28 maio 2026

O Schmidt e os vroumms (III)

 Começou aqui 

Uma meia dúzia de anos mais tarde, já regressado a Portugal, caiu na minha secretária uma chamada da Autoeuropa. Era do responsável do sector