Sou contra todo o tipo de falta de respeito e uma falta de respeito não justifica outra. No entanto, quando o Primeiro-Ministro vem publica e oficialmente manifestar repúdio contra a acção da qual foi vítima Miguel Relvas, esquece uma coisa: o facto de este ser e continuar a ser ministro é uma grave falta de respeito para com os portugueses. Num país em que houvesse um pingo de respeito pelos cidadãos, há muito que, por um décimo dos factos em causa, esse individuo teria desaparecido do Governo. E, Sr. Primeiro-Ministro, a primeira coisa a fazer antes de pedir respeito é respeitar.
Glosa (do grego “glossa” – língua): Interpretação de um texto obscuro; anotação; comentário à margem // Crua: Que está por cozer, curtir, corar; no estado natural; que não está maduro
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24 fevereiro 2013
23 janeiro 2013
Ignorar ou destestar?
Não sou muito adepto de sentimentos fortes negativos como odiar ou detestar. Desgastam e não acrescentam nada. O que não presta e não nos afecta deve ser simplesmente ignorado; contra aquilo que nos pode prejudicar efectivamente, devemos argumentar e actuar com discernimento, pragmatismo e firmeza.
Vem isto a propósito da visão dos “nossos irmãos” sobre o nosso país. Dentro da empresa estrangeira que “folheio” electronicamente com alguma regularidade está o El País, e uma coisa é certa: notícias de destaque sobre Portugal apenas as negativas ou caricatas. Ainda esta semana apareceu bem destacada na página principal a história do tal falso perito da ONU, com direito a foto e tudo. Não se pode dizer que seja muito actual, já passou um mês, mas entenderam que o ridículo merecia sempre divulgação em forma.
Hoje Portugal “regressou aos mercados”, tentando colar-se à Irlanda e ensaiando uma saída da tutela financeira externa. É um assunto sem dúvida de interesse e com forte correlação com a situação espanhola, que nos fundamentos não é tão diferente da nossa como eles gostariam. Não é notícia na página principal. Intrigado lancei uma pesquisa para averiguar se eles teriam realmente ignorado o tema. Encontrei-o algures numa página de economia. A ilustrar a noticia uma fotografia de 2 moedas de 1 euro: uma portuguesa e a outra não era irlandesa nem espanhola, mas sim …. grega! Que lata!
Vem isto a propósito da visão dos “nossos irmãos” sobre o nosso país. Dentro da empresa estrangeira que “folheio” electronicamente com alguma regularidade está o El País, e uma coisa é certa: notícias de destaque sobre Portugal apenas as negativas ou caricatas. Ainda esta semana apareceu bem destacada na página principal a história do tal falso perito da ONU, com direito a foto e tudo. Não se pode dizer que seja muito actual, já passou um mês, mas entenderam que o ridículo merecia sempre divulgação em forma.
Hoje Portugal “regressou aos mercados”, tentando colar-se à Irlanda e ensaiando uma saída da tutela financeira externa. É um assunto sem dúvida de interesse e com forte correlação com a situação espanhola, que nos fundamentos não é tão diferente da nossa como eles gostariam. Não é notícia na página principal. Intrigado lancei uma pesquisa para averiguar se eles teriam realmente ignorado o tema. Encontrei-o algures numa página de economia. A ilustrar a noticia uma fotografia de 2 moedas de 1 euro: uma portuguesa e a outra não era irlandesa nem espanhola, mas sim …. grega! Que lata!
11 dezembro 2012
O homem das botas
Que
não é doutor, já sabíamos, que não parece ser ministro também é um facto. Ouvi-o
na televisão comentando que António Costa não tem a reeleição garantida, que
terá que gastar muita sola em campanha e aconselha-o a verificar urgentemente o
estado das mesmas. Sinceramente… nem a um treinador de futebol fica bem esta
cantiga, quanto mais a um ministro!
A seguir ouço o anúncio de mais outro “modelo” de privatização da RTP e que, parece, será de vender 49% e entregar a gestão ao investidor privado. Se me permitem, quando alguém guarda 51% é para manter o controlo. Antigamente o Estado tinha as “golden shares” em que tinha mais poder do que a participação no capital. Agora terá uma dummy ?? share em que com a maioria do capital deixa de gerir. Depois de ter ouvido tantos anúncios de tantos modelos, um canal, ou o outro, a concessão e privatização parcial… não há dúvida que o homem sabe do que fala, muita sola deve ter gasto em tantas andanças. E, ainda por cima, esta última versão das misturas público-privadas é uma coisa da qual a gente aprendeu a desconfiar.
A seguir ouço o anúncio de mais outro “modelo” de privatização da RTP e que, parece, será de vender 49% e entregar a gestão ao investidor privado. Se me permitem, quando alguém guarda 51% é para manter o controlo. Antigamente o Estado tinha as “golden shares” em que tinha mais poder do que a participação no capital. Agora terá uma dummy ?? share em que com a maioria do capital deixa de gerir. Depois de ter ouvido tantos anúncios de tantos modelos, um canal, ou o outro, a concessão e privatização parcial… não há dúvida que o homem sabe do que fala, muita sola deve ter gasto em tantas andanças. E, ainda por cima, esta última versão das misturas público-privadas é uma coisa da qual a gente aprendeu a desconfiar.
