02 novembro 2026

Acampar em protesto

Em tempos acampei “selvagemente” junto ao mosteiro de Pitões das Júnias. Agora é proibido. No entanto, dado o estado de degradação do local e de vários monumentos históricos, decidi protestar e manifestar-me por essa causa.

Proponho-me exercer um direito humano e consagrado na nossa constituição, montar uma tenda e ficar uns dias e noites em vigília junto às ruínas do mosteiro. Nenhum tribunal me deverá impedir, já há precedente. Montar uma tenda e pernoitar num local de protesto parece ser algo perfeitamente normal, onde quer que seja!

Sim, que há um problema com a habitação em Portugal e que se alguém acha que se resolve a votar “legislação” por braço no ar, está enganado. Certo que podemos questionar as intervenções da polícia. Certo que os partidos saem todos mal na fotografia. Certo que faltam casas, mas elas não estão guardadas num bolso do Estado, prontas a serem libertadas de um momento para o outro, sob pressão da “rua”. Certo que se tivéssemos a geringonça no poder, o movimento teria outro eco. Muita coisa certa e muita coisa errada.

Agora, se para cada causa pela qual um cidadão se queira manifestar, seja saúde, educação, justiça, legislação laboral, defesa, política externa, etc. isso lhe dá direito de organizar um acampamento selvagem em cada canto ou esquina, que país queremos ver? Haja decência. Protestar é uma coisa, mas a liberdade e o direito de manifestar não deveriam ser salvo-conduto para prolongadamente descivilizar e degradar o espaço público.

Vou-me repetir: se esse direito e esse efeito generalizasse a todos os protestos, com que se assemelhariam as nossas cidades?

PS: Quanto a Pitões, se algum pastor pensar em passar por lá com as suas ovelhas, como eventualmente costuma fazer, deverá coordenar-se previamente comigo e, mais tarde, com todos os que posteriormente por lá vierem a protestar. Há direitos a respeitar.