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03 janeiro 2026

E deixar de pifar?


Há países onde a passagem do controlo de fronteira nos aeroportos é uma lotaria que pode atingir várias horas de espera. Esses calvários não estão necessariamente associados a exigências de segurança. Em países como a China ou Israel, por exemplo, tive a experiência de uma passagem relativamente fluida. O problema está fundamentalmente na organização e, muito, nas atitudes.

Recordo-me de situações onde é necessário preencher uma ficha, muitas vezes escrita de pé na fila, com o passaporte a servir de apoio e depois o funcionário ficar paulatinamente a colocar os traços dos Ts bem horizontais e a completar as perninhas nos Ns e Ms, enquanto centenas de pessoas atrás esperam.

Vem isto a propósito do aeroporto de Lisboa onde por isto ou por aquilo é recorrente os viajantes serem brindados com largas horas de espera. Recentemente ouvi aterrorizado estatísticas de médias de 3 horas e pontas de 7! Tantas horas a fio, de pé, numa fila é absolutamente vergonhoso e mesmo desumano. Certo que as instalações não são as ideais… mas quando a PSP sugere a realização de um plenário no pico da tormenta, não parece estar do lado da solução. Será necessário ressuscitar o SEF, tipo baralhar e tornar a dar?

Quando a ministra atribui a culpa a um servidor que “pifou”, ficamos a adivinhar que haverá mais coisas pífias naquele sistema… Dizem nos Websummits que somos um país com um enorme potencial nessas coisas das tecnologias!  Que isto é indecente e vergonhoso disso não há dúvidas e para uma resposta eficaz ontem já era tarde!

09 julho 2022

Um tiro no porta-aviões


O surreal episódio do despacho de um secretário de Estado sobre o(s) novo(s) aeroporto(s) de Lisboa, assim como a brincadeira de no final ter sido apenas um erro de comunicação e desculpem lá qualquer coisinha, não deixou de abrir, mais uma vez, a polémica e lançar indecisão sobre o assunto.

Se o Montijo não serve a prazo, realço o se, fazê-lo para o desativar uma dúzia de anos depois, como quem aluga um carro uns meses à espera do novo, é um absurdo que nem para ricos. Desenrasquem-se com Beja, Badajoz, outra coisa qualquer, mas um aeroporto é demasiado caro para ser temporário.

Considerando que esta discussão já tem 50 anos, se nessa altura se afirmasse que hoje a Portela continuaria a ser o único aeroporto da capital, tal seria considerado absolutamente impossível. E, no entanto, é. E espaço para aviões pode escassear, mas para inspetores do SEF arranja-se sempre. Será talvez difícil pedir mais dinamismo a uma instituição que está no corredor da morte há demasiado tempo.

O contexto muda e evolui. Há vários sinais que sugerem uma tendência de redução no tráfego aéreo. Os combustíveis não vão ficar mais baratos, as limitações às emissões de CO2 irão limitar as deslocações não essenciais, o turismo e respetiva pressão é algo que não vai continuar a subir exponencialmente, os confinamentos Covid criaram hábitos de reuniões não presenciais que parcialmente consolidarão. Precisamos mesmo de um novo e enorme aeroporto?

Para um investimento desta natureza é importante bem pensar antes de agir, com dados e perspetivas atuais. Voluntarismo nesta escala é irresponsabilidade.

01 julho 2022

E não se pode revogar também a TAP?

Estamos habituados desde há 50 anos a vermos um impasse na definição do futuro aeroporto de Lisboa, fazer e desfazer, decidir e reavaliar. O que não estávamos à espera era de que em 24 horas fosse possível decidir e anular uma decisão estratégica desta dimensão. Ao fim e ao cabo escolher a localização para um aeroporto não é como escolher o local para uma rotunda.

Independentemente do futuro político que o excitado ministro posso vir a ter, ou a não ter, este inacreditável episódio demonstra a absoluta falta de noção de responsabilidade de quem é suposto governar-nos… dir-se-ia: “Não as medem!”. E não as medem de todo!

