30 outubro 2026

Urda, o Alcafache espanhol


Em 1985 houve um acidente ferroviário grave em Portugal, em Alcafache, devido a um erro humano. Uma descoordenação entre dois chefes de estação originou um brutal choque frontal. Antes da colisão já se sabia nas estações que tal iria ocorrer, mas foi impossível comunicar com os comboios para os parar a tempo.

Já na altura se questionou como tinha sido possível, com os meios de comunicação existentes na época, que não houvesse alguma forma de comunicação em tempo real com os comboios, permitindo evitar a tragédia.

41 anos depois, temos um grave acidente rodoviário em Espanha, atribuído a um erro humano, porque supostamente um operador deu ordem de avanço a um comboio com outro parado na linha mais à frente.

Certo que o sistema principal de sinalização estava em baixo, mas os procedimentos alternativos não têm que ser assim tão ligeiros. É difícil acreditar como uma simples ordem errada de uma única pessoa possa provocar tal tragédia. Evitar a colisão de comboios na mesma linha será certamente uma das primeiras e mais básicas necessidades de segurança ferroviária. Por motivos óbvios, ainda mais crítico na alta velocidade.

Numa época em que a tecnologia disponível permite comunicação, localização, deteção de problemas, lançamento de alarmes e até automatismos de segurança com enorme facilidade é difícil de aceitar que um desastre destes possa acontecer como aconteceu.

Algo está errado no reino da alta velocidade espanhola. 

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