05 setembro 2026

As guardas pretorianas

Em termos quantitativos, entre as trapalhadas de Luís Neves e as operações Sócrates/Salgado, vai a distância de Harvard a um jardim escola. No entanto a forma como o ministro tem sido defendido levanta algumas interrogações.

Um pequeno exemplo. Ninguém é contra a aplicação do devido castigo a marginais, incluindo o eventual confisco de património, mas é a PJ que julga, condena e aplica a pena, confiscando discricionariamente bens e equipamentos, depois requisitados para fins operacionais pouco explícitos? Isto é compatível com um Estado de Direito?

Sócrates defendeu-se negando, ridicularizando-se e teve a sua guarda pretoriana próxima e restrita, bem identificável quanto a motivações e enquadramento. Rapidamente ninguém com imagem de intelectualmente honesto teve a coragem de relativizar os fatos ou de fazer campanha mediática em defesa do senhor.

Com Luís Neves há algo de especial. Muita gente que seria considerada inteligente e equilibrada está a sair à rua, denodadamente a pôr água na fervura, a reduzir a importância e dimensão dos factos. Para mim é um mistério. Qual o enquadramento e a motivação desta milícia pretoriana difícil de enquadrar?

Pode a dimensão puramente quantitativa em causa não ser enorme, mas este ambiente de impunidade, arrogância e descarada tolerância é um precursor de um mal muito maior que merece ser identificado e desmascarado.

 

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