulsões e compulsões, apenas a sua natureza e ponderação muda. Se as misturarmos e distribuímos na boa medida, seremos todos normais.
Não combinaram nada. Cada qual, em paralelo, foi até ao café próximo do local do círculo. Talvez por provocação para aqueles que mais uma vez esperariam por eles em vão, talvez para consumar o encontro físico dos corpos iniciado virtualmente ali umas semanas antes. Ele segurou-lhe mesmo na mão, recuperando uma sua mão perdida e ela identificou o calor indefinido que sentia por ali há uns tempos. Sorriu e abraçou-o conciliando as duas partes dela dispersadas.

Tudo se passou em calor, dos corpos, dos sorrisos, dos olhares e se alinhou todo o dentro com todo o fora.

Se dos fracos não reza a historia, as boas histórias também não rezam encantos e maravilhas. Há coisas que não se dizem: fazem-se e vivem-se. Descrever belezas de momentos, plenitudes e viagens pelos picos das emoções é sacrilégio. Cada qual no seu segredo as guardará, certamente diferentes de quando as imaginava antes de acontecerem e também diferentes de como as pintará após morrerem. A criação está na ansiedade e na saudade. No meio, no momento de cruzar os cumes, será frouxa e supérflua.
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04 maio 2010

Pulsões e Compulsões

Pois é. Começou já em Janeiro e na altura estava completamente escrito. Resolvi trazer para aqui a história às prestações, embora um pouco fora da “linha editorial” do blog, conforme me assinalaram.
Acabou por não ter o ritmo de publicação certinho, próprio de um folhetim, e perturbar, e até de certa forma poluir, o normal fluir dos posts.
Bom... vamos lá então acabar de publicar isto de vez! Para recordar na altura o homem da imaginação e a mulher do traço estavam no limiar da porta. Já tinham sido expulsos do círculo e este rapidamente os requisitava de novo; fugiam da insanidade mas não sabiam viver sem a sua proximidade. Os dois ... desses não conto nada!

Compulsos (12)

Começou em
Bem-vindos! Bem-vindos a este círculo dos compulsivos. Todos temos pulsões e compulsões, apenas a sua natureza e ponderação muda. Se as misturarmos e distribuímos na boa medida, seremos todos normais.
O moderador telefonou-lhes anunciando que os seus substitutos não se tinham integrado e havia novamente vaga para o seu regresso. A forma ansiosa como o comunicou traiu-o. Eles entenderam que o circulo precisava deles, mas não iria ser tão fácil. Concertaram posições e acordaram anunciar a sua presença, sabendo à partida que pelos menos à primeira sessão faltariam.

O grupo estava em pulgas esperando excitado a chegada dos exóticos. Até já tinham descoberto coisas novas para contar que guardavam ansiosamente. Nesse dia estavam mais animados, mais vivos... sorriam cumplicemente e já com um bocadinho de desdém antecipado: “vamos ver os disparates que ouviremos hoje!. Nem quero imaginar...”

À hora prevista, à hora em que deveriam estar no circulo, sentaram-se imóveis, cada qual no seu canto doméstico preferido. Tinha sido uma boa ideia deixar os normais pendurados, só que eles próprios também ficaram pendurados. Aliás, estavam mesmo a sentirem-se em fase, com a sensação que começavam a funcionar em paralelo para muita coisa. Parados, cada qual no seu canto, tinham a certeza de que o outro pensava no outro. Lentamente iam digerindo a noção de que ficavam mais incompletos e menos independentes.

Ele já não imaginava. Imaginar é ficar na estação e ver o comboio partir fantasiando sobre as cidades e as paisagens que ele atravessará. Ele estava no comboio. Não precisava de imaginar ou de especular. Sabia que iria ver, que iria viver, era só deixar avançar o tempo.
Ela, pouco riscava. Ou, pelo menos, quando o fazia não era compulsivamente. Tinha desaparecido a tensão e até sorria descontraída. Conseguia ter uma ideia e guardá-la algum tempo, sem necessitar de a lançar para fora no imediato, no tal jorro de vómito.
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27 abril 2010

Alguém sabe a sério, mesmo, o que anda a fazer ?



