16 julho 2026

No país dos talismãs


O primeiro-ministro, Luís Montenegro assistiu a três jogos da nossa seleção no campeonato mundial de futebol. Não foram no Jamor nem em Madrid, mas do outro lado do Atlântico.

Considerando que o cidadão em causa não aproveitou o seu estatuto para simplesmente ter o prazer de ir ver a bola, podemos questionar a lógica institucional de fazer para cima de 20000 kms neste contexto. Como os membros do Governo aparecem na comunicação social em serviço, a qualquer dia e a todas as horas, presume-se que não terão muito tempo livre e que estas deslocações obedecerem a uma necessidade imperiosa qualquer.

Alguém terá sugerido que ele era uma espécie de talismã para a seleção e, pasme-se, até ofereceu um amuleto aos jogadores, supostamente para os proteger dos maus olhados dos adversários. Pelos resultados obtidos talvez tivesse sido mais eficaz o papel de mascote, assistindo a todos os treinos e partilhando as areias de Palm Beach com os craques.

A mim palpita-me que presumia que a presença do seu sorriso nos putativos sucessos da equipa nacional seria uma espécie de talismã atraindo popularidade a si próprio e ao seu Governo e um amuleto contra os efeitos das críticas à governação. Sugiro que pensem em governar eficazmente sem ficarem dependentes de talismãs ou amuletos, porque isto não vai lá com magias, sejam elas brancas, negras, rosa ou laranja.

Sem comentários: