28 julho 2026

A maçonaria frente ao juiz

Foi notícia recente que cinco membros da maçonaria expulsos da organização em 2023, contestaram internamente a decisão sem sucesso, acabaram por levar o caso a tribunal e o processo segue o seu caminho.

É um pouco insólito imaginar uma organização tradicionalmente tão discreta vir lavar a roupa suja em público e ser obrigada a mostrar os seus regulamentos e justificar decisões perante um juiz “profano”.

Coloca-se aqui uma questão sobre a natureza da organização. Vivemos em liberdade associativa e isso inclui direitos e deveres. Se eu quiser criar uma associação columbófila ou de amigos da sueca, estas deverão ter estatutos públicos, definindo objetivos, forma de governo, etc... Uma “associação” que evita esta transparência pública e respetivas obrigações é provavelmente ilegal. Daí ser lógico que as associações maçónicas, estando enquadradas na legislação existente, possam ser chamadas a tribunal quando as suas práticas são questionáveis face à lei.

A partir desta obrigação de transparência mínima, podemos procurar perceber quais os objetivos sociais atuais da organização. No século XIX era relativamente claro; hoje não sei. Quando por aí circulamos, por estradas, ruas e praças, é difícil descortinar a sua assinatura no que vemos. Se alguém me quiser informar em que medida a organização pode “contribuir para a minha felicidade” e do comum dos cidadãos, sou todo ouvidos.

Se estão em causa princípios universais e objetivos “altos, nobres e justos”, venham a terreiro assumi-lo e explicar o que fazem mesmo, mesmo, mesmo, para a sociedade, exterior à organização.

 

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