07 outubro 2008

Coisas que falam "diferente"



Quando, por exemplo, posso escolher um carro de aluguer para utilizar por uns dias, tento experimentar um que não conheça, por muita satisfação que me possa ter dado o anterior.

Há uma coisa, no entanto, que se fosse a refazer acho que não mudaria nem trocaria e que é “engenharia”.

Uma das coisas fascinantes na engenharia é a sua “escrita”. Seja num plano de um conjunto de peças, num desenho de configuração de um sistema ou na arquitectura de um processo, a forma como um registo em papel descreve uma realidade actual ou, melhor, futura é desafiante.

Face a um boneco como o acima representado, um “engenheiro” atira-se para cima dele, para o descorticar e ver e comentar o que aquela coisa está para ali a dizer. Quando um plano se desdobra ou desenrola em cima de uma mesa os “engenheiros” são atraídos como “engenheiro por projecto” (para mais detalhes sobre o que é ser engenheiro, consultar “O princípio de Dilbert”) para entender e comentar e acrescentar algo àquilo que para ali se está a gerar e a tentar criar. Os “não engenheiros” fugirão assustados. Perdoai-lhes senhor porque não sabem o que perdem!

05 outubro 2008

Mandela não merecia isto



A História acabará por o confirmar, mas é certo que Nelson Mandela já lá tem o seu lugar assegurado como figura ímpar. O facto de, apesar ou precisamente devido ao seu passado, ter pacificamente desarmado uma “mina social”, que parecia não ter uma saída que não passasse por violentas convulsões é notável. A África do Sul parecia ser assim um país excepcional no continente e a servir de exemplo.

Após um Mbeki que, apesar de ter cara de boa pessoa, passou ao lado das expectativas, vamos ter o Zuma. Para lá da diferença de estilo que as fotos demonstram começa já num estatuto “supra justiça”. Depois de uma primeira tentativa de julgamento por violação, já submetido a grande pressão popular, agora foi pior. Sendo eleito líder do ANC e com fortes suspeitas de trapalhices por fraude, corrupção e lavagem de dinheiro em negócio de armas, entenderam que um líder não pode ser julgado. Sendo tão popular como populista, gerou-se um “amplo” movimento social de pressão sobre os tribunais que lá inventou qualquer coisa para o isentar de ir ao banco dos réus esclarecer a verdade.

África do Sul fica em África e lá vem aquela sensação de que nesse continente não se consegue mesmo pôr democracia a rimar com desenvolvimento.

Neste momento Nelson Mandela estará provavelmente numa grande expectativa e com um aperto no peito. Uma coisa é certa: não merecia estar a assistir a isto.

03 outubro 2008

"Um dia chove, outro dia bate Sol"




Há aquela imagem dos habitantes de uma aldeia nos confins da África árida, martirizados pela falta de água, que quando vêm um esboço de uma nuvem no horizonte, desatam a cantar e a dançar “Vem chuva, vem chuva!!!”.

Infelizmente a euforia não dura muito, porque rapidamente a nuvem se dissipa e ficam de novo entregues à angústia e à inclemência da secura.

É disto que me lembro quando vejo o histórico da evolução do PSI 20, conforme imagem acima. A diferença é que aqui ninguém chega mesmo a “ver” um sinal de mudança que dispare o optimismo. É muito mais difuso. Até pode haver uma notícia má, mas como na véspera já “tinha sido descontada” e o facto de não ser pior do que o previsto, já se torna positivo e pode servir para animar. Enfim, o desespero raramente é racional.

O que se está assistir é a um fim de festa, tipo esquema D. Branca a cair. Com uma diferença, ilustrada por outra imagem.

Se alguém assassinar uma pessoa será severamente julgado e sofrerá a pena máxima sem piedade; se matar uma dúzia de pessoas pode ficar unicamente pelo internamento num hospital psiquiátrico; se matar uns milhares, com um pouco de sorte, pode ficar apenas com um exílio (isto é anterior ao TPI).