Durante quase uma semana mais de metade do céu da Europa em área e muitíssimo mais em tráfego ficou vazia. Dos 30 aeroportos europeus mais movimentados apenas escaparam, nas minhas contas, 10. Um vulcão apenas, de um dia para o outro, fez isto. Na minha santa ignorância, custa-me a entender que essa decisão tenha sido cientificamente sustentada. Evidentemente que a prudência é o primeiro critério a ter em conta nestes campos e quando não há certezas é sempre melhor dizer não.

Ao fim de alguns dias, desesperadas, algumas companhias aéreas fazem voos de teste através das cinzas e vêm dizer que não houve problemas. Mesmo assim os burocratas, provavelmente mais técnicos de papeis do que de engenharia, e considerando que não havia ainda papéis feitos para aquela situação, insistem na proibição.

Foto tirada no aeroporto de Roma em 15.04.2010

25 abril 2010

A digestão democrática

Comemora-se por cá o 25 de Abril, já a chegar ao entediante, não fosse uma vez mais Cavaco Silva a mostrar a sua debilidade institucional dizendo não estar surpreendido que “sejam muitos os que se mostram indignados com os prémios, salários e compensações que, segundo a comunicação social, são concedidos a gestores de empresas que beneficiam de situações vantajosas no mercado interno”.

Ora bem, o presidente da República não tem meios para esclarecer e clarificar quais são os bónus desses gestores? Deixa o ónus da afirmação na comunicação social ? Na posição dele, naquele momento, não pode citar uma afirmação da comunicação social desta natureza, sem se envolver no seu fundo: sem a caucionar nem a refutar.

E a propósito de posturas e mensagens, Aguiar Branco, confirmou que seria seguramente melhor líder do PSD do que Passos Coelho, mas isso é outra história.

No momento em que comemoramos tranquilamente o 25 de Abril e a transição para a democracia, consolidada e pacificada, a Espanha está de novo a ferro e fogo com a herança do franquismo. Em breves palavras, durante a transição democrática a Espanha decretou uma amnistia para os crimes do período quente e negro. Recentemente Baltazar Garzón entendeu que, à luz do direito internacional, esses crimes não prescrevem nem podem ser amnistiados e abriu processos. A direita espanhola que o odeia pelo caso Gurtell, que ainda não parou de causar cacos em altos círculos do PP, entende que ele está errado e à luz do direito espanhol abre-lhe um processo que o poderá suspender até à reforma...

Que se passa nesse país que não consegue olhar fria e racionalmente para um passado duas gerações atrás, sem desatar aos berros? Há mesmo duas Espanhas irreconciliáveis?

Se o direito espanhol se sobrepõe ao internacional, porquê apenas em Espanha? Para que serve então o Tribunal Penal Internacional de Haia? Que pensará, por exemplo, o presidente do Sudão, Omar Al-Bashir que recebeu, justamente é certo, um mandato de captura desse tribunal pelos crimes que cometeu no seu país? Só para o terceiro mundo é que existe aplicação da "justiça internacional" ?

Seria engraçado se Baltazar Garzón fosse interditado em Espanha e reabrisse os processos em Haia...

23 abril 2010

Pedimos...

Pedimos desculpa por esta interrupção. O Glosa Crua segue dentro de momentos...!

01 abril 2010

Compulsos (11)

Começou em

Bem-vindos! Bem-vindos a este círculo dos compulsivos. Todos temos pulsões e compulsões, apenas a sua natureza e ponderação muda. Se as misturarmos e distribuímos na boa medida, seremos todos normais.

