11 março 2026

SNS pobre ou rico


Somos um país tradicionalmente pobre e estamos culturalmente habituados a que quando algo falha ou falta, a culpa ir cair num lamento de “a manta é curta”, em jeito de fatalidade.

Daí que quando surge numa necessidade absolutamente premente ou uma falta inaceitável, a reação frequente seja “é preciso gastar mais dinheiro”. Sem ovos não há omeletes, mas não é por encharcar a frigideira com ovos que o resultado vai ser o pretendido. Sem critério nem controlo será desperdício.

Noutras situações, em vez de fazer funcionar eficazmente as instituições existentes, enxerta-se uma “nova coisa” que, essa sim, vai resolver…

O SNS no nosso país, parte das necessidades de primeira linha da população, parece encaixar neste panorama. Se o problema é falta de dinheiro, aumenta-se o orçamento, mas 72% de aumento da despesa entre 2015 e 2024 não parecem ter correspondência proporcional nos serviços prestados. O problema está na gestão e coordenação? Cria-se uma “Direção Executiva”, que até operou sem estatutos nem definição clara de competências por um “breve” período de um ano e meio. O escândalo na dermatologia do Santa Maria demonstra existir falta de controlo? Cria-se uma comissão de combate à fraude. Como vai funcionar? A função antes não existia?

O recente processo de “decisão” da criação do novo centro de cirurgia cardiotorácica no Hospital de Santo António é mais um exemplo. O Hospital quis, secretários de Estado despacharam e alguém pagará. Onde ficou a coordenação e o planeamento? Onde esteve a famosa Direção Executiva? Se não intervém em decisões desta natureza, para que serve?

Entretanto, a administração desse mesmo hospital irá ser julgada no Tribunal de Contas por irregularidades na contratação de serviços e isso não parece incomodar muita gente. Quando haverá efetiva responsabilização de tantos danos à tal manta, curta, que é de nós todos, sob o manto das necessidades de saúde da população?

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