Quando a D. Branca cai, azar dos ingénuos que ficaram a arder. Quando são tantos e tantos bancos, o super liberal estado americano propõe-se digerir os cacos (evidentemente que não estão apenas em causa os “bancos”; as ondas de choque chegarão muito longe).

Neste momento não sei se o tal pacote de ajuda estatal será aprovado ou não, mas uma coisa sei: não se irá aprender. Depois do estouro da Enrons e afins que disciplinou as empresas cotadas e depois deste estouro que irá pôr alguma ordem nestes “financiamentos de risco”, alguma coisa será criada para dar a ilusão de crescimento que um balão a ser cheio de ar transmite. Estava mesmo, mesmo excelente no segundo antes de estourar. Os investidores criativos e os jogadores financeiros não acabarão.

PS: E era por aqui que diziam que eu devia aplicar as minhas poupanças para a reforma porque o Estado podia falir? Sim…. sim…

30 setembro 2008

Jogos nos jogos, revisitado

Quando lá para trás falei da questão da falta de qualquer coisa que estes jogos olímpicos teriam, apesar de todos os esforços das autoridades para que fossem uma marca de afirmação da modernidade e desenvolvimento do seu país, nem imaginava quão certo estava.

Naquele momento e nos meses que os precederam milhares (milhões?) de bebés chineses tomavam leite adulterado com melamina. Não foi divulgado provavelmente porque isso ensombraria o brilho da festa. Assim sendo, os inocentes indefesos continuaram a tomar o veneno, contando-se por dezenas de milhares o número dos que sofrem de pedra no rim, a bem da imagem de modernidade da China. Parece que só morreram 4 e também parece que esse contador bloqueou rapidamente.

No fundo, não importa se são dezenas ou milhões. As autoridades de um país que expõe de tal forma a sua população não são modernas nem sequer decentes, são simplesmente bárbaras e não será a alta tecnologia nem o arrojo arquitectónico que trarão a civilização. Há alicerces mais importantes e mais fundos.

25 setembro 2008

Is Life Random ?

Não, não é hábito por aqui descambar para os palavrões anglo-saxónicos (que raio de maneira de não dizer simplesmente “ingleses”), mas uma vez não são vezes. E um “será a vida aleatória?”, apesar de mais longo, não vai tão longe.

Existe em ambientes de programação uma função “Random/Randomize”, que recorrendo a um algoritmo, incluindo seguramente a data, gera um número supostamente aleatório. Bom, no fundo, no fundo nunca será completamente aleatório porque nenhum computador sabe devolver um “número qualquer”, verdadeiramente aleatório. Terá sempre alguns dados de entrada, só que trabalhados e baralhados de tal forma que o resultado parece mesmo, mesmo aleatório.

Este tipo de função seria indispensável, por exemplo, para criar uma “slot machine digital” minimamente credível. Eu, no entanto, não me lembro de a ter utilizado alguma vez. Quando é necessário um valor para uma variável qualquer, por pouco importante que seja, parece-me sempre preferível adoptar um critério qualquer, por muito secundário que seja. Se parece ser indiferente ir pela direita ou pela esquerda, há-de sempre existir um critério de desempate, quanto mais não seja memorizar que da última vez se foi pela esquerda para da próxima se ir pela direita.

Por isso e outras coisas, sempre achei estranha a função de reprodução de música em sequência aleatória. Um álbum tem uma sequência bem definida e choca-me ouvi-lo de forma diferente.

Isto mudou quando me rendi recentemente ao meu leitor de MP3. Inicialmente limitava-me a ouvir “álbum” a “álbum”, um pouco como quem coloca CD’s no leitor e os troca após a reprodução. Agora tenho usado a reprodução aleatória e curiosamente tem um resultado interessante. É um pouco estranho ter assim um Carlos do Carmo entre Génesis e um Leo Ferre, depois do Chico Buarque chegarem os Pink Floyd, ou o Jorge Palma ligar com o Astor Piazolla e seguir para Moody Blues. Uma coisa é certa: cria uma surpresa agradável. Olhando melhor notei que chamam ao modo “reprodução aleatória inteligente”. Como nunca sei o que quer dizer inteligente nestes contextos, fico sem saber se é mesmo, mesmo aleatório.