Neste momento é-me difícil encontrar palavras publicamente admissíveis para qualificar esta coisa. Só me saem palavrões. Só lamento não iremos a tempo de revogar a renacionalização da TAP e esta ser uma empresa normal que, antes de pensar em plenários, tenta ganhar a vida.


26 junho 2019

O terminal neoliberal


Um destes dias, no terminal 2 do aeroporto de Lisboa, ao ver as dezenas de voos lowcost planeados e os milhares de passageiros que iriam viajar para uma cidade europeia pelo mesmo preço, ou mesmo inferior, ao de bilhete de comboio Porto-Lisboa, pensei…

Andariam por lá alguns dos que rasgaram as vestes pela importância estratégica da não privatização da TAP? É que mesmo após a pressão da concorrência, os preços da TAP são significativamente mais elevados. Do antes, da altura do monopólio das companhias públicas de bandeira, nem se fala…

Presumo que os que as vestes rasgaram pela manutenção da TAP pública seguramente repudiarão aquele terminal, onde apenas operam companhias privadas que buscam o lucro. Certamente nenhum andará por ali. Pela importância estratégica do nacional, nosso, deverão preferir pagar 5 ou 10 vezes mais para voarem na TAP. Questão de princípio, não?

Aquela malta no T2 são todos uns incorrigiveis neoliberais – deviam ter vergonha!

14 setembro 2018

(Im)Possible restrictions

Eram 3h18 da madrugada quando caiu um sms da companhia aérea nacional, escrito “in English”, avisando-me que devido a “possible restrictions at Lisbon Airport” eu tinha interesse em me despachar, se não queria perder o voo da manhã. É o que se chama começar bem o dia.

É habitual as coisas complicarem-se nos aeroportos no período de férias. Há mais voos, mais gente e uma parte dessa gente menos habituada a circular por aqueles canais. Será também lógico que um aeroporto sature por aquilo que não se incrementa com facilidade, nomeadamente pistas e portas de embarque.

Nessa famosa manhã, em que tomei as recomendadas precauções, o controlo de passaporte tinha as linhas automáticas fechadas e, quando passei, apenas um guichet estava aberto. Quem se apresentou esperando um tempo de passagem “normal” bem stressou… ou seja, as “restrictions” não tinham a ver com coisas físicas, espaço até nem falta naquela zona, mas com o número de inspetores do SEF em serviço. Do outro lado, para quem chegava, a fila de espera era coisa de terceiro mundo.

Se isto faz parte de algum programa para reduzir o número de turistas que nos visitam, está bem, estão no bom caminho. Que seja usado para justificar a saturação do aeroporto, é que já é outra conversa.

10 novembro 2015

Males que vêm por bem

Ou, dito doutra forma: há bens que chegam por acaso. Quis o azar que há uns dias atrás, ao fazer as malas um pouco à pressa, deixei para trás o material de leitura… Bom, o aeroporto de Lisboa até tem uma loja da Fnac…

Na dita loja, o material exposto em destaque, basicamente da categoria das “novidades”, não entusiasmava muito. A escolha era entre títulos bombásticos em capas de cores fortes e títulos pindéricos sobre capas pirosas…

Felizmente, lá ao fundo, estava uma estante com edições de bolso e uma coleção muito mais afastada da chamada espuma dos dias… Recordou-me os tempos em que eu ia juntando os trocos para os trocar por edições baratas de capa mole. Hoje eles ainda lá estão vivos na estante, apesar de não muito vistosos e com o papel já muito amarelado.

A escolha recaiu sobre um autor até agora virgem para mim: Machado de Assis e o seu “Dom Casmurro”. A sua função “biblo” na estante não será grande coisa, mas também não foi caro. No fundamental, ufa…! Que bela surpresa e que excelente história tão bem escrita. Uma das coisas boas deste mundo é haver sempre algo extraordinariamente bom, pronto a nos surpreender (desde que não nos baralhemos com o aspeto das capas).

08 abril 2015

Torre de Ucanha para Lisboa, concessionada

Já aqui atrás me referia à analogia entre as taxas “turísticas” de entrada em Lisboa e as práticas medievais simbolizadas pela ponte fortificada de Ucanha.


