Quem estiver atento à “decoração” dos camiões e respetivas
atrelados já terá notado placas deste tipo nalguns. É uma sinalização de que o
veículo transporta cargas perigosas, mostrando código do produto e o tipo de
risco.
Isto acontece, e bem, porque não se anda por estradas e ruas
carregando produtos perigosos como quem transporta sacos de cimento ou paletes
de tijolo para o estaleiro.
Estes transportes são enquadrados por um acordo europeu
denominado ADR, que regula o transporte rodoviário internacional de mercadorias
perigosas. Não se fica apenas pela placa laranja. Se virem um camião de
combustíveis podem identificar outras sinalizações sobre o tipo de risco,
equipamentos de segurança, contactos de emergência, além de existirem outras
obrigações menos visíveis. Os motoristas precisam de formação e certificação, deve
haver documentação especifica relativa aos produtos e nalgumas situações mesmo
o veículo precisa de ser certificado. Existem também regras de compatibilidade
sobre produtos que podem partilhar o mesmo transporte ou não.
O número ONU 2672 corresponde ao amoníaco em solução,
aparentemente um dos principais produtos carregados no famoso atrelado que foi
do Seixal até Barcelos. Como presumo que originalmente os traficantes não lhe
tenham colocado as placas laranja respetivas, fica a questão (só mais uma):
quando ele se fez à estrada cumpria todos os requisitos ADR? Se sim, não deve
ser difícil encontrar rasto dessa documentação obrigatória. Mostrem-na.
Se assim não ocorreu e foi basicamente dar à chave e
fazer-se à estrada… quem anda à chuva pode molhar-se. Caso houvesse um acidente
com sérias consequências, mesmo pessoais… quem responderia criminalmente?
Saber-se-ia nesse tempo, presumo…
Estaremos mesmo perante este nível de ligeireza e
irresponsabilidade?

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