O caso de Fábio Teixeira, formado em enfermagem, nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis (EMER) fez correr muito tinta e inclusive a suficiente para ser rapidamente decretada a reversão da nomeação.
Efetivamente, o desalinhamento entre a sua área de formação
e a natureza da estrutura causa perplexidade. Desconhecemos se terá
conhecimentos específicos sobre o sector, como Miguel Barreto, que depois de
ter sido diretor-geral de Energia, se dedicou a criar dúzias de empresas
especializada em ganhar licenças de produção de energia, posteriormente
revendidas com interessante mais valias. Os condicionamentos no acesso à
produção de energia verde, criam oportunidades douradas e talvez Manuel Pina, o
presidente da EMER, que nomeou o enfermeiro, tenha algo a explicar sobre
eventuais conflitos de interesse com as empresas em que participa/participou.
Podemos ainda especular o seguinte. Se Fábio Teixeira
tivesse tirado um curso de “Ciências Políticas” ou outro análogo, porventura
menos exigente intelectualmente e tecnicamente também desalinhado, certamente
não se levantaria tamanho vendaval… e que desses há por aí muitos, há.
A qualificação para uma função de gestão não se esgota na
formação técnica e académica. É indispensável um conjunto de qualidades humanas
e de liderança. Formação política nos ISCTEs ou nas juventudes partidárias,
essas qualificam pouco para o que realmente importa.

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