A aplicação prática da dita taxa, que seria um quebra-cabeças, especialmente por causa da excepção de isentar os residentes, teve uma solução milagrosa. A ANA “assume” o pagamento, coisa simples e fácil, mas muito pouco clara. Para lá do imbróglio criado com os outros aeroportos nacionais, é muito difícil imaginar uma entidade privada a entregar assim voluntariamente quatro milhões de euros à autarquia, como investimento. Acreditam mesmo que a utilização dessa verba pela câmara vai aumentar o movimento no aeroporto, a ponto de o justificar? Fica-me a forte dúvida se não haverá aqui algum outro tipo de contrapartida ou compensação não anunciada. Cheira a “esquisito”…

16 dezembro 2014

Os episódios de António Costa

É muito curioso como o tempo parece estar mais a favor do maldito governo em funções, do que do recém-chegado novo líder da oposição. António Costa continua sem dizer como irá mesmo endereçar as questões fundamentais mas, em contrapartida, os pequenos episódios que fazem dele notícia, vão de mal a pior. Para os feriados alinha-se com Paulo Portas. Se a restauração da independência e a instauração da República são importantes, e são-no, tratem de as manter em boa saúde evitando, por exemplo, negócios e negociatas que ameacem a sua saúde. É mais importante gerir bem o país do que reivindicar feriados e dias santos.

O aeroporto de Lisboa não é propriedade da Câmara de Lisboa, nem está construído exclusivamente no seu município. Além de várias questões de princípio sobre a tal taxa “neo-senhorial”, não é claro nem simples como na prática pode ser implementada. Um potencial futuro primeiro-ministro legislar sem se preocupar com a forma de aplicar as suas decisões, não augura nada de bom.

Sobre a TAP, esqueçam a troika e sejam homenzinhos. Privatizar ou não, e como, é uma decisão a tomar e a assumir hoje. Ir ler, reler e interpretar um documento com três anos para defender um ponto de vista é uma tentativa de desresponsabilização, quase infantil … Quanto à comparação do significado da existência de uma simples companhia aérea com uma das mais brilhantes e marcantes empreitadas da história da humanidade é demasiado rídiculo para ser levado a sério. Uma coisa posso dizer: se Vasco da Gama fosse da mesma fibra teria chegado, e com alguma dificuldade, … à Berlenga!

15 agosto 2014

Rotinas e (des)controlos

No rescaldo do susto contado numa publicação anterior, fiquei a pensar que provavelmente isto se passaria de forma diferente em aeroportos mais controlados, como, por exemplo, Argel. Aí, a sequência de controlo para um embarque tem as seguintes etapas:

1- Controlo de Rx de bagagem na entrada do edifício
2- Controlo do bilhete na entrada da zona de check-in
3- Check-in propriamente dito
4- Controlo de documentos após check-in. Nalguns o casos o funcionário do check-in não tem autoridade para fazer isso e é necessário passar noutro balcão, lá ao fundo, para verificarem cartão de embarque e passaporte... e… carimbo!
5- Controlo de documentos na entrada da sala de controlo de passaporte
6 -Controlo de passaporte / fronteira
7- Controlo de documentos antes do controlo de bagagem
8- Controlo de bagagem de mão por Rx antes de passar à zona de embarque
9- Controlo fiscal na entrada da zona de embarque – este explico a seguir
10- Controlo e registo do embarque na porta de embarque
11- Controlo de documentos na manga pela polícia
12- Controlo de bagagens na manga (ou no chão da pista) – antes abriam-se as bagagens de mão, agora há máquinas de Rx
13- Controlo do cartão de embarque dentro do avião pela tripulação

Não sei se foi claro…

Quanto ao 9, é curioso. Supostamente as divisas devem ser declaradas à chegada e depois cambiadas oficialmente ou trazidas de volta e o saldo controlado aí. A moeda local tem um valor máximo a transportar da ordem dos 30 Euros equivalentes. Como a maior parte do pessoal não se dá ao trabalho de declarar à chegada, nesta fase diz-se ao guarda que não temos nada a declarar. Ele insiste : nem divisas, nem moeda local? E nós insistimos muito sérios: Nada! Como se fosse viável estar a sair de viagem sem um euro no bolso. Se insistir muito dizemos que temos apenas uns trocos para tomar um café. Uma vez inspeccionaram-me a carteira e tive que deixar em depósito a moeda local extra que trazia, mas correu bem, da vez seguinte devolveram-me à chegada.

