É o anunciado na capa do livro, mas como já passaram uma
dezena de anos desde a sua publicação, certamente que novos segredos ter-se-ão,
entretanto, acrescentado.
Trata-se de um tema que me interessa por várias razões e
mais uma. Por que raio as pessoas se associam em “caixinhas” para secretamente combinarem
e planearem ações que potencialmente podem influenciar toda a sociedade? Num
mundo livre, como o nosso, no mínimo é deselegante.
Este livro visita em várias dimensões as duas organizações
mais relevantes desse campeonato e várias diferenças entre as duas ficam evidentes,
para lá daquele contraste típico do esquerda-direita, religioso-laico e outros binómios
tradicionais que tais.
O Opus Dei parece ser muito mais organizado e centralizado,
tendo alguns aspetos que me custa muito a aceitar. Para começar, a idade com
que começam a recrutar os jovens e a falta de liberdade imposta aos membros. Seja
intelectual (a que Diabo lembrará proibir a leitura de uma boa parte de Eça de
Queiroz!?), seja económica, especialmente dos numerários, com a entrega
integral do seu vencimento à organização, além de a fazerem beneficiária do seu
testamento. O estatuto das numerárias-auxiliares que prestam serviços domésticos
na organização “gratuitamente” é indigno e bem capaz até de ser ilegal em
termos de direitos do trabalho (para não falar de humanos). Castigos corporais impostos
e obrigatórios também não pertencem a estes tempos em geral nem à doutrina
cristã em particular.
Tem, no entanto, o OD objetivos claros, anunciados e praticados.
Concordando ou criticando, entende-se ao que vêm. Na maçonaria é bastante mais
vago. Certo que historicamente, há um século atrás, eles diziam ao que vinham e
“lutavam” abertamente por isso, mesmo com armas e milícias, mas hoje não é
claro. Têm a sua cartilha e objetivos, mas pessoas como Isaltino Morais
estarão lá pelo catecismo oficial? Estão a vê-lo a filosofar e a expressar grandes
ideias e princípios…? Qual a motivação que pessoas desse calibre têm e o que
espera a organização deles, mesmo frescamente saídos da cadeia? Qual o
resultado social efetivo e público das ações da organização? É tudo secretíssimo?
Podem ambas as organizações explicar o seu apetite pelo
recrutamento de gente influente? Parece-me que o objetivo imediato das duas é o
poder, seja poder pelo poder, seja como meio para atingir o seu graal, sendo a
natureza prioritária (realço a palavra) desse caminho diferente entre as duas.
O OD busca o poder sobretudo pela vertente financeira. Uma boa parte dos seus “famosos”
são gente ligada a bancos e outras instituições financeiras. A maçonaria, pelo
menos a principal, busca o poder pela influência política. O número de maçons
nas estruturas de Estado, seja no Governo, seja nas instituições tuteladas pelo
mesmo é desproporcional à sua presença na sociedade. Assim sendo, pertencer à
irmandade pode ser um bom passaporte para certos lugares…
Há algo que me incomoda, e talvez mais significativo no caso
da maçonaria, que é a gestão facciosa e obscura das estruturas e bens públicos.
Ambas as irmandades têm reflexos tribais. A responsabilização exigida a quem
tem poder sobre aquilo que não lhe pertence obriga a transparência. Enquanto isso
não existir, o sistema não será são.
Uma (pequena) provocação final. Para quando um Rui Pinto
dedicado a tornar públicos eventuais esquemas que orbitam por aqueles lados…?
PS: De assinalar um ponto comum entre ambas que é, embora de
forma diferente, a menorização do estatuto da mulher.

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