Brevemente veremos passar cem anos sobre a revolução de 28
de maio de 1926. No passado era celebrada como data fundadora do regime em
vigor, para outros foi a hora zero de uma longa noite de trevas.
Além das considerações e ponderações emotivas, penso que
vale a pena refletir um pouco no que foi esse dia e no porquê desse dia. O dia
e o movimento em si têm algumas semelhanças com os da revolução seguinte de 25
de abril de 1974. Um movimento militar derruba facilmente um regime fragilizado,
que não resiste, e recebe elevado apoio popular. Sim, religiões e profissões de
fé à parte, o 28 de maio terá sido até mais consensual e com apoio popular mais
amplo do que o 5 de outubro de 1910. Porquê? Porque a primeira República foi de
uma incompetência, intolerância, violência e desorganização que uma mudança
radical se impunha e era bem-vinda.
O 28 de maio foi um filho bastardo do 5 de outubro. Não se
trata aqui de relativizar, desvalorizar ou menorizar tudo o que depois se
passou. Apenas insistir que o caminho trilhado pelos primeiros republicanos
levou direitinho o país para o que se seguiu. É importante procurar e assumir racionalmente
as relações históricas causa-efeito sem romantismos irrealistas. Questão de
evitar tristes repetições.

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