07 novembro 2012
Estamos em perigo !
Vejo no telejornal a história do jornalista que foi preso nos Açores por, depois de ter insultado e de ter tentado agredir Miguel Relvas. Aparentemente, a versão do jornalista é diferente: não foram insultos, foi uma provocação em brincadeira e apenas estava a passar no corredor do quarto de hotel do ministro quando foi duramente abordado pelos seguranças.
Se calhar a verdade não está completamente em nenhum desses dois lado, mas ao ver a figura laroca do So Dotor Ministro, fico preocupado. Qualquer pessoa de bem ao ver aquele Sotor, com aquele (so)risinho parvo à sua frente, corre o sério risco de “mandar uma boca”, que seja interpretada como um insulto, e lá vamos dentro.
Da parte que me toca, garanto que me sinto mesmo em perigo. Espero bem não me cruzar com este senhor. Não pode, não pode, não pode ser ministro ! Haja decoro.
Se calhar a verdade não está completamente em nenhum desses dois lado, mas ao ver a figura laroca do So Dotor Ministro, fico preocupado. Qualquer pessoa de bem ao ver aquele Sotor, com aquele (so)risinho parvo à sua frente, corre o sério risco de “mandar uma boca”, que seja interpretada como um insulto, e lá vamos dentro.
Da parte que me toca, garanto que me sinto mesmo em perigo. Espero bem não me cruzar com este senhor. Não pode, não pode, não pode ser ministro ! Haja decoro.
05 outubro 2012
Falta de imaginação e o “I” mais à mão
Depois da mui sapiente e imaginativa proposta de transferência da TSU, a recente comunicação de Vitor Gaspar foi de uma falta de ideias atroz. E é importante chamar as coisas pelo nome: não foi anunciado um programa de austeridade, porque não há real redução de despesa estrutural do estado. Um governo sem ideias e sem coragem continua a sacar onde é mais fácil, sacar a funcionários, pensionistas e contribuintes e vamos ao “I” mais à mão: neste caso ao IRS.
Se a consolidação orçamental é necessária e isso exige sacrifício, tem que haver limites. Quando acaba o saque? Quando formos todos “ricos” e a taxa média do IRS chegar aos 80%? Recuperar os roubos ao contribuinte – e realço a palavra roubo – com BPN’s e PPP’s fica pela declaração de intenções. Taxar as transacções financeiras pode ser possível. Sobre o fundamental que é o corte sério nos gastos supérfluos do Estado, irão reflectir. Espero que pensem e implementem com sucesso antes do contribuinte honesto ficar em pele e osso. Pelo exemplo recente das fundações, as expectativas são baixas. Dizem apenas que vamos pagar mais, muito mais, sem detalharem, quanto, quando e como. É como se o Governo fosse dono e senhor do nosso livro de cheques, previamente assinado em branco.
Se calhar, no fundo, o problema não é falta de imaginação é mesmo falta de capacidade. Se pensarmos no curriculum destes profissionais da política não é de estranhar. Precisamos mesmo de quem saiba governar, mas esses não estão nos partidos que é de onde saem ministros e secretários de Estados.
Se a consolidação orçamental é necessária e isso exige sacrifício, tem que haver limites. Quando acaba o saque? Quando formos todos “ricos” e a taxa média do IRS chegar aos 80%? Recuperar os roubos ao contribuinte – e realço a palavra roubo – com BPN’s e PPP’s fica pela declaração de intenções. Taxar as transacções financeiras pode ser possível. Sobre o fundamental que é o corte sério nos gastos supérfluos do Estado, irão reflectir. Espero que pensem e implementem com sucesso antes do contribuinte honesto ficar em pele e osso. Pelo exemplo recente das fundações, as expectativas são baixas. Dizem apenas que vamos pagar mais, muito mais, sem detalharem, quanto, quando e como. É como se o Governo fosse dono e senhor do nosso livro de cheques, previamente assinado em branco.
Se calhar, no fundo, o problema não é falta de imaginação é mesmo falta de capacidade. Se pensarmos no curriculum destes profissionais da política não é de estranhar. Precisamos mesmo de quem saiba governar, mas esses não estão nos partidos que é de onde saem ministros e secretários de Estados.
27 setembro 2012
O dia da mudança
Há um princípio básico num processo de mudança de que quando se anuncia formalmente algo não se pode recuar no dia seguinte. É necessário previamente auscultar sensibilidades, confirmar viabilidade e quando se oficializa é para ficar. A partir da altura em que há um recuo, fica como precedente e a reacção à mudança torna-se mais forte, procurará rentabilizar o precedente e descredibilizar o processo no seu todo.
Vem isto a propósito do inevitável recuo do governo quando à transferência da TSU das entidades patronais para os trabalhadores que, nunca é demais realçar, não era fundamentalmente uma medida de redução de défice. Era uma experiência que alguns teóricos externos ou internos acharam curioso implementar e que com uma assustadora ligeireza foi decidida e anunciada.
