04 julho 2026

A justiça a funcionar


Não terei sido o único português a sentir revolta e repugnância pela decisão de tribunal de condenar o Estado Português a indemnizar José Sócrates por violação do segredo de justiça. Sugiro que fique em conta-corrente, já que o crédito do Estado face ao senhor é largamente superior ao valor em causa, ou que, pelo menos, deduzam os custos com os advogados oficiosos.

Poder-se-á dizer ser a justiça a funcionar e que ela é suposta funcionar da mesma forma, quer o sujeito se chame Sócrates ou Sousa, mas… . O comum dos cidadãos, não versado nos procedimentos e labirintos do sistema judicial, deve poder reconhecer as suas decisões como justas e justificadas.

Supondo que num hospital existe uma informação clínica sensível relativo a um personagem relevante e a mesma veio a público. Se o dossier estava num armário aberto, acessível a quem passa, sim, é negligência; se o hospital possuía um sistema de registo de informação estruturado, com sólido controlo de acessos e um hacker lá entrou e extraiu a informação, continua a ser “justo” condenar automaticamente o hospital, sem averiguação detalhada?

Por outro lado, nestes casos, a defesa implacável do segredo de justiça e penalização das fugas parece-me ser aquilo que se chama no desporto de “falta marcada, beneficiando o infrator”. Quando alguém tem ou teve responsabilidades na administração de bens públicos e há fatos e evidências graves, o assunto deixa de ser de foro privado e passa a ser de interesse público. Os cidadãos merecem ser informados imediatamente, independentemente das sentenças que mais tarde um tribunal possa decretar, considerando que o processo não foi sabotado com anulação de provas por questões processuais, prescrições por infindáveis manobras dilatórias ou outras habilidades sobre as quais o senhor Pinto de Sousa pode escrever um livro, este sim um potencial grande sucesso editorial.

Sim, o sistema judicial português não está a funcionar como os honestos cidadãos esperam e exigem.

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