Se o objectivo era misturar e confundir, os efeitos começavam a aparecer. Ele já não conseguia imaginar claramente a Joana. Não que a esquecesse. Somente, ao pensar nela, por vezes, sobrepunha-se a imagem da mulher do traço e ao pensar na mulher do traço punha coisas nela que eram da Joana. Ambas eram mulheres, mulheres mesmo, que não precisavam de o dizer ou esclarecer, mas pouco mais tinham em comum. Misturá-las assim era demência ou, no mínimo, falta de respeito.

Ela tinha aprendido algo. Que no passado, quando riscava, fosse para se renovar, para interrogar, ou o que quer que fosse, tinha sempre a imagem do João sobre o seu ombro. Como se ele lá estivesse espreitando, omnipresente em toda a sua actividade. E é muito complicado viver com um ausente omnipresente! Agora era diferente. Ao desenhar encontrava-se muitas vezes realmente sozinha, de ela para ela. Como se, nesses momentos e apenas nesses momentos, tivesse feito o luto. Não sabia se o queria mesmo, o luto crónico pode servir de âncora contra derivas incontroláveis.

O círculo não andava bem. Tinham esgotado a apresentação das suas compulsões e sobre os outros dois ausentes nada mais conseguiam comentar. O moderador hesitava entre decretar o objectivo atingido e encerrar o grupo em sucesso ou prolongá-lo em simples tertúlia. Tudo dependia de qual seria a forma mais simples de manter a actividade. Resolveu arriscar. Apesar de poder ter que passar algum tempo antes de formar novo grupo, achou que o fulgurante sucesso teria mais impacto ao declará-lo de imediato do que se esperasse o respectivo definhar.

O seu anúncio não foi bem recebido. Todos tinham noção de que já nada de especial se passava mas não queriam desarmar. Pediram-lhe então para chamar de novo os outros dois. Ao fim e ao cabo é sempre necessário, em qualquer ambiente, existirem excepções que por antagonismo catalizem a solidariedade entre o resto. Chamemos-lhe bobos, exóticos ou simplesmente doidos. Funcionam como a pitada de tempero na salada social. Em demasia faz mal, se faltar fica insosso.
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28 março 2010

Gama dinâmica



Uma das maiores limitações que encontro na fotografia é a limitação da gama dinâmica. Ou seja, quando há uma cena com muita amplitude de iluminação e que a sensibilidade do filme/sensor não consegue abranger há que optar. Ou uma parte fica preta, não registando luz nenhuma, ou outra parte fica branca “queimada”, para lá do limite de saturação.

A tecnologia tenta melhorar essa resposta, intrinsecamente por aumento da gama de resposta do sensor, e por “truques e manipulações”. Os “truques” passam por tirar várias fotografias, com níveis de exposição diferentes, que depois são combinadas conseguindo definição em toda a imagem. Começou por ser feito em software externo e agora há algumas máquinas que já o fazem internamente como as Alpha 5xx. À partida a ideia pareceu-me muito interessante. Achei curioso que numa análise crítica com origem em Inglaterra se questionasse o campo de aplicação. Como lá não há grande sol, poderá ser por isso...!

Em busca de uma compacta “satisfatória” peguei numa Fuji F200 EXR que para lá de outras inovações trazia integrada a tal extensão da gama dinâmica. Das fotos acima, a da direita beneficia dessa facilidade. Efectivamente o escuro é menos escuro, vê-se melhor o que está na sombra, mas não gostei. De repente lembrei-me de uma história que me contaram há muitos anos. Um coro gravava para a televisão. E tinha registos altos e baixo, conforme a composição pedia. Só que os técnicos “corrigiram” para se ouvir melhor. Subiram o volume para as partes baixas e cortaram as altas. E a máquina estava a fazer o mesmo: a trazer tudo para a média, destruindo contrastes. Devolvi-a.

E lembrei de outras situações em que artificialmente se apagam os escuros e se evita a luz forte, ficando simplesmente “plano” (in english flat). Cada qual tem a gama dinâmica que tem, com limites seguramente, mas é melhor ir ao limite, por penoso que seja, do que filtrar a sensibilidade.

