Foi notícia recente que cinco membros da maçonaria expulsos
da organização em 2023, contestaram internamente a decisão sem sucesso,
acabaram por levar o caso a tribunal e o processo segue o seu caminho.
É um pouco insólito imaginar uma organização
tradicionalmente tão discreta vir lavar a roupa suja em público e ser obrigada
a mostrar os seus regulamentos e justificar decisões perante um juiz “profano”.
Coloca-se aqui uma questão sobre a natureza da organização.
Vivemos em liberdade associativa e isso inclui direitos e deveres. Se eu quiser
criar uma associação columbófila ou de amigos da sueca, estas deverão ter
estatutos públicos, definindo objetivos, forma de governo, etc... Uma
“associação” que evita esta transparência pública e respetivas obrigações é
provavelmente ilegal. Daí ser lógico que as associações maçónicas, estando
enquadradas na legislação existente, possam ser chamadas a tribunal quando as
suas práticas são questionáveis face à lei.
A partir desta obrigação de transparência mínima, podemos procurar
perceber quais os objetivos sociais atuais da organização. No século XIX era
relativamente claro; hoje não sei. Quando por aí circulamos, por estradas, ruas
e praças, é difícil descortinar a sua assinatura no que vemos. Se alguém me
quiser informar em que medida a organização pode “contribuir para a minha
felicidade” e do comum dos cidadãos, sou todo ouvidos.
Se estão em causa princípios universais e objetivos “altos,
nobres e justos”, venham a terreiro assumi-lo e explicar o que fazem mesmo,
mesmo, mesmo, para a sociedade, exterior à organização.

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