O recuo era necessário mas deixa uma mancha, o tal precedente, e a imagem de que não se estava/não se estará a fazer as coisas bem. Se até agora, por muito penoso que fosse, ainda havia alguma sensação de que era um remédio amargo mas necessário, agora é diferente. Ninguém olha para estes anúncios de mais do mesmo, mais IRS, mais isto, menos aquilo, sem se interrogar: mas estes tipos sabem mesmo o que é que andam a fazer?!?
Este pessoal que nos governa, que nunca trabalhou duramente, alguns que nem sequer estudaram seriamente, tem competência para gerir o país e para definir e implementar uma Política de desenvolvimento? Se têm, não parece...E o pior não é a crise de hoje, o pior é que não se vê nada de nada que permita pensar que daqui a uns anos estará melhor, pelo contrário. Por exemplo: investimento estrangeiro, quem pensará instalar-se cá, com esta volatilidade fiscal?
Vem isto a propósito do inevitável recuo do governo quando à transferência da TSU das entidades patronais para os trabalhadores que, nunca é demais realçar, não era fundamentalmente uma medida de redução de défice. Era uma experiência que alguns teóricos externos ou internos acharam curioso implementar e que com uma assustadora ligeireza foi decidida e anunciada.
O recuo era necessário mas deixa uma mancha, o tal precedente, e a imagem de que não se estava/não se estará a fazer as coisas bem. Se até agora, por muito penoso que fosse, ainda havia alguma sensação de que era um remédio amargo mas necessário, agora é diferente. Ninguém olha para estes anúncios de mais do mesmo, mais IRS, mais isto, menos aquilo, sem se interrogar: mas estes tipos sabem mesmo o que é que andam a fazer?!?
Este pessoal que nos governa, que nunca trabalhou duramente, alguns que nem sequer estudaram seriamente, tem competência para gerir o país e para definir e implementar uma Política de desenvolvimento? Se têm, não parece...E o pior não é a crise de hoje, o pior é que não se vê nada de nada que permita pensar que daqui a uns anos estará melhor, pelo contrário. Por exemplo: investimento estrangeiro, quem pensará instalar-se cá, com esta volatilidade fiscal?
20 setembro 2012
Velhos tempos
Qual a percentagem de utilizadores de Excel ou Word que utilizam realmente estas ferramentas de forma minimamente correcta? Não me refiro aquelas coisas fantásticas de ir buscar referencias aqui, ligar para acolá e por aí fora. Também não me refiro a coisas óbvias de utilização como, por exemplo, ter numa folha de cálculo cada parâmetro numa célula isolada e única, não escondido dentro de várias fórmulas espalhadas pela folha.
Refiro-me simplesmente a utilizar e a tirar partido das ferramentas estruturantes do documento. Estão garantidas coisas simples como fazer um índice automaticamente, reformatar um parágrafo e ser aplicado a uma família completa, inserir um parágrafo e renumerar automaticamente todo o documento?
Recordo-mo de há muitos anos um Word velhinho trazer um “tutorial” que corri em poucas horas e que me fez quase um craque, ficando em estado de choque quando alguém me pegava num documento e mo devolvia com a estrutura corrompida. Depois, deixei de ter necessidade de produzir documentos complexos e para mim passou a ser um mistério qual a regra que definia a formatação de um parágrafo resultante da fusão de dois diferentes. Fui resolvendo esses problemas com a escola do técnico da televisão antiga: duas pancadas de lado e uma por cima, as vezes necessárias até a imagem ficar certa.
Hoje tive um trauma. Queria apenas colocar num rodapé “página n / t” – sendo “n” o nr actual, e “t” o nr total. Este Word tem potencialidades fantásticas: tinha formatos de rodapés a não acabar mais em formato e em cor, mas em nenhum aparecia o meu “t”. Serei eu o raro? Não é frequente indicar o número total de páginas do documento? Na falta do tal “tutorial” fantástico chamei o “help” e… gritei por socorro! Aquela coisa em vez de me abrir um ambiente uniforme estruturado, que a Microsoft deveria ter tido a decência de preparar, saltava para a net e dou por mim num daqueles fóruns em que se colocam perguntas idiotas seguidas de várias respostas/palpites e patetices que cada qual livremente cuspia lá para dentro.
Pragmaticamente confesso que encontrei a resposta mas se isto é “profissional”, por favor!! Ou serei eu o raro…?!
Refiro-me simplesmente a utilizar e a tirar partido das ferramentas estruturantes do documento. Estão garantidas coisas simples como fazer um índice automaticamente, reformatar um parágrafo e ser aplicado a uma família completa, inserir um parágrafo e renumerar automaticamente todo o documento?
Recordo-mo de há muitos anos um Word velhinho trazer um “tutorial” que corri em poucas horas e que me fez quase um craque, ficando em estado de choque quando alguém me pegava num documento e mo devolvia com a estrutura corrompida. Depois, deixei de ter necessidade de produzir documentos complexos e para mim passou a ser um mistério qual a regra que definia a formatação de um parágrafo resultante da fusão de dois diferentes. Fui resolvendo esses problemas com a escola do técnico da televisão antiga: duas pancadas de lado e uma por cima, as vezes necessárias até a imagem ficar certa.