Evidentemente também se pode questionar se tanto controlo é mesmo eficaz. Não sei, nem que pudesse não iria tentar embarcar com um nome que não fosso o meu !

08 agosto 2014

Check-in high tech !

Terça-feira passada fui a Lisboa apanhar um voo para Casablanca. Cheguei relativamente cedo, ao fazer o check-in mostrei o meu passaporte e cartão de passageiro frequente da “Royal Air Maroc”, lá disse a minha preferência de lugar e a menina sorridente deu-me o cartão de embarque, anunciando-me que eu não era passageiro frequente de nível básico, já era “silver” e podia utilizar a fila prioritária. Fiquei contente!

Entrei, passei os controlos todos, para as quais a pachorra começa a faltar. Agora até os meus sapatos são suspeitos e devo atravessar o pórtico de segurança em peúgas. Sentei-me para almoçar e fiquei a trabalhar durante o tempo de espera. Apareceu no painel informação de 30 minutos de atraso e quando está quase na nova hora de embarcar, olho para o meu cartão de embarque “silver” e noto que o nome que está lá não é o meu. Também era Carlos, mas o resto não correspondia.

Lá fui a correr para a porta, receando que o voo já estivesse fechado, onde outra menina, depois de me franzir o sobrolho, lá me fez o check-in certo. Como a impressora não funcionava preencheu-o à mão. Como se enganou no lugar, preencheu segunda vez…

No final, o único prejuízo mesmo, foi, ao sair a correr, ter deixado o carregador do PC na tomada junto à mesa onde tinha estado a trabalhar… podia ser pior!

03 julho 2013

Voos e sobrevoos

Vamos lá a ver. Nem sou Américas nem anti-américas. Não acho que a maior parte dos prisioneiros de Guantanamo, incorrectamente detidos, sejam uns coitadinhos vítimas de injustiça, nem acho que Snowden seja um perigoso bandido, apesar de ter infringido a lei do seu país.

Agora, que para transportar os prisioneiros para Guantanamo as nossas bases dos Açores tenham sido usadas “no problem” e que o avião presidencial da Bolívia não possa ter aterrado em Lisboa por pretensamente transportar Snowden... há aqui qualquer coisa que não bate certo!

26 março 2011

Curiosidade...


Os dois simpáticos senhores da foto acima, extraída do El País, são Francisco Camps, Presidente da Generalitat de Valencia e, o de óculos de aspecto simpático, Carlos Fabras, Presidente da Diputación de Castellon.


O primeiro é uma das figuras envolvidos no caso Gurtel, o tal das muitas prendas, do alfaiate e dos fatos, mas mais do que isso o de muito dinheiro com percurso estranhos, especialmente em eventos realizados em Valência, como a visita do Papa.


A cerimónia em causa na foto é a inauguração do aeroporto de Castellon cuja construção custou 150 milhões de euros, mas ainda não há aviões nem tem voos planeados, não tem licença de operação nem sabe quando a terá. Dizem os políticos que faz sentido inaugurar nestas condições porque assim o povo pode visitar as instalações tranquilamente e até passear pela pista. A necessidade de um novo aeroporto aqui também pode ser questionável, uma vez que Valência e o seu grande aeroporto estarão a cerca de 60 km de distância.


Lá como cá, estão identificados as principais molas que fazem mover os políticos:


- Realizar obras - Fazer inaugurações - Proporcionar entretenimento

29 outubro 2009

A minha bexiga e a ecologia militante

Recentemente vi duas notícias que deixaram a minha bexiga com sérios problemas de consciência ecológica.

A primeira veio, salvo erro, do Brasil e dizia que se toda a gente urinasse durante o duche, a água poupada na descarga de autoclismo multiplicada por tal e tal e tal daria uma enormidade com significativo impacto ambiental positivo! Terão descontado a água adicional do chuveiro necessária para deixar limpas as várias peças sanitárias e órgãos afectados no processo?

