Começou aqui
Uma meia dúzia de anos mais tarde, já regressado a Portugal,
caiu na minha secretária uma chamada da Autoeuropa. Era do responsável do
sector onde estava instalado o famoso armazém automático, agora um português.
Quando me tentou explicar brevemente o que era o sistema, respondi-lhe de que o
conhecia muito bem.
Tinham problemas importantes de funcionamento e queriam
saber se os poderíamos ajudar… Vroumm até Palmela. O sistema tinha alguns
cancros que pesavam na sua fiabilidade e custos de operação. Mais chocante foi
que, ao contrário da nossa proposta que tinha respeitado religiosamente o
solicitado, eles tinham ignorado inúmeros pontos e não menores. Como exemplo, para
quem tenha um cheirinho de familiaridade com o contexto, a eletrónica de
controlo, em vez de recorrer a equipamentos standard e abertos como exigido
(vulgo PLCs), usava um hardware fechado e específico do construtor.
Vendemos um serviço de auditoria detalhada, mas, obviamente,
meter as mãos em seara alheia e mal plantada era uma operação de alto risco.
Acabamos por propor um conjunto largo de alterações, jogando pelo seguro, mas o
valor era incompatível. Não sei como acabou… não houve mais vroummms nem fui
ver o Schmidt que possivelmente já lã não estaria, nem teria sido o responsável
principal pelo desfecho. Aliás, destas “vitórias” estão os cemitérios cheios.
Mais tarde, acabou por haver alguns alemães finalmente a comprar aquilo a portugueses, mas isso já são outras histórias.
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