20 setembro 2008

O efeito cortesão

Há um princípio básico em qualquer julgamento que consiste em ouvir sempre as duas partes. Este “ouvir” deveria ser feito de forma equitativa porque quando uma parte é ouvida dez vezes mais do que a outra, há um risco sério de avaliação tendenciosa. Lógico, não?

O que isto tem a ver com cortes e cortesãos? Tem a ver com o facto de que o cortesão que vive na corte tem naturalmente muito mais oportunidades de ser ouvido do que quem se encontra fisicamente afastado. Sem querer e sem cuidado, o cortesão fica extraordinariamente beneficiado.

Aqui, é importante o perfil da organização. Se está consciente desse perigo, procura distanciamento e formalismos que o minimizem. Se não estiver e for uma daquelas em que a “informação” se propaga muito informalmente ao longo dos corredores, forçosamente sem contraditório… então será uma organização em que todos querem ser cortesãos porque estes sãos os “bons” e acabará por sofrer uma importante asfixia de tamanha pressão sobre os seus corredores.

15 setembro 2008

Ainda Setembro



E um cais e uma ilha e, no meio, a água de uma partida numa data estatisticamente a meio de qualquer coisa bem contada e pouco medida.

11 setembro 2008

Cerimónias fúnebres


Hoje na Catedral de Almuneda em Madrid foi celebrada uma missa em memória das vítimas do acidente da Spanair. Mesmo Zapatero,que, criou polémica ao não participar na missa celebrada em Valência por Bento XVI há dois anos (“nem Fidel Castro se recusou a assistir à missa de João Paulo II!!”), marcou presença.

O evento criou alguma polémica porque algumas das vítimas não eram católicas e as suas famílias não gostaram de ver os seus encomendados assim a um Deus terceiro.

Duas reflexões. A primeira é esta “Espanha Sacristia”, unificada há 5 séculos com o ferro e o fogo da fé, que ainda continua a ter a Igreja a cheirar de perto o poder secular, recusando-se a criar uma distância que já existe de uma forma consolidada na maior parte da Europa Ocidental.

A segunda é que o desaparecimento da igreja do quotidiano tem esse momento resistente. Para muitos, como eu, já não há missa semanal, nem casamento em altar, nem baptistério, mas há um momento resistente à esmagadora maioria dos agnósticos: o funeral.

Passamos por alto todos os outros momentos, mas aquele final continua a precisar de algo mais, continua a requerer um cerimonial que ainda não tem alternativa. Estamos a caminhar para uma situação em que os padres servirão apenas para enterrar pessoas? Questão em aberto…

07 setembro 2008

Um dia...



O vale do Douro entre Gaia e Porto é um cenário de características únicas. Ao mesmo tempo grandioso e de dimensão humana. É natural que em termos de espectacularidade para o "show da Red Bull” seja excelente.

Agora, imaginemos uma avaria num avião ou no coração de um dos pilotos. Que consequências poderá ter? Está bom de ver que muito provavelmente uma tragédia.

Pode proporcionar imagens sensacionais como a de cima, retirada do portal Sapo, mas que há aqui uma análise de risco que não foi feita, isso há. Se um dia acontecer uma desgraça, será um acidente imprevisível.

04 setembro 2008

Psi mais psi

Está na moda o "apoio psicólogico". Qualquer susto ou imprevisto é promovido à categoria de choque traumático. Se é verdade que no passado não se usava psi’s para quase nada, agora por um espirro mais forte lá é necessário o famoso apoio psicológico. Não sei se é por a raça estar a ficar mais fraca, o que será muito mau sinal, ou por a influência (lóbi? lobby?) dos psi’s na sociedade estar a aumentar. Se se fizesse um paralelo com o esforço físico é como se já não fosse normal subir escadas e tivesse que existir elevador por todo o lado…!