Hoje tive um trauma. Queria apenas colocar num rodapé “página n / t” – sendo “n” o nr actual, e “t” o nr total. Este Word tem potencialidades fantásticas: tinha formatos de rodapés a não acabar mais em formato e em cor, mas em nenhum aparecia o meu “t”. Serei eu o raro? Não é frequente indicar o número total de páginas do documento? Na falta do tal “tutorial” fantástico chamei o “help” e… gritei por socorro! Aquela coisa em vez de me abrir um ambiente uniforme estruturado, que a Microsoft deveria ter tido a decência de preparar, saltava para a net e dou por mim num daqueles fóruns em que se colocam perguntas idiotas seguidas de várias respostas/palpites e patetices que cada qual livremente cuspia lá para dentro.
Pragmaticamente confesso que encontrei a resposta mas se isto é “profissional”, por favor!! Ou serei eu o raro…?!
04 setembro 2012
De Matamouros a enérgico jardineiro
O culto de Santiago está muito associado à Reconquista Cristã e tem uma função motivadora bélica bem evidente na designação de Matamouros e na cruz transfigurada em espada. Na Catedral de Santiago de Compostela há uma estátua do dito a cavalo, com a dita cruz/espada em riste, fazendo jus ao cognome e dizimando alguns infiéis que caem a seus pés sem piedade.
Ora bem, hoje a estátua já não se lê assim. Agora apenas se vê o santo a cavalo e a sua espada investe violentamente mas contra umas pobres flores que escondem os sarracenos aos pés do cavalo. Questão de não ferir susceptibilidades? Por favor, haja respeito pela história e maioridade para lidar com ela, seja polémica ou não, “errada ou certa”.
Recordo-me de uma vez, ao circular na rotunda da Boavista com dois franceses, estes me questionarem sobre o significado do leão a dominar a águia lá no alto da coluna. Tive algum embaraço pelo politicamente incorrecto de ter que lhes explicar que aquele monumento glorificava a derrota e a humilhação do seu país. Comecei com um contexto histórico e apelando a uma certa compreensão. Eles interromperam-me prontamente para dizer com descontracção: “Não se preocupe! Nós somos bretões!!” .
Como nem todos os franceses são bretões, na dúvida é melhor retirar todas as referencias às derrotas napoleónicas, não vá o Sr Hollande zangar-se, idem para a nossa participação na Grande Guerra, pouco gloriosa é certo, mas não vá a Sra Merkel embirrar... e por ai fora!
Ora bem, hoje a estátua já não se lê assim. Agora apenas se vê o santo a cavalo e a sua espada investe violentamente mas contra umas pobres flores que escondem os sarracenos aos pés do cavalo. Questão de não ferir susceptibilidades? Por favor, haja respeito pela história e maioridade para lidar com ela, seja polémica ou não, “errada ou certa”.
Recordo-me de uma vez, ao circular na rotunda da Boavista com dois franceses, estes me questionarem sobre o significado do leão a dominar a águia lá no alto da coluna. Tive algum embaraço pelo politicamente incorrecto de ter que lhes explicar que aquele monumento glorificava a derrota e a humilhação do seu país. Comecei com um contexto histórico e apelando a uma certa compreensão. Eles interromperam-me prontamente para dizer com descontracção: “Não se preocupe! Nós somos bretões!!” .
Como nem todos os franceses são bretões, na dúvida é melhor retirar todas as referencias às derrotas napoleónicas, não vá o Sr Hollande zangar-se, idem para a nossa participação na Grande Guerra, pouco gloriosa é certo, mas não vá a Sra Merkel embirrar... e por ai fora!
26 agosto 2012
Não importa se são ou não arte
Os graffiti são certamente uma forma de expressão. Se artística ou não será discutível, sobretudo nalguns casos, mas isso não altera em nada o facto de serem aceitáveis ou não. Não o são. Ninguém tem o direito de intervir no que não é seu. Não posso ir a casa do meu vizinho arrancar-lhe as roseiras e plantar lá batatas, só porque a minha forma de expressão é semear batatais em todo o lado.
Tenho alguma curiosidade em saber qual seria a reacção daqueles que contemporizam, toleram e até conseguem justificar os graffiti se um dia vissem o seu automóvel decorado com uns profusos tags, vidros incluídos. Será que considerariam que o seu carro faria parte de uma nova estética urbana e até se sentiriam uns privilegiados por passarem a deslocar-me num objecto artístico, diferente de todos os outros automóveis banais; ou será que soltariam uma meia dúzia de palavrões seguidos de “isto não pode ser!!!”
Tenho alguma curiosidade em saber qual seria a reacção daqueles que contemporizam, toleram e até conseguem justificar os graffiti se um dia vissem o seu automóvel decorado com uns profusos tags, vidros incluídos. Será que considerariam que o seu carro faria parte de uma nova estética urbana e até se sentiriam uns privilegiados por passarem a deslocar-me num objecto artístico, diferente de todos os outros automóveis banais; ou será que soltariam uma meia dúzia de palavrões seguidos de “isto não pode ser!!!”
