Sim, há mais russos para lá de alguns de triste memória…
No meu ponto de vista uma obra de arte vale fundamental pela
sensibilidade despertada. A mestria técnica ajuda e creio até ser indispensável.
Um quadro com borrões de tinta projetados ou uma “instalação” com algumas chapas
ferrugentas dobradas dificilmente compensarão a falta de técnica artística com algo
que me impressione o suficiente para as apreciar.
O tema, pode ajudar, mas acabar por ser um pouco secundário.
Nma sinopse da Mona Lisa constaria “Um retrato de uma mulher” e não seria por
aí que lhe chegaria a fama. Noutro campo e noutra escala, um dos melhores
livros de Saramago para mim é o “Todos os nomes”, cujo sumário pode ser considerado
banal, ao contrário das “Intermitências da morte” e de “O homem duplicado”,
onde um muito interessante tema não tem desenvolvimento (e impressão) proporcional,
na minha opinião.
Vem isto a propósito destas duas figuras maiores da literatura
russa, objeto de um tratamento muito díspar na minha biblioteca. Para
Dostoivesky está lá, e lido, tudo o que encontrei, algumas edições até com umas
boas décadas em cima e páginas escurecidas, longe do branco original. Para
Tosltoi havia apenas uma singela “Anna Karénina”, talvez o seu maior romance,
mas que permanecia por percorrer, coisa que fiz recentemente.
Sobre Tolstoi, é indiscutível que ele domina a arte de
escrever e que o livro nos faz viajar, impressionar e sentir… Agora, em comparação
com o autor dos “Irmãos Karamazov”, falta-lhe o toque que me provoca a
diferença entre o excelente e o genial. Estamos no domínio da impressão, a
minha não será a de toda a gente, nem a de hoje pode ser a mesma amanhã. Apenas
digo que a “Anna Karénina” irá continuar singela na prateleira, e “Os Possessos”
talvez sejam objeto de releitura.
Mas, enfim, nisto como em outras coisas, cada qual como cada
um… e ainda bem.

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