Agora temos a crise “pós-férias”. Pois é! Deixar a vida boa e voltar aos horários e à carga de trabalhos, complicações e chatices é uma grande pancada. Mas se o comum dos mortais, sem nada mais de significativo a somar, não consegue sozinho ultrapassar esse choque, então este mundo está mesmo perdido.
Assim sendo, melhor será não ir de férias de todo: evita o choque. Porque isto de dividir o orçamento de férias em dois, metade para gastar nas mesmas e outra metade para pagar ao psi no final….. isso sim, é bem deprimente!!!

02 setembro 2008

Cães e gatos



Há quem seja mais para o cão e há quem seja mais para o gato. Não tem coincidência directa com a cor das íris mas anda perto, ou não?

Eu confesso ser mais para o gato. Cães, só mesmo aqueles a sério, grandes e dignos. Há uns, muitos, que são irritantes e insuportáveis e há ainda os que são apenas “boas pessoas” (leia-se “bons cães”), mas sem por isso me despertarem especial empatia.

Agora, digam-me que outro animal pode ser assim, nem selvagem nem doméstico, confortavelmente estirado sobre um muro quente, de quem nos podemos aproximar e apontar uma objectiva a poucos centímetros, sem ele fugir nem se aproximar, sem reagir nem pestanejar. Sabe bem que estamos lá mas ignora-nos. Aceita que aquele espaço possa ser nosso mas também é naturalmente dele e sem necessitar sequer de o afirmar.

No final, somente um pouco enfastiado de tanta proximidade desloca a cabeça para nos interrogar directamente: “Ainda falta muito??!”

Não, não existe outro animal assim…!

30 agosto 2008

Voar às cegas



Amanhã, apanharei um voo da Spanair de Barcelona para Argel. Nada de muito especial porque desde o dia 20 de Agosto até hoje já milhares de pessoas terão voado com eles.

Não se conhecem ainda as razões do acidente de Barajas, mas pequenas coisas fazem pensar que nem tudo estaria 100% no ponto como é exigido. Uma tentativa de descolagem foi abortada por uma sonda indicar temperatura excessiva. A solução dos mecânicos foi … desligar a sonda: matar o mensageiro. Um dos travões aerodinâmicos estava há uns dias desligado por avaria. Parece que o segundo seria suficiente, desde que, obviamente, não avariasse na altura em que fosse preciso travar. E, se é verdade que o problema não foi travar mas sim falta de força para levantar, isto é sinónimo de “simplicidade excessiva”.

A única companhia que “boicotei” até hoje foi a Regional Airlines de Marrocos por uma série de indícios de displicência na manutenção e operação dos aparelhos. Sabe-se há bastante tempo que as companhias de países pouco “controlados” e especialmente as privadas mais sujeitas a pressão de resultados são potencialmente muito perigosas. Agora que uma Spanair espanhola, filial da escandinava SAS, simplifique assim surpreende e preocupa.

A maior aventura que já tive foi numa pública … espanhola. Um 747 velhinho da Ibéria em que eu vinha de Buenos Aires para Madrid, com escala em Las Palmas. abortou a descolagem e o comandante disse abertamente: “Senhores passageiros, estamos com um problema no sistema hidráulico e não dispomos de toda a potência dos motores. Iremos descarregar uma parte de carga e tentaremos de novo”. Segui pela janela a descarga dos contentores para avaliar o valor total da redução de peso e palpitar se a minha bagagem ficava ou ia. Voltámos à pista e no meio de um forte cheiro a combustível mal queimado ele lá foi ganhando ou velocidade ou altura; nunca as duas coisas em simultâneo. Descansei quando o vi nos 2000 metros.

Apesar de tudo, estatisticamente falando, é menos perigoso do que a estrada. A chatice é que não temos a mínima ideia de quão perto andamos do perigo.

E nada disto justifica que a TSF hoje tenha feito destaque e folhetim com um avião que está com problemas para trazer uns portugueses do México para cá…!
Cheira-me é que com estas coisas e os petróleos por aí acima, os voos baratos vão ficar um pouco menos baratos. O planeta agradece porque virem uns ingleses a Espanha de avião apenas para comprarem bebidas alcoólicas carece de racionalidade.

18 agosto 2008

Ó da guarda!!!

