Médio-Oriente é uma designação geográfica historicamente associada a instabilidade e a guerras crónicas. Inclui Israel, comparado com os vizinhos um corpo estranho em termos de organização do país, valores sociais, prosperidade e outras coisas mais… e os outros todos seriam os “árabes”. Olhando um pouco mais atentamente, fomos vendo crescer umas diferenças entre os chamados países do Golfo, os ricos, e as imagens mais tradicionais da região.
Começando pelos Emiratos, especialmente o Dubai e passando pelos
sauditas e pelo Qatar, foram nascendo urbes vistosas, luxuosas, procurando projetar
uma imagem deslumbrante de modernidade. Não temos conta de quanto investiram em
imobiliário faustoso, eventos sociais e desportivos de todo o tipo, sempre em prol
da construção de uma “nova imagem”. O alvo vai para lá dos habitantes naturais.
O objetivo era atrair atenções, para fundos e figuras se instalarem e desfrutarem
de um novo e sofisticado paraíso terrestre.
A guerra com a Irão, e a resposta deste, veio demonstrar amargamente
que aquela margem do golfo Pérsico continua a pertencer a uma região alérgica a
paraísos. Cada míssil ou drone iraniano que explode está a provocar danos e prejuízos
patrimoniais brutais, largamente superiores ao custo dos muros derrubados e dos
vidros partidos.
Os petrodólares investidos, assim como as outras divisas que
lá entraram deverão estar numa angústia enorme. Como se podem salvar, com aqueles
vizinhos imprevisíveis e belicosos do outro lado do golfo. O dinheiro manda
muito e palpita-me que uma guerra financeira deve estar a decorrer em paralelo.
Certo que se não houvesse intervenção dos EUA e de Israel,
nada disto teria acontecido… agora. Mesmo que esta guerra acabe, agora, as
sequelas e as incertezas serão esquecidas? O Irão acaba de dar uma machadada
valente no valor dos projetos desenvolvidos durante décadas com custos
exorbitantes. Afinal, estamos no Médio-Oriente… Será um dia esta expressão sinónimo
de algo diferente? Não sei…
Nota adicional em 19/03. No Qatar e nos Emiratos foi decretado ser crime filmar imagens dos ataques. Neste momento já se contam por centenas os criminosos no Qatar e dezenas nos UAE. Questões de segurança... financeira!
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