21 março 2026

Haja festa


 

Gosto de ver iluminações de Natal, penso que quase toda a gente gosta, e seria muito triste se um politicamente correto qualquer ou uma modernice cultural inventada viessem um dia cancelar as mesmas. Ao mesmo tempo, os milhares de euros de orçamento anunciados para a sua realização intrigam. Não seria possível fazer a coisa por menos, libertando fundos para outros desenvolvimentos sociais e culturais mais prementes e permanentes?

O que se vai sabendo da operação Lumen, envolvendo a Câmara de Lisboa e não só, vem demonstrar que nem todos os euros saíram por um bom caminho. É típico, quando os orçamentos púbicos são grandes aparecerem frequentemente fugas nos circuitos.

Estes descontrolos e falta de rigor (no mínimo) lançam questões adicionais sobre os critérios em vigor nos orçamentos e programas ditos culturais das autarquias. Aquelas produções caras de espetáculos de Verão em cada canto e esquina fazem sentido? Certo ser mais fácil mobilizar e agradar às massas com pimbas e popularices do que com certas produções “contemporâneas” elitistas e difíceis de tragar, mas não haverá alternativa? Deve haver e tem que existir. A opção pela festa fácil e cara não acrescenta grande coisa ao desenvolvimento social cultural do país, sendo que o cultural não precisa de ser árido nem o entretenimento ligeiro e inconsequente.

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