Mais um morto em Loures em confusões em que a maioria da população não se reconhece. Mais polícia? Um polícia em cada esquina? Acho que não. Acho que a omnipresença das forças de segurança pode dar um aumento de segurança percepcionada ao “comum dos inocentes”, mas não é a vista de um “sinaleiro” que trava os marginais, até eventualmente, os espicaça.

E depois, quando não houver mais polícias para todas as esquinas? Trazemos o exército para a rua como fez o Sr. Berlusconi recentemente em Itália? Sentir-nos-emos mais seguros assim?

E depois? Fazemos como no Texas em que os professores serão autorizados a levar as armas para a escola? (estou a tentar imaginar a evolução do caso do Carolina Michaelis e outros idênticos com gente armada…).

Não. Definitivamente a guarda é outra e, desculpem a heresia, um bocadinho de “social” a menos. A ociosidade é mãe de todos os vícios e se todo aquele pessoal tivesse que se levantar cedo para “vergar a mola” e chegasse ao final do dia cansadito, talvez se dispensasse a guarda…

09 agosto 2008

Jogos nos Jogos

Ontem, dia da abertura dos jogos li um artigo sobre o processo de selecção e preparação dos atletas chineses que mais parece um decalque do modelo soviético de há umas décadas atrás.

O utilizar dos Jogos Olímpicos como montra de regime evoca-me Berlim de 1936.

Se é improvável que a China venha a invadir militarmente Taiwan ou outro vizinho como o fez a Alemanha há 50 anos atrás, já não estou tão seguro sobre o resultado da comparação com a União Soviética. Se hoje a China cresce de forma impressionante e faz questão de o afirmar ao mundo, tenho muitas dúvidas de que um regime assim tão centralizado seja sustentável.

No mundo que eu penso que é o mundo vencedor haverá um momento em que a iniciativa individual, a liberdade de expressão e a criatividade fatalmente vencerão a organização marcial. Eu acredito que o humano inquieto e algo insubmisso a prazo se superioriza ao sistema completamente regulador.

04 agosto 2008

Questão de mercado ?

Sobre a crise que se tem abatido sobre algumas universidades privadas, li recentemente tratar-se apenas de ver o mercado a funcionar, separando as boas das más, não havendo nada de dramático nisso. Eu acredito muito no mercado em certos contextos. Se um restaurante não me agradou, não volto lá, perdi uma boa refeição, e é tudo. Se um automóvel se revela abaixo das minhas expectativas, não volto a comprar da mesma marca e aqui já não é tão pacífico porque não se troca de automóvel todas as semanas.

Muito diferente é o ensino superior. O ensino em geral e o superior em especial são dos principais agentes definidores do que seremos uma geração à frente e, para esta escala de tempo e importância, o mercado simples não regulado não funciona.

Dos investidores que desenvolveram um projecto mau que não sobrevive não tenho pena, até porque a história de muitos desses “investimentos” é tudo menos clara, poupando outros adjectivos que me poderiam fazer correr o risco de acusação por difamação. O outro lado da questão é o dos “clientes” e o refazer um curso não é o mesmo que trocar de restaurante.

Que farão hoje os milhares de jovens que investiram tempo, dinheiro e, sobretudo, “entusiasmo” em cursos desses projectos “maus”, que o mercado de trabalho agora rejeita? O problema é exclusivamente deles e da sua opção pouco esclarecida?

Um exemplo concreto: Portugal poderia ser hoje um destino de “turismo de saúde” onde gente com carteira recheada se viesse tratar na serenidade do país e na tranquilidade do clima. Em vez disso temos carência de médicos para o serviço nacional de saúde. Não tenho nada contra a concorrência internacional no “mercado de trabalho” e a vinda de médicos espanhóis, desde que falem português e haja reciprocidade. Somente acho vergonhoso isso acontecer ao mesmo tempo que milhares de vocações médicas não tiveram acesso à profissão porque o Estado andou distraído e/ou uma corporação controlou com sucesso o seu “mercado”. Vergonha é a palavra certa ou se preferirem em idioma mais “in”: “Shame on you!”