24 junho 2026

Vamos ao fundo

Muitas vezes os políticos gostam de anunciar coisas sensacionais, como quem saca um imprevisto coelho de uma insuspeita cartola. A última foi a da criação de um tal fundo soberano nacional. Espantoso e dito com as sílabas bem marcadas, para o devido realce de credibilidade porque “não estamos cá para enganar ninguém”! Não sou especialista do tema, mas associo esses instrumentos financeiros a países que têm um pé-de-meia de poupanças e que, em vez de as deixarem dormir debaixo do colchão, tentam fazê-las render algures.

Não será certamente o caso do Estado português que se vira e revira para evitar gastar muito mais do que o que coleta e passa a vida a estender a mão nos mercados para financiar o seu funcionamento. Para poder criar esse fundo, precisará de estender as duas mãos e, naturalmente, pagar juros. Convém que o rendimento da aplicação desses recursos gere resultados superiores ao seu custo, senão é mais prejuízo.

Recordando os casos mais recentes de investimento do Estado em empresas designadas por estratégicas, nomeadamente na Tap e na Efacec, contextos e dimensões à parte, estes não se poderão considerar casos de sucesso em termos de criação de riqueza.

Resumindo, parece que este Governo já não sabe o que fazer para a ceia…

Uma sugestão. Tentem rentabilizar o património que já existe, tanto dele abandonado e degradado. Não sei se isso dá coelho que se veja, mas é certamente mais rentável do que andar a semear dinheiro que não temos em empresas que o Estado não sabe gerir.

 

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