Muitas vezes os políticos gostam de anunciar coisas
sensacionais, como quem saca um imprevisto coelho de uma insuspeita cartola. A
última foi a da criação de um tal fundo soberano nacional. Espantoso e dito com
as sílabas bem marcadas, para o devido realce de credibilidade porque “não
estamos cá para enganar ninguém”! Não sou especialista do tema, mas associo
esses instrumentos financeiros a países que têm um pé-de-meia de poupanças e
que, em vez de as deixarem dormir debaixo do colchão, tentam fazê-las render
algures.
Não será certamente o caso do Estado português que se vira e
revira para evitar gastar muito mais do que o que coleta e passa a vida a
estender a mão nos mercados para financiar o seu funcionamento. Para poder
criar esse fundo, precisará de estender as duas mãos e, naturalmente, pagar
juros. Convém que o rendimento da aplicação desses recursos gere resultados
superiores ao seu custo, senão é mais prejuízo.
Recordando os casos mais recentes de investimento do Estado
em empresas designadas por estratégicas, nomeadamente na Tap e na Efacec,
contextos e dimensões à parte, estes não se poderão considerar casos de sucesso
em termos de criação de riqueza.
Resumindo, parece que este Governo já não sabe o que fazer
para a ceia…
Uma sugestão. Tentem rentabilizar o património que já
existe, tanto dele abandonado e degradado. Não sei se isso dá coelho que se
veja, mas é certamente mais rentável do que andar a semear dinheiro que não
temos em empresas que o Estado não sabe gerir.

Sem comentários:
Enviar um comentário