A segunda veio, salvo erro, da Nova Zelândia. Uma companhia aérea convida os passageiros a passarem no WC antes de embarcarem. Se metade deles o fizeram, o peso descarregado e respectivo efeito na carga do avião dá uma poupança de combustível que multiplicado por tal e tal, é um balúrdio!

Portanto, a partir de agora, cada vez que beber um copo de água a mais que me obrigue a descarregar a bexiga, lembrar-me-ei que isso é mau para o ambiente. Vou passar a olhar desconfiado para as garrafinhas de água que põem nas mesas das salas de reunião.

Com as companhias aéreas é mais grave. Como esta questão do peso tem impacto directo nos seus resultados a imaginação pode disparar. Quando estiver num aeroporto mal climatizado que me obrigue a suar, já vou saber a que é que isso é devido!

15 janeiro 2009

Será da idade?

Diz-se que com o avançar dos anos ficamos mais rezingões e com menos pachorra para aturar contra-tempos. Não sei se isso será mesmo assim; pelo menos os grupos de turistas reformados que por aí circulem demonstram muitas vezes um nível de paciência assinalável…

Esta semana vim à Argélia, na minha visita mensal. Como não tinha a agenda estabilizada e a famosa crise diminuiu a frequência dos voos por Espanha, resolvi vir via Paris, que ainda tem voos diários.

Detesto o aeroporto de Charles de Gaulle. Visualmente muito frio e desconfortável. O velhinho e decrépito Orly é mais humano e simpático. O voo da ex-Portugália chega ao terminal 1, que, apesar de umas pinturas novas, parece tirado de um filme barato de ficção científica dos anos 60. Não sei bem como são, mas associo-os a decorações assim "futuristas passadas", com tapetes rolantes a subirem, a descerem e a cruzarem-se no espaço, cada qual bem envolvido pelo seu tubo plástico.

No meio da ligação deveria existir um almoço. Como os controlos de segurança em Paris tendem a serem desesperantemente longos, achei melhor almoçar depois de entrar e depois de me informar de que “sim, lá dentro há restaurantes”. No dito controlo de segurança: sapatos fora, cinto fora! Mas o meu cinto não toca! Tire na mesma, pode ter algo escondido. Ora bem se posso ter algo escondido no cinto não detectado no pórtico, mais depressa o esconderia numa costura das calças, dado ainda não termos chegado à fase de passar em cuecas.

Depois de repor o cinto, o casaco os sapatos e tudo, lá vou à procura dos restaurantes. Duas coisas meio self-service, meio bar, sendo necessário lutar para não comer de pé. Por uns módicos 12 euros pode-se ter um prato quente a partir de um tabuleiro plástico que se coloca num microondas, depois de furar a película de cobertura, depois de partir o garfo plástico na manobra e depois de esperar 10 minutos que o cliente anterior acabasse de aquecer os seus.

O famoso Dilbert dizia numa das suas famosas e esclarecidas irónicas reflexões que somos muitos cuidadosos a tratar do nosso automóvel, apenas usando lubrificantes e combustíveis 100% como deve ser, enquanto que para o estômago enfiamos qualquer porcaria desde que minimamente energética e digestível. Pois… acreditamos mais na resistência do nosso organismo que ainda tem muitos órgãos importantes não substituíveis nem recicláveis do que na do automóvel. Questão de bom senso, de prioridade ou de insanidade?

16 janeiro 2008

Parabéns a Portugal ?




O desfecho do assunto da localização do novo aeroporto de Lisboa coloca Portugal de parabéns. É extremamente positivo que uma decisão desta relevância tenha sido tomada com uma influência da “sociedade civil” eficaz e admiravelmente integrada e assimilada.

