Em certos círculos está na moda não fazer uma intervenção pública, declaração de cidadania, sem alertar para os perigos da extrema-direita e declarar medo ao aparecimento do fascismo. Não podemos discordar do fundo, se bem que fascismo não será provavelmente o termo melhor adequado para classificar o fenómeno (ver a História).
A mim também me preocupa o crescimento dos populismos
autoritários que podem pôr em causa o modelo social e as liberdades e harmonias
a que estamos habituados, mas há uma diferença. Há algumas dezenas de anos que
me manifesto preocupado com o desgoverno e impunidade das elites que nos têm
governado e que foram a semente e o adubo do que hoje adicionalmente nos
preocupa.
Lamentar uma doença sem refletir sobre as causas é pueril.
Não identificar essas causas e exigir remédios é irresponsabilidade. Bem diziam
os frades ociosos e bem-nutridos “Vade retro Satana! Não venhas aqui roubar
almas ao meu virtuoso rebanho”. Era suficiente?

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