23 julho 2012
Um amor não correspondido
O senhor que aparece nesta foto de 2004, todo contentinho a sorrir para a objectiva, deliciado por se apanhado em tão distinta companhia teria certamente uma grande paixão pela comunicação social. E tão grande, que até esquece que está numa missa, neste caso em memória de Sá Carneiro, e aquela expressão sorridente e quase cúmplice, não sendo certamente ilegal, não é nada apropriada à circunstância. Por isso não é de estranhar que ele fique bravo quando a comunicação social não lhe corresponde à paixão ou o apanhe em pose menos fotogénica. Os amores não correspondidos são danados, até podem cegar!
15 julho 2012
Hás-de ser Ministro !
E cito do Público:
Duarte Marques, líder da JSD, pediu explicações a Mariano Gago, ex-ministro socialista da Ciência e Educação, sobre a licenciatura na universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias em Ciências Políticas e Relações Internacionais de Miguel Relvas.
Em declarações à TSF, Marques acentuou que é “preciso pedir explicações a quem aprovou esta lei [de equivalências], na altura o ministro Mariano Gago, o ministro mais tempo em funções no nosso país”.
Não vale a pena comentar sequer: está perfeitamente alinhado com os seus antecessores e há-de ser Ministro!!
15 janeiro 2009
Será da idade?
Diz-se que com o avançar dos anos ficamos mais rezingões e com menos pachorra para aturar contra-tempos. Não sei se isso será mesmo assim; pelo menos os grupos de turistas reformados que por aí circulem demonstram muitas vezes um nível de paciência assinalável…
Esta semana vim à Argélia, na minha visita mensal. Como não tinha a agenda estabilizada e a famosa crise diminuiu a frequência dos voos por Espanha, resolvi vir via Paris, que ainda tem voos diários.
Detesto o aeroporto de Charles de Gaulle. Visualmente muito frio e desconfortável. O velhinho e decrépito Orly é mais humano e simpático. O voo da ex-Portugália chega ao terminal 1, que, apesar de umas pinturas novas, parece tirado de um filme barato de ficção científica dos anos 60. Não sei bem como são, mas associo-os a decorações assim "futuristas passadas", com tapetes rolantes a subirem, a descerem e a cruzarem-se no espaço, cada qual bem envolvido pelo seu tubo plástico.
No meio da ligação deveria existir um almoço. Como os controlos de segurança em Paris tendem a serem desesperantemente longos, achei melhor almoçar depois de entrar e depois de me informar de que “sim, lá dentro há restaurantes”. No dito controlo de segurança: sapatos fora, cinto fora! Mas o meu cinto não toca! Tire na mesma, pode ter algo escondido. Ora bem se posso ter algo escondido no cinto não detectado no pórtico, mais depressa o esconderia numa costura das calças, dado ainda não termos chegado à fase de passar em cuecas.
Depois de repor o cinto, o casaco os sapatos e tudo, lá vou à procura dos restaurantes. Duas coisas meio self-service, meio bar, sendo necessário lutar para não comer de pé. Por uns módicos 12 euros pode-se ter um prato quente a partir de um tabuleiro plástico que se coloca num microondas, depois de furar a película de cobertura, depois de partir o garfo plástico na manobra e depois de esperar 10 minutos que o cliente anterior acabasse de aquecer os seus.
O famoso Dilbert dizia numa das suas famosas e esclarecidas irónicas reflexões que somos muitos cuidadosos a tratar do nosso automóvel, apenas usando lubrificantes e combustíveis 100% como deve ser, enquanto que para o estômago enfiamos qualquer porcaria desde que minimamente energética e digestível. Pois… acreditamos mais na resistência do nosso organismo que ainda tem muitos órgãos importantes não substituíveis nem recicláveis do que na do automóvel. Questão de bom senso, de prioridade ou de insanidade?
Esta semana vim à Argélia, na minha visita mensal. Como não tinha a agenda estabilizada e a famosa crise diminuiu a frequência dos voos por Espanha, resolvi vir via Paris, que ainda tem voos diários.
Detesto o aeroporto de Charles de Gaulle. Visualmente muito frio e desconfortável. O velhinho e decrépito Orly é mais humano e simpático. O voo da ex-Portugália chega ao terminal 1, que, apesar de umas pinturas novas, parece tirado de um filme barato de ficção científica dos anos 60. Não sei bem como são, mas associo-os a decorações assim "futuristas passadas", com tapetes rolantes a subirem, a descerem e a cruzarem-se no espaço, cada qual bem envolvido pelo seu tubo plástico.
No meio da ligação deveria existir um almoço. Como os controlos de segurança em Paris tendem a serem desesperantemente longos, achei melhor almoçar depois de entrar e depois de me informar de que “sim, lá dentro há restaurantes”. No dito controlo de segurança: sapatos fora, cinto fora! Mas o meu cinto não toca! Tire na mesma, pode ter algo escondido. Ora bem se posso ter algo escondido no cinto não detectado no pórtico, mais depressa o esconderia numa costura das calças, dado ainda não termos chegado à fase de passar em cuecas.
