10 fevereiro 2026

Contados os votos


Contados os votos, indiscutivelmente Seguro ganhou, Ventura perdeu e comparar números de uma eleição binária com os de outras onde existe uma dúzia de alternativas disponíveis é um exercício com muito pouco sentido.

Será desta vez que o PS volta ao seu registo histórico, se deixa de devaneios neomarxistas e faz as exéquias, assumidas, de um tempo sombrio e indigno?

Face à primeira-volta Ventura subiu. Estranhíssimo seria se descesse. Faço parte dos portugueses que consideram que, apesar dos erros e abusos dos habituais inquilinos do poder, com ele teríamos uma emenda pior do que o soneto. É importante mostrar o que está em causa e em perigo, sem rasgar vestes, nem cair na gritaria. Ventura nunca será nenhum Salazar nem por inteiro, nem por um terço, pela simples razão de nunca saberá governar. A sua equipa é genericamente fraca, o seu programa económico absurdo e a sua relação com a verdade algo de muito débil. A tentativa de colagem à herança de Sá Carneiro foi de uma indecência escandalosa.

O triunfo muito claro de Seguro é a vitória de uma abordagem à prática política mais séria e decente, mas nada garante para o futuro. A satisfação deve ser comedida, especialmente se não for seguida por práticas sérias e decentes.

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