Os primeiros episódios do folhetim com as obras no monte de Luís Neves parecem incluir irregularidades várias. Se bem que sendo transgressões habituais em muito cidadão comum não são aceitáveis no comportamento de um ministro.
O episódio do atrelado leva o caso para outra dimensão e até
podemos nem dar relevo ao contexto da apreensão do veículo e ao fim a que se
destinavam os produtos químicos.
A Marinha não queria continuar com a guarda dos mesmos pelo
risco latente, a PJ não tinha verba (!?) para os neutralizar e o polivalente empresário
de Barcelos apareceu e ofereceu-se para ajudar…
Em primeiro lugar, se os produtos eram potencialmente
perigosos, que garantias de segurança foram precavidas para a sua armazenagem
em Barcelos? Não é preciso ser muito instruído para saber que não se armazenam
produtos químicos perigosos sem um estrito enquadramento de segurança, uma enorme
panóplia de procedimentos obrigatórios e, dependendo das quantidades, respetivo
licenciamento. De quem seria a responsabilidade caso um acidente grave tivesse
ocorrido?
Depois, não existem almoços grátis. Qual a motivação do
empresário para oferecer este serviço à PJ? Esta aceitou, um pouco como se aceita
a ajuda de um amigo para guardar temporariamente na sua garagem alguns móveis, atravessando-se
com enorme ligeireza a fronteira entre a esfera pública e a privada.
Uma coisa é certa. Se isto fosse o enredo de uma ficção, a
mesma seria desacreditada por excesso de inverosimilhança. Qual o motor (e o
combustível) que proporcionou ao atrelado e ao seu conteúdo tão singular
viagem?
Como ainda há quem consiga alinhar umas palavras de
tolerância e indulgencia para com Luís Neves, é outro mistério.

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