Gosto de ver iluminações de Natal, penso que quase toda a
gente gosta, e seria muito triste se um politicamente correto qualquer ou uma
modernice cultural inventada viessem um dia cancelar as mesmas. Ao mesmo tempo,
os milhares de euros de orçamento anunciados para a sua realização intrigam.
Não seria possível fazer a coisa por menos, libertando fundos para outros
desenvolvimentos sociais e culturais mais prementes e permanentes?
O que se vai sabendo da operação Lumen, envolvendo a Câmara
de Lisboa e não só, vem demonstrar que nem todos os euros saíram por um bom
caminho. É típico, quando os orçamentos púbicos são grandes aparecerem
frequentemente fugas nos circuitos.
Estes descontrolos e falta de rigor (no mínimo) lançam questões
adicionais sobre os critérios em vigor nos orçamentos e programas ditos
culturais das autarquias. Aquelas produções caras de espetáculos de Verão em
cada canto e esquina fazem sentido? Certo ser mais fácil mobilizar e agradar às
massas com pimbas e popularices do que com certas produções “contemporâneas”
elitistas e difíceis de tragar, mas não haverá alternativa? Deve haver e tem
que existir. A opção pela festa fácil e cara não acrescenta grande coisa ao
desenvolvimento social cultural do país, sendo que o cultural não precisa de
ser árido nem o entretenimento ligeiro e inconsequente.

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