Na opção retida é reconfortante o espaço envolvente disponível. É que um aeroporto não é apenas um sítio aonde as pessoas vão de carro ou de comboio apanhar um avião. Fazendo um paralelo com outro contexto logístico, o do transporte marítimo, hoje um porto é muito mais do que um local de carga e descarga de mercadorias. Viajando entre Antuérpia e Roterdão, encontram-se dezenas de quilómetros de actividades económicas desfrutando da vantagem competitiva de “ter um pé na água”. E, de tal forma, que alguns sectores já dificilmente sobrevivem se não estiverem integrados num porto. A nova fábrica da Renault para veículos de baixo custo que vai para Tanger em Marrocos tinha uma condição inquestionável para a sua localização : Ter um pé na água!

Circulando em volta, por exemplo, do aeroporto de Charles de Gaulle, em Paris, é possível a identificar uma conjunto significativo de empresas ali instaladas de “nariz no ar”. Muito provavelmente veremos em breve toda uma família de actividades que tira vantagens competitivas enormes do facto de estar junto a um grande aeroporto. Por isto, ter em Alcochete esse espaço disponível pode ser muito importante para a criação de riqueza no país.

E, a propósito de promover uma grande infra-estrutura potenciadora do desenvolvimento, voltemos ao campo anterior da água e .... tentemos identificar o que falhou em Sines para não o repetir aqui. Seria catastrófico...!!!

Foto do Airbus A380 extraído do site do fabricante

28 outubro 2006

Heathrow T5



Li recentemente no Finantial Times um artigo sobre a experiência da construção do novo e imenso terminal de Heathrow, o T5. Embora ainda falte mais de um ano para a sua entrada em serviço, e até o lavar dos cestos ser sempre vindima, os responsáveis do projecto apontam-no como um exemplo de realização perfeita, respeitando prazos e orçamentos. Se nos lembrarmos aqui/aí do Aeroporto do Porto....

Uma das novidades na implementação do projecto é os empreiteiros não terem multas contratuais. Pode parecer um contra-senso porque as penalidades por atraso foram criadas precisamente para criar pressão no sentido de os prazos serem respeitados. O “problema”, ao que parece, é que com tanta pressão, cada vez que num projecto tradicional é necessário mudar um parafuso de sítio, e num projecto desta natureza por mais cuidadoso que seja o planeamento há sempre imprevistos, a reacção/preocupação principal é conseguir mais valias/crédito de prazo/desresponsabilizar. Ou seja, em vez de se procurar uma solução para o novo local do parafuso, gastam-se as energias, isso sim, a fazer a “batata quente” saltar de mão em mão. E, desta forma, é fácil haver conflitos, tensões improdutivas e pouca fluidez no desenrolar do projecto.

Estou muito curioso em conhecer o resultado final desta experiência mas confesso que vejo com alguma simpatia esta abordagem em que os engenheiros ganham primazia aos advogados. Para isto, tem que haver cooperação e confiança. Como se gera e se gere isto num âmbito, por exemplo, de concurso público é uma grande incógnita. No mínimo só está ao alcance de um país com uma grande cultura de rigor, frontalidade e transparência.

Nota: Foto "googleada"

20 janeiro 2006

Palpites aéreos …

Ao ver o novo e bonito aeroporto do Porto claramente subutilizado lembrei-me daqueles que dizem:
“Que disparate! Gastou-se uma pipa de massa nesta obra para agora ela estar às moscas. Nem sequer deve dar para pagar a conta da iluminação!”.

Em seguida, pensei que se o novo aeroporto estivesse já com uma elevada percentagem de utilização, esses mesmos diriam:
“Que disparate! Faz-se uma obra deste tamanho que ainda mal começou a funcionar e já está esganada. Neste país não se faz nada a pensar no futuro!”

25 agosto 2005

E a Ota?

Reconheço que me sinto muito diminuído para abordar este tema. Se há alguma coisa que ele revelou, é que somos um país extraordinariamente bem dotado de planeadores de infra-estruturas aéreas. São tantos e tantos que até acho que deveríamos internacionalizar a actividade. Não há espaço para todos neste pequeno rectângulo e deverá existir, por esse mundo fora, muita boa gente necessitada dos palpites destes génios criativos e clarividentes.

Só sei que não me lembro de uma grande cidade com um aeroporto com as características da Portela que ainda subsista como aeroporto principal. Desde Buenos Aires e S. Paulo até Atenas, passando por Paris, Milão, etc., há muitos, muitos e muitos. Não significa que tenhamos que copiar tudo o que os outros fazem, mas...

