Corria o ano de 2013 e eu estava responsável por um projeto de irrigação em Marrocos, onde algumas válvulas hidráulicas tinham sido compradas na China, com o contrato a obrigar a realização de testes de receção das mesmas em fábrica.
Fui com uma comitiva do cliente até Xiamen, a cidade mesmo
em frente da ilha de Taiwan. Uns quilómetros para o interior encontrava-se a respetiva
ZEE, “Zona Económica Exclusiva”, uma das que constituíram os embriões da
fábrica do mundo.
Zonas industriais com largas avenidas, aparentemente tudo
muito bem estruturado e com impressionante dimensão. Uma curiosidade, em cada fábrica
existia um edifício residencial onde se instalavam os respetivos operários, muitos
deles com origens rurais longínquas. Podiam ir a “casa” uma vez por ano e lá permanecer
por uma dúzia de dias, após comboios, autocarros e até outros meios de
transporte. Obviamente que nada mais havendo a fazer, trabalhavam nos fins de
semana, sempre dava mais uns trocos. Entendi que uma boa parte deles nunca
poderia instalar-se familiarmente na zona do seu trabalho. É melhor para eles e
para a família do que passarem por grandes privações, mas a prazo, o que
aconteceria? A “fábrica do mundo” iria funcionar com imigrantes internos permanentemente
afastados das famílias?
Durante os testes, ficamos alojados num enorme hotel, frio, na
margem de uma estrada, sem mais nada. Eramos lá despejados pelos chineses ao
final dia, cerca das 17h, íamos para uma sala para jantar, eles encomendavam os
diferentes pratos e partiam. Lá ficávamos a trincar as coisas colocadas sobre a
mesa, os marroquinos mais limitados pelas suas dúvidas quanto à compatibilidade
religiosa das “iguarias” apresentadas …
Sobre o contacto com o local, uma visita ao templo budista Hongshan,
já na cidade de Xiamen, antes de regressar, e à interessante e belíssima ilha
de Gulangyu, uma sobrevivente da mistura de culturas e arquiteturas. Dois bons
exemplos de uma China historicamente rica.
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