Diz o povo que quem muito fala, pouco acerta e esta é uma frase que associei a Marcelo Rebelo de Sousa desde os seus tempos de comentador. As minhas expetativas para o seu desempenho como Presidente da República sempre foram baixas.
Agora, na saída, é curioso visitar a galeria de imagens do
seu reinado. Há certamente uma vertente de contacto humano com toda a população
e episódios de informalidade, que vão de o PR se querer colocar ao nível do
cidadão comum a extremos desconcertantes. Uma grande popularidade e receções
entusiastas, inclusive nos Palops.
Agora, e eu passo sempre rapidamente aos “agoras”, a vida
não é apenas feita de sorrisos e selfies, pelo menos para quem aspira ou tem por
missão ser mais de que figurão em redes sociais. Que guardamos na memória de
uma intervenção de MRS profunda e notável? Certo que fez muitos discursos e
neles passou mensagens “corretas”, mas…
Mas a imagem que fica é de um MRS mais preocupado com a sua
promoção, imagem e correspondente popularidade do que com os verdadeiros
interesses do país. Estarei a ser injusto? Talvez, mas da galeria de memórias do
seu exercício, guardamos muitas memórias simplesmente visuais e muito pouco de projetos
estruturais.
Para não fugir à tradição, a Marcelfie final com o governo é
representativa e absurdamente caricata. Parece de uma reunião de antigos alunos
que se juntam alegres e animados para a fotografia final do encontro. Muito riso,
pouco siso e há momentos em que os sorrisos passam a ridículos. Sobre sorrisos,
também me chocou uma visita a um cemitério militar português em França, com
Macron e Costa, onde os dois portugueses caminham sorrindo contentinhos, sem o
mínimo respeito pelo significado do chão que pisavam.
O que faltou mesmo nas galerias de imagens que vi foi a enigmática
(marcelática) visita ao Beco do Chão Salgado em novembro de 2023. O processo e
execução dos Távoras foi um episódio sinistro de abuso de poder e injustiça, abominável
em várias dimensões. Abordar o assunto e o local sem ser claro e frontal é inaceitável.
Enviar recados e insinuações diretas naquele local foi de uma ligeireza e
irresponsabilidade institucionais brutais. Talvez a maior memória da falta de conteúdo
(sério) que me fica deste senhor vaidoso, manipulador e… algo tonto.

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