Criticar a intervenção militar no Irão com base no atropelo ao Direito Internacional é algo que fica entre o ingénuo e o manipulador. Se, por exemplo, a Andaluzia estivesse governada por um Estado Islâmico, este a desenvolver misseis e armas nucleares com o objetivo público e assumido de arrasar Lisboa, nós teríamos continuado década após década calmamente apelando ao tal Direito Internacional, quando este nada faz? Não teríamos legitimidade de facto para rebentar com as instalações militares? Seria guerra, sim, seria guerra.
Certo que a forma como o regime iraniano trata os opositores
cai fora do respeito pelos Direitos Humanos, mas se fossemos bombardear todas
as ditaduras atrozes, a lista seria longa e os resultados pouco garantidos.
A situação atual inclui um atestado de nulo valor e clara incompetência
da ONU. Lidar com um Trump não será fácil, mas entregar esse trabalho a um Guterres,
tem resultado garantido, sendo que, mesmo com um presidente dos EUA menos
atípico, não seria expetável muita dinâmica e liderança construtiva da parte
dete secretário-geral.
Se a morte de Khamenei não foi chorada por muita gente, e
até celebrada, como reagirá a população aos contínuos bombardeamentos, mesmo se
apenas sobre instalações do regime? O regime mostrou ser suficientemente sólido
para sobreviver a uma decapitação, mas se cair, o que virá depois? Que plano
existe para esse dia seguinte? Experiências recentes estão fartas de demonstrar
que muito mais difícil do que ganhar a guerra pode ser ganhar a paz.

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