25 março 2010

Compulsos (10)

Começou em

Bem-vindos! Bem-vindos a este círculo dos compulsivos. Todos temos pulsões e compulsões, apenas a sua natureza e ponderação muda. Se as misturarmos e distribuímos na boa medida, seremos todos normais.
Convenceram o moderador a não deixar entrar mais a mulher do traço nem o homem da imaginação. O argumento foi que se não fosse assim, sairiam todos. Aritmeticamente o organizador verificou ser aquele universo várias vezes superior à dupla singela e declarou-se favorável à democracia.

Tinham estacionado próximos de novo, por azar ou por busca de sorte, e lá vieram lentamente juntos a conversar até ao círculo. Entre as bocas e orelhas era um tema irrelevante e banal, mas do outro lado a mão imaginária dele agarrava a dela e ela sentia no corpo um calor daquele de quem abraça e é abraçado com força.

O moderador esperava-os à porta para explicar que devido à ausência da sessão anterior, tinham entrado duas novas pessoas e o círculo estava completo. Que lamentava muito mas o funcionamento do mesmo dependia do rigor no número de participantes e não podia abrir excepções. Ficava com o contacto deles para quando abrisse novo círculo, caso estivessem interessados, é claro, não deveria tardar muito, eles teriam prioridade absoluta obviamente e blá, blá, blá...

Surpresos mas não demasiado incomodados foram tomar um café ali ao lado. Apresentaram-se mutuamente o seu bilhete de identidade. Não o da altura, peso e impressões digitais. Simplesmente o das etapas que tinham vencido: das opções, das rupturas, das estradas arriscadas, dos erros e das dúvidas. Enfim, todos essas coisas pelas quais sabemos o que somos.

Mesmo com a proximidade não sentiam as orelhas vermelhas. Lá dentro no círculo não se falava doutras coisa senão deles. Do que nós nos livramos! E lá se homogeneizavam a passos largos. Até combinaram uma grande jantarada para o fim de semana seguinte.
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24 março 2010

Máfia em Portugal

Ontem num apontamento na Antena 1 chamado “Conselho Superior”, com Ana Gomes como convidada, discutia-se a presença em Portugal da Máfia Italiana, na sequência de um livro publicado em Itália que referia actividades da dita cuja por cá. Comentava-se o assunto como se fosse uma grande e preocupante novidade. Eu penso que essa dita cuja e as suas traficâncias são como as moscas e a matéria mal cheirosa em que elas gostam de pousar: estão em todo o lado!

No final Ana Gomes referia que essa implantação era tão forte que já não se limitava às actividades ilegais e tradicionais mas que passava já por fachadas legais de camuflagem e branqueamento de dinheiro. Até aqui nada de novo também. Só que ao enumerar as formas como se podia apresentar essa presença “normal”, referiu restaurantes, lojas, pequeno comércio em geral, empresas de serviços, etc, etc e no fim, como quem não quer a coisa, rematou com “grupos de média” ! Ora bem se restaurantes e afins há muitos, grupos de média já nem tanto. Será que aquilo lhe saiu por acaso na rajada ou quis insinuar algo de concreto??

23 março 2010

A origem do drama

Não sei se haverá proporcionalmente mais padres pedófilos do que na população em geral, mas se o problema nasce apenas nas “hormonas” e na “fraqueza da carne” a provocarem a quebra do voto de castidade, porque é que esse desvio não acontece com um parceiro natural, uma mulher adulta, em vez de rapazes menores, tão condenável e repugnante sob todos os pontos de vista? Simplesmente por estarem mais acessíveis e ser mais facilmente disfarçável ?

Das duas uma: ou a pedofilia é excepção minoritária e a quebra de castidade também ocorre frequentemente com mulheres adultas e nesse caso por simples projecção a proporção de padres não castos será enorme, ou efectivamente a pedofilia é predominante no desvio e, neste caso, coloca-se a questão do porquê dessa preferência. Ambas as situações são embaraçosas para a igreja católica e cabe-lhe fazer o respectivo trabalho de casa de investigação, sem enterrar a cabeça na areia.