Depois de repor o cinto, o casaco os sapatos e tudo, lá vou à procura dos restaurantes. Duas coisas meio self-service, meio bar, sendo necessário lutar para não comer de pé. Por uns módicos 12 euros pode-se ter um prato quente a partir de um tabuleiro plástico que se coloca num microondas, depois de furar a película de cobertura, depois de partir o garfo plástico na manobra e depois de esperar 10 minutos que o cliente anterior acabasse de aquecer os seus.
O famoso Dilbert dizia numa das suas famosas e esclarecidas irónicas reflexões que somos muitos cuidadosos a tratar do nosso automóvel, apenas usando lubrificantes e combustíveis 100% como deve ser, enquanto que para o estômago enfiamos qualquer porcaria desde que minimamente energética e digestível. Pois… acreditamos mais na resistência do nosso organismo que ainda tem muitos órgãos importantes não substituíveis nem recicláveis do que na do automóvel. Questão de bom senso, de prioridade ou de insanidade?
15 março 2008
Venha o Rei ?

Um destes dias apanhei o “Prós e Contras” a discutir Monarquia versus República. O país deve estar num estado muito melhor do que parece, para tal tema merecer tal destaque...
Não vi o programa todo, até porque rapidamente a argumentação se esgota, mas fiquei surpreendido como é possível, afinal, haver tanta gente com cabeça em cima dos ombros a defender uma coroa em cima de uma cabeça!
Só o facto de, quase de entrada, Paulo Teixeira Pinto ter apontado o exemplo de Cuba como um “contra” das repúblicas já indicou muito sobre a profundidade das bases da sua argumentação.
Fala-se muito do caso de Espanha. A Monarquia ressurgiu em Espanha num momento muito particular e delicado e teve efectivamente um contributo importante para a estabilização do país. Não é o caso de Portugal, nem é minimamente provável que um dia venhamos a estar em situação idêntica. Veremos também como ficará a popularidade da casa real espanhola quando Juan Carlos ceder o lugar a Filipe (e Letícia...).
Espremendo e espremendo não consigo encontrar uma boa razão para pensar que Portugal ficaria a ganhar algo em ter um chefe de estado da linha da casa de Bragança em vez de um democraticamente eleito. Só encontro três cenários para a defesa dessa causa. O primeiro, é o efeito de tutela. O povo é menor e sente-se mais seguro se tiver um “paizinho” estável, de “pedigree” garantido, e não ter a chatice de cada quatro anos eleger alguém, que até pode ser um qualquer deles. O segundo é, como já ouvi dizer não sei onde, que esteticamente a Monarquia é muito superior à República. Ou seja, as cerimónias que metem reis, rainhas, príncipes e princesas são muito mais imponentes e vistosas. Sim senhor, é válido para quem considerar que a chefia de Estado se situa num plano teatral ou, mais ajustado ainda, de folhetim.
Não vi o programa todo, até porque rapidamente a argumentação se esgota, mas fiquei surpreendido como é possível, afinal, haver tanta gente com cabeça em cima dos ombros a defender uma coroa em cima de uma cabeça!
Só o facto de, quase de entrada, Paulo Teixeira Pinto ter apontado o exemplo de Cuba como um “contra” das repúblicas já indicou muito sobre a profundidade das bases da sua argumentação.
Fala-se muito do caso de Espanha. A Monarquia ressurgiu em Espanha num momento muito particular e delicado e teve efectivamente um contributo importante para a estabilização do país. Não é o caso de Portugal, nem é minimamente provável que um dia venhamos a estar em situação idêntica. Veremos também como ficará a popularidade da casa real espanhola quando Juan Carlos ceder o lugar a Filipe (e Letícia...).
Espremendo e espremendo não consigo encontrar uma boa razão para pensar que Portugal ficaria a ganhar algo em ter um chefe de estado da linha da casa de Bragança em vez de um democraticamente eleito. Só encontro três cenários para a defesa dessa causa. O primeiro, é o efeito de tutela. O povo é menor e sente-se mais seguro se tiver um “paizinho” estável, de “pedigree” garantido, e não ter a chatice de cada quatro anos eleger alguém, que até pode ser um qualquer deles. O segundo é, como já ouvi dizer não sei onde, que esteticamente a Monarquia é muito superior à República. Ou seja, as cerimónias que metem reis, rainhas, príncipes e princesas são muito mais imponentes e vistosas. Sim senhor, é válido para quem considerar que a chefia de Estado se situa num plano teatral ou, mais ajustado ainda, de folhetim.
Por último, e aí deverão estar enquadrados a maior parte dos senhores que foram à televisão, é uma questão de casta. É ver e defender um modelo de sociedade em que as elites não se definem pelo mérito mas sim pelo berço. È nesta linha que entra o argumento de que o rei é “apolítico”, isento das malévolas influências dos aparelhos partidários, estando por isso num nível superior ao dos plebeus que se sujeitam a eleições.
