Em termos quantitativos, entre as trapalhadas de Luís Neves
e as operações Sócrates/Salgado, vai a distância de Harvard a um jardim escola.
No entanto a forma como o ministro tem sido defendido levanta algumas
interrogações.
Um pequeno exemplo. Ninguém é contra a aplicação do devido
castigo a marginais, incluindo o eventual confisco de património, mas é a PJ
que julga, condena e aplica a pena, confiscando discricionariamente bens e
equipamentos, depois requisitados para fins operacionais pouco explícitos? Isto
é compatível com um Estado de Direito?
Sócrates defendeu-se negando, ridicularizando-se e teve a
sua guarda pretoriana próxima e restrita, bem identificável quanto a motivações
e enquadramento. Rapidamente ninguém com imagem de intelectualmente honesto
teve a coragem de relativizar os fatos ou de fazer campanha mediática em defesa
do senhor.
Com Luís Neves há algo de especial. Muita gente que seria
considerada inteligente e equilibrada está a sair à rua, denodadamente a pôr
água na fervura, a reduzir a importância e dimensão dos factos. Para mim é um
mistério. Qual o enquadramento e a motivação desta milícia pretoriana difícil
de enquadrar?
Pode a dimensão puramente quantitativa em causa não ser enorme,
mas este ambiente de impunidade, arrogância e descarada tolerância é um
precursor de um mal muito maior que merece ser identificado e desmascarado.

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