Contados os votos, indiscutivelmente Seguro ganhou, Ventura perdeu e comparar números de uma eleição binária com os de outras onde existe uma dúzia de alternativas disponíveis é um exercício com muito pouco sentido.
Será desta vez que o PS volta ao seu registo histórico, se
deixa de devaneios neomarxistas e faz as exéquias, assumidas, de um tempo
sombrio e indigno?
Face à primeira-volta Ventura subiu. Estranhíssimo seria se
descesse. Faço parte dos portugueses que consideram que, apesar dos erros e
abusos dos habituais inquilinos do poder, com ele teríamos uma emenda pior do
que o soneto. É importante mostrar o que está em causa e em perigo, sem rasgar
vestes, nem cair na gritaria. Ventura nunca será nenhum Salazar nem por
inteiro, nem por um terço, pela simples razão de nunca saberá governar. A sua
equipa é genericamente fraca, o seu programa económico absurdo e a sua relação
com a verdade algo de muito débil. A tentativa de colagem à herança de Sá
Carneiro foi de uma indecência escandalosa.
O triunfo muito claro de Seguro é a vitória de uma abordagem
à prática política mais séria e decente, mas nada garante para o futuro. A
satisfação deve ser comedida, especialmente se não for seguida por práticas
sérias e decentes.

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