Sobre o desempenho histórico da monarquia em Portugal, há uma pergunta directa e fatal: Que rei tivemos depois de D. João II digno desse nome? Que indiquem um só! Durante toda a quarta dinastia, destaco um, D. José que, de tão nulo, permitiu que na prática tivesse governado, bem ou mal mas governado a sério, o Marquês do Pombal.
Cereja em cima do bolo, acham que a figura da fotografia representaria melhor Portugal do que os presidentes eleitos que tivemos???
Sobre o desempenho histórico da monarquia em Portugal, há uma pergunta directa e fatal: Que rei tivemos depois de D. João II digno desse nome? Que indiquem um só! Durante toda a quarta dinastia, destaco um, D. José que, de tão nulo, permitiu que na prática tivesse governado, bem ou mal mas governado a sério, o Marquês do Pombal.
Cereja em cima do bolo, acham que a figura da fotografia representaria melhor Portugal do que os presidentes eleitos que tivemos???
24 fevereiro 2008
O preço até era bom...
Ouvi ser referida mais do que uma vez no universo das PME familiares a imagem do “ o tipo não paga, mas, em compensação, o preço que lhe facturei foi bem alto!”. Para um “dono” de empresa sensível a que tão importante como ter um belo resultado de exploração, boas margens, é ter o dinheiro recebido no seu bolso esta anedota diz muito.
Os bancos, nomeadamente americanos, resolveram vender empréstimos a quem tinha dificuldades em pagá-los... a muito bom preço. Um pouco de acordo com o princípio do “quem arrisca, não petisca”. São os “subprime”, ou seja, não há prémio para quem contrata, mas sim um preço forte. E lá foram petiscando entretidos. Quer dizer, acreditando que petiscavam, porque o resultado real desses contratos só poderia ser avaliado no fim, quando o empréstimo fosse completamente reembolsado ao tal preço forte...
Esse excelente negócio cresceu, cresceu, mas com uma alteração do ciclo económico, e toda a gente sabe que a economia tem ciclos, aconteceu o previsível. Esses clientes de risco deixaram de poder pagar. Aquilo que era um bom negócio transformou-se num enorme buraco no sistema financeiro, que embora originário nos EUA, se propaga a nível mundial.
Quando se ouve nas notícias aquele expressão de que os resultados de um banco foram “afectados pela sua exposição à crise dos subprime”, o que isso quer dizer é que directa ou indirectamente esse banco estava a tentar petiscar e ficou “a arder”. Ou seja, o preço era bom, só que os clientes não pagaram. Tenho a certeza que uma série de proprietários de PME que conheço não teriam ficado tão deslumbrados assim com esse negócio, ou, ao menos, nunca se teriam exposto tanto.
Os bancos, nomeadamente americanos, resolveram vender empréstimos a quem tinha dificuldades em pagá-los... a muito bom preço. Um pouco de acordo com o princípio do “quem arrisca, não petisca”. São os “subprime”, ou seja, não há prémio para quem contrata, mas sim um preço forte. E lá foram petiscando entretidos. Quer dizer, acreditando que petiscavam, porque o resultado real desses contratos só poderia ser avaliado no fim, quando o empréstimo fosse completamente reembolsado ao tal preço forte...
Esse excelente negócio cresceu, cresceu, mas com uma alteração do ciclo económico, e toda a gente sabe que a economia tem ciclos, aconteceu o previsível. Esses clientes de risco deixaram de poder pagar. Aquilo que era um bom negócio transformou-se num enorme buraco no sistema financeiro, que embora originário nos EUA, se propaga a nível mundial.
Quando se ouve nas notícias aquele expressão de que os resultados de um banco foram “afectados pela sua exposição à crise dos subprime”, o que isso quer dizer é que directa ou indirectamente esse banco estava a tentar petiscar e ficou “a arder”. Ou seja, o preço era bom, só que os clientes não pagaram. Tenho a certeza que uma série de proprietários de PME que conheço não teriam ficado tão deslumbrados assim com esse negócio, ou, ao menos, nunca se teriam exposto tanto.
03 junho 2007
Um craque!
O Neca era espertito, mas um pouco para o preguiçoso. Gostava de carros e se se tivesse aplicado, talvez tivesse conseguido concluir a licenciatura em engenharia mecânica. Ou talvez não. Apenas frequentou parte do primeiro semestre e não foi mais longe porque “não quis”. Se tivesse querido, não teria tido nenhum problema em acabar o curso, mas não quis. Não esteve para se chatear.
No seu carro novo, o Neca encontrou um problema de concepção. O detector da tampa do motor aberta deixara de funcionar. Foi ver e descobriu que trabalhava numa zona mole que cedeu. Teria bastado deslocá-lo para uma zona rígida para ele voltar a funcionar. O Neca não o mudou porque dava trabalho e ele tinha mais que fazer mas, naquele dia, o Neca sentiu-se mais importante do que todos os milhares de engenheiros que tinham trabalhado na concepção do automóvel. Do que aqueles que tinham projectado a estrutura, o motor, os travões, a suspensão, a direcção, o sistema electrónico e por aí fora. Ele, se lá estivesse, teria detectado e sugerido uma correcção para aquele erro. Ele, com apenas meia frequência de um semestre, tinha visto o que àquele bando de incompetentes tinha escapado.
