No final do século XIX, muito enfraquecida após as derrotas
nas guerras do ópio, a China tinha cedido territórios e especialmente portos a várias
grandes potencias estrangeiras.
Para lá de pedaços de Xangai, Tianjin, a ilha Shamian (Cantão)
e a ilha Gulangyu (Xiamen), o que de certa forma faz o atual charme desses locais,
havia ainda os seguintes portos principais, numa lista não exaustiva.
Port Arthur (Dalian) para os russos, em frente, do outro
lado do golfo, Weihaiwei para os britânicos. Mais a sul Qingdao para os alemães,
não sendo coincidência que a principal cerveja produzida na China tenha esse
nome.
Quase no extremo sul do país, Zhanjiang para a França e não
muito longe Hong Kong para os britânicos. O único país que tentou lá colocar lança
e bandeira e falhou foi a Itália.
Alguns destes lugares tiveram mudança de senhorio ao longo do tempo, conforme
as guerras e respetivos vencedores, nomeadamente com as investidas do Japão e da
Rússia/URSS.
Após o final da II Guerra e com a proclamação da República
Popular da China, foram praticamente todos recuperados, com a exceção de Hong
Kong. Parece que pragmaticamente a China quis manter por ali uma janela com o
resto do mundo. Na altura precisava.
Macau foi também exceção, mas o seu estatuto e histórico eram
muito diferentes, desde a primeira hora.
Como uma boa parte dessas implantações e forçadas concessões
foi em 1898 que Hong Kong, na sua dimensão final, passou oficialmente para os
britânicos. Contrato por 99 anos, término previsto para 1997, tendo efetivamente
nessa data reintegrado a China. Garantia esta que asseguraria por 50 anos a manutenção dos
direitos e garantias específicos do território, segundo o muito propagandeado princípio
do "Um país, dois sistemas".
A China não cumpriu a sua palavra. Cada vez há mais controlo
e repressão, silenciando comunicação social, anulando partidos políticos e
prendendo gente que apenas pede direitos básicos e democracia. Tudo em prol das “boas”
causas da defesa da segurança nacional e contra conspirações para subverter o poder do
Estado.
Na fotografia Joshua Wong que acabou de ser condenado a 10
anos de prisão por essas famosas boas causas, incluindo “conluio com forças
estrangeiras”. Não é a primeira vez que é condenado por apenas pedir liberdade
e democracia. E é apenas um exemplo.
Na publicação anterior ironizava com o poder da China nos milhões
do futebol. Aqui é mais grave.

