A castidade imposta na juventude não representará, em muitos casos, unicamente a simples privação do outro sexo, abrindo derivas para escapes homossexuais, com sequelas para a vida adulta? Um tema também merecedor de investigação séria: quais as práticas reais nos seminários neste capítulo.

Com o espírito e a força de S. Francisco de Assis haverá muito poucos e a igreja não se dignifica exigindo comportamentos que estão para lá da resistência de tantos dos seus membros. E, de novo, das duas uma: ou a igreja mantém as regras e castiga exemplarmente os seus elementos “podres” ou muda as regras. Compreensão e condescendência, e aqui recordo a posição do bispo do Funchal a propósito do padre Frederico, irão corromper a instituição no seu todo.

21 março 2010

Compulsos (9)

Começou em

Bem-vindos! Bem-vindos a este círculo dos compulsivos. Todos temos pulsões e compulsões, apenas a sua natureza e ponderação muda. Se as misturarmos e distribuímos na boa medida, seremos todos normais.
Naquele dia ele não foi ao círculo. Não estava completo. Uma parte dele tinha ido agarrada na mão da mulher do traço quando esta saiu a correr e ele não tinha arrumação mental suficiente para discernir. Até tinha alguma dificuldade em imaginar, estranhamente. Talvez fosse o círculo que tivesse começado a surtir efeito, mas não era claro se estava melhor ou pior. Imaginava menos compulsivamente, mas também lhe faltava uma parte dele, qualquer coisa se teria extraviado.

Ela também não foi. Uma parte do corpo dela tinha ficado abraçada ao homem da imaginação e ele não sabia bem se o queria ver de novo. Duas coisas podiam acontecer: ou essa parte dela tresmalhada voltava a si, regressando à normalidade ou não e aí ela ficaria verdadeiramente perturbada e não lhe apetecia nada sentir-se assim perturbada em público. Porque seguramente toda a gente, menos ele, é certo, ouviria e entenderia a discussão surda entre ela e a sua fracção desgarrada. E ela não queria, não queria isso. Entretanto riscava menos. Sentia a mão diferente, quase acariciada.

Por isso, nesse dia toda a gente falou deles. Achavam que as suas compulsões não eram boas. Está certo que ali no meio existiam algumas pouco recomendáveis, mas eram claras. Explicavam-se em dois tempos ou não se explicavam e pronto! Agora, aqueles dois eram muito confusos. Sempre com considerações de quem não sabe onde está ou o que quer. Não é que seja obrigatório sabê-lo, só que quando não se sabe, cala-se e não se inventa.

No final todos se sentiram melhor consigo próprios. Tinham-se solidarizado e identificado entre eles. Agora sim, eram uma espécie de grupo e ganharam abertura para criarem laços de cumplicidade, interessaram-se genuinamente pelos outros prontos a receberem um bocadinho de cada uma das outras pulsões em troca das suas. Andava cada qual com a sua caderneta de cromos a trocar repetidos e como uma certa ansiedade, buscando terminar a colecção antes que lá entrasse a monstruosidade de um cromo disforme daqueles outros dois, que lhes arruinaria o equilíbrio.
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18 março 2010

Vergonha, para alguém ...

É notícia o elevado número de médicos do serviço de nacional de saúde a pedirem reforma antecipada e o impacto que isso terá nos cuidados a prestar. Há falta de médicos no mercado de trabalho! Já cá temos espanhóis e fala-se agora em trazer cubanos e uruguaios. Não tenho nada contra. Apenas não consigo deixar de pensar nos milhares de portugueses que se quiseram formar em Medicina e não puderam.

Evidentemente que o problema de fundo não tenho dois meses nem um ano. Todos aqueles que ao longo destes últimos 20 anos, activa ou passivamente, limitaram o acesso à profissão de médico, criando esses milhares de frustrados e a carência actual deveriam, logicamente, sentir : vergonha !