O Neca repetia a sua história no café, pleno de orgulho e de menosprezo pela legião de incapazes que ganhavam fortunas para depois fazerem asneiras daquelas. Imaginem só o que ele poderia ter sido se tivesse terminado o curso! O Neca? É um craque!!!
No seu carro novo, o Neca encontrou um problema de concepção. O detector da tampa do motor aberta deixara de funcionar. Foi ver e descobriu que trabalhava numa zona mole que cedeu. Teria bastado deslocá-lo para uma zona rígida para ele voltar a funcionar. O Neca não o mudou porque dava trabalho e ele tinha mais que fazer mas, naquele dia, o Neca sentiu-se mais importante do que todos os milhares de engenheiros que tinham trabalhado na concepção do automóvel. Do que aqueles que tinham projectado a estrutura, o motor, os travões, a suspensão, a direcção, o sistema electrónico e por aí fora. Ele, se lá estivesse, teria detectado e sugerido uma correcção para aquele erro. Ele, com apenas meia frequência de um semestre, tinha visto o que àquele bando de incompetentes tinha escapado.
O Neca repetia a sua história no café, pleno de orgulho e de menosprezo pela legião de incapazes que ganhavam fortunas para depois fazerem asneiras daquelas. Imaginem só o que ele poderia ter sido se tivesse terminado o curso! O Neca? É um craque!!!
20 fevereiro 2007
Proporcionalidade e conta corrente
Eles já não eram de bons fígados e, distraído ou não, naquele dia, o Silva não cumprimentou o Sousa quando se cruzaram.
O Sousa não gostou e, para “paga”, comentou no café que o Silva era uma grandessíssimo mal criado.
O Silva não gostou e, para “paga”, deixou o seu cão urinar no pneu do automóvel do Sousa.
Para “paga”, o Sousa riscou o automóvel do Silva com um prego.
O Silva apanhou o Sousa distraído e, para “paga”, martelou-lhe o automóvel com um ferro.
O Sousa viu o filho do Silva e, para “paga”, com outro ferro, partiu-lhe uma perna.
Vários anos após, o Silva e o Sousa continuam a ferro e fogo, apresentando continuamente ou ao outro facturas que nunca saldam a dívida. O último fica sempre credor e com “direito” a avançar com nova cobrança.
Esta história pode parecer ridícula e sem sentido, mas não é assim tão descabida. Cada vez que falta o sentido da proporcionalidade e a retaliação é percebida como desmesurada, o retaliado fica credor. E, por pequena que seja a dívida inicialmente criada, se os intervenientes não tiverem sentido de proporcionalidade e de razoabilidade, o resultado é triste:
Poderá haver um “fraco” que se submeta, tolerando melhor ou pior a “injustiça” (se o Sousa não ligasse à falta da saudação ou se o Silva tivesse ignorado o comentário no café, nada do seguinte teria ocorrido).
Ou, então, não há “fraco” e há guerra, estúpida como a maior parte delas, e maior ou menor conforme os meios ao alcance destes “fortes”.
Os grandes homens têm sentido da proporcionalidade e conseguem saldar as suas dívidas honradamente; os fracos não. E uma boa parte das atrocidades neste mundo nascem, precisamente, da falta de sentido de proporcionalidade destes “pseudo-fortes”.
O Sousa não gostou e, para “paga”, comentou no café que o Silva era uma grandessíssimo mal criado.
O Silva não gostou e, para “paga”, deixou o seu cão urinar no pneu do automóvel do Sousa.
Para “paga”, o Sousa riscou o automóvel do Silva com um prego.
O Silva apanhou o Sousa distraído e, para “paga”, martelou-lhe o automóvel com um ferro.
O Sousa viu o filho do Silva e, para “paga”, com outro ferro, partiu-lhe uma perna.
Vários anos após, o Silva e o Sousa continuam a ferro e fogo, apresentando continuamente ou ao outro facturas que nunca saldam a dívida. O último fica sempre credor e com “direito” a avançar com nova cobrança.
Esta história pode parecer ridícula e sem sentido, mas não é assim tão descabida. Cada vez que falta o sentido da proporcionalidade e a retaliação é percebida como desmesurada, o retaliado fica credor. E, por pequena que seja a dívida inicialmente criada, se os intervenientes não tiverem sentido de proporcionalidade e de razoabilidade, o resultado é triste:
Poderá haver um “fraco” que se submeta, tolerando melhor ou pior a “injustiça” (se o Sousa não ligasse à falta da saudação ou se o Silva tivesse ignorado o comentário no café, nada do seguinte teria ocorrido).
Ou, então, não há “fraco” e há guerra, estúpida como a maior parte delas, e maior ou menor conforme os meios ao alcance destes “fortes”.
Os grandes homens têm sentido da proporcionalidade e conseguem saldar as suas dívidas honradamente; os fracos não. E uma boa parte das atrocidades neste mundo nascem, precisamente, da falta de sentido de proporcionalidade destes “pseudo-fortes”.
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