24 julho 2026

Parabéns aos USA

Os Estados Unidos da América celebraram este mês 250 anos e não é necessário ir a Teerão para os ver serem condenados como o grande Satã e o mais maléfico país da história da humanidade. Certamente que não têm currículo limpo, mas esses acusadores podem fazer o favor de apontar um, um único, exemplo de uma grande potência que possa atirar a primeira pedra…

São também tempos controversos. Por um lado, temos um Presidente que só lhe falta mudar o nome do país para TSA (Trump States of America) e com mais alguns detalhes de atitude e valores muito afastados dos princípios e práticas dos pais fundadores do país.

Outra figura, com bastante menos poder executivo, mas com grande exposição e apreciação mediática é o progressista Presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani. Aparentemente sente-se algo desconfortável com a data e o contexto da fundação do país, provavelmente por ter sido pouco inclusivo. Esperemos que a moda não pegue, caso contrário ainda veremos alguns iluminados a condenarem a celebração da fundação de Portugal, pela intolerância de D. Afonso Henriques face aos mouros.

Apesar de todos os defeitos e pecadilhos, os USA são o país da liberdade e das oportunidades, num registo que não tem paralelo. O seu nascimento marca o nascimento irreversível de um sistema onde não há poderes sem escrutínio popular, não hã mandatos temporais de suposta origem divina e é o povo quem valida e sanciona o exercício do poder. O extrato a seguir da declaração de independência é extraordinariamente eloquente e forte:

…todos os homens são criados iguais, que são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais estão Vida, Liberdade e a busca da Felicidade. — Que, para assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados. — Que sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva desses fins, é direito do povo alterá-la ou aboli-la, e instituir um novo governo, estabelecendo seus fundamentos sobre tais princípios e organizando seus poderes de forma que lhes pareça mais adequada para garantir sua segurança e felicidade

É curiosa esta evocação do “direito à felicidade”. A felicidade é algo talvez difícil de definir juridicamente, mas com toda a subjetividade implícita, é dever dos governantes proporcionarem felicidade aos seus governados.

A implementação destes princípios após a independência não foi perfeita, certamente, sobretudo quando se pensa em negros e em índios. Mesmo hoje o valor de cada um não é exclusivamente função do seu mérito e do que ele faz. Continuam a existir alguns privilégios de casta, na prática.

Apesar de todas essas deficiências práticas não deve haver no mundo contemporâneo um país com um sistema mais são. Os resultados estão à vista em muito do que temos à nossa frente no nosso dia-a-dia e certamente que o seu sistema irá resistir a todas as Trumpices e Mamdanices que o ameaçam.

A fundação dos EUA marca a fundação de uma forma de governo que cortou com tudo o que então existia e, não sendo perfeita, é ainda hoje melhor do que todas as outras. 

 

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