13 agosto 2026

Em que país?


Todos os cidadãos que de uma forma ou de outra esperaram e desesperaram por um atendimento no SNS certamente se questionam em que país vivemos ou queremos viver. É fácil recordar que os recursos são limitados, porque isso é sempre verdade. No entanto, quando vemos o aumento do orçamento do SNS ao longo dos anos e algumas pontas de icebergue, como o caso do dermatologista do Santa Maria, a faturar dezenas de milhares de euros num único dia, não parece que tudo se resuma a limitações orçamentais. Não faltam vampiros que beneficiando da cumplicidade ou incompetência do pastoreio, chupam gulosamente os impostos da manada.

Há quem argumente que os governos querem destruir o SNS, entregar o negócio a privados e que a saúde não deve ser comércio. A medicina atual e respetiva economia é diferente da dos tempos de João Semana, felizmente. Continuam a existir muitos profissionais dedicados, altruístas e imbuídos de vontade de fazer o bem ao próximo, mas, se entrarmos num hospital público e virmos os equipamentos e os consumíveis presentes, eles foram comprados e pagos a empresas privadas.

Para um doente que necessita de extrair um tumor maligno, o fundamental é a operação ser realizada depressa e bem; para os governantes gestores dos nossos impostos o importante é haver racionalidade na utilização dos mesmos. A placa de identificação do edifício onde a intervenção é realizada será de importância secundária. Soluções extremas de tudo privatizar terão também potenciais efeitos secundários indesejáveis, mas o que não faz sentido é o doente esperar o dobro do tempo, com eventual fatalidade, e desperdiçar-se receita de impostos por posições “religiosas” e não racionais.

Voltando ao país onde queremos viver, e já sem falar em rotundas cibernéticas, festanças e fogos de artificio, precisamos mesmo de espetaculares novos aeroportos, linhas de alta velocidade e outros investimentos públicos vistosos? Talvez precisemos, mas a saúde dos cidadãos é e tem que ser uma prioridade máxima. Mais do que verbas é necessário liderança, competência e integridade. Enquanto lá não chegarmos, deixemos de armar aos ricos para “ingleses verem” e amigos faturarem.

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