Em 1985 houve um acidente ferroviário grave em Portugal, em Alcafache, devido a um erro humano. Uma descoordenação entre dois chefes de estação originou um brutal choque frontal. Antes da colisão já se sabia nas estações que tal iria ocorrer, mas foi impossível comunicar com os comboios para os parar a tempo.
Já na altura se questionou como tinha sido possível, com os
meios de comunicação existentes na época, que não houvesse alguma forma de
comunicação em tempo real com os comboios, permitindo evitar a tragédia.
41 anos depois, temos um grave acidente rodoviário em
Espanha, atribuído a um erro humano, porque supostamente um operador deu ordem
de avanço a um comboio com outro parado na linha mais à frente.
Certo que o sistema principal de sinalização estava em
baixo, mas os procedimentos alternativos não têm que ser assim tão ligeiros. É
difícil acreditar como uma simples ordem errada de uma única pessoa possa
provocar tal tragédia. Evitar a colisão de comboios na mesma linha será certamente
uma das primeiras e mais básicas necessidades de segurança ferroviária. Por motivos
óbvios, ainda mais crítico na alta velocidade.
Numa época em que a tecnologia disponível permite
comunicação, localização, deteção de problemas, lançamento de alarmes e até
automatismos de segurança com enorme facilidade é difícil de aceitar que um
desastre destes possa acontecer como aconteceu.
Algo está errado no reino da alta velocidade espanhola.

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