Sei que a aproximação à Portela com vento norte, o mais frequente, é de fazer concorrência desleal aos organizadores de excursões turísticas. Só falta mesmo uma locução para nos apresentar e explicar toda a cidade.

Não sei se é agora o momento de avançar ou não, se iremos cedo ou tarde, por ignorância assumida.

Sei que, para além do prazo, há a função. Um aeroporto de “charters” não é igual a um aeroporto de cabotagem para Madrid, Paris, etc. que, por sua vez, também é bastante diferente de um “hub” atlântico.

Sei que, ultimamente, ao voar a partir do Porto, por acaso ou sem acaso, faço “tabela” em Madrid aí umas 5 vezes mais frequentemente do que em Lisboa.

10 junho 2005

Notas de viagem – 2 a 10 de Junho de 2005

Paris no rescaldo do referendoTambém que ideia foi esta de pedir um “sim” a um povo que, mesmo quando acha que está bem, prefere responder pela negativa dizendo “Não está mal”. Se houvesse eleições agora? Não é claro o resultado. Talvez Le Pen, se fosse uns 20 anos mais novo... Mau, Mau! Falta de seriedade dos políticos, défice de representatividade dos partidos “normais”, dificuldades de conjuntura e eleitorado mimalho vai, um destes dias, ter um fim triste. E não só em França. Veja-se o Vlaams Blok na Flandres.

Inovação em Paris – Táxi de luxo de duas rodas. Grandes motos para transporte de pessoas rapidamente em ziguezague pelo meio do trânsito. Se os condutores forem do tipo taxista que sabemos, será emoção ao nível de montanha russa.

Sindelfingen – Junto à principal fábrica da Mercedes, a sul de Estugarda, entra na estrada um novíssimo classe B. Depois de desacelerar, ao retomar o esforço, lança belas nuvens de fumo branco. Realmente, os Mercedes já não são o que eram...

Danúbio frio – Às 8 da manhã, 5 graus, em Junho, na zona em que o Danúbio é um riacho. Este rio que consegue filar milhares e milhares de quilómetros para leste, fugindo sempre, sempre, ao Mediterrâneo.

Lago de Constança – Vinhas nas margens. Deveria arranjar-se outro nome para o produto destas videiras. Chamar-lhe vinho, confunde. Um dirigível sobre o lago em Friedrischafen. Evocando o local do conde Zepplin e de um dos maiores engenheiros do século XX: Dornier. Que fez desde dirigíveis a foguetões.

Empresário de 70 anos Os políticos actuais não têm curriculum nem experiência profissional séria. “Nascem” e fazem carreira dentro do aparelho dos partidos. Não temos petróleo nem riqueza de outras matérias-primas. A nossa principal fonte de riqueza tem que estar na massa cinzenta. O sistema de ensino actual, pouco exigente, está comprometer a nossa riqueza futura. No passado, quando um aluno tinha uma má nota/comportamento era responsabilizado; agora vão os pais à escola responsabilizar os professores. Curiosamente, ou não, falava da Alemanha.

Jantar em Hamburgo na margem do Alster Os ministros são mal pagos para a função e a responsabilidade que têm. “Safam-se” com outros esquemas. É difícil motivar um bom profissional unicamente com o vencimento oficial. Em contrapartida os deputados são demasiado numerosos, deveriam ser reduzidos para metade, e a maior parte ganha demais para o que faz. Especialmente a segunda metade que lá está a mais. Curiosamente, o meu interlocutor falava da situação na Alemanha.

Rebanhos nos aeroportos – Chegou a estação em que moles de turistas vagueiam apreciando lentamente as belezas que os aeroportos têm para mostrar. Que se plantam relaxadamente, a monte, em frente aos balcões de registo em amena cavaqueira como se estivessem a sair da missa. E fica-se com cara de parvo sem saber se nos devemos pôr atrás deles sem saber bem para quê ou se devemos perguntar um a um o que estão ali a fazer e se não se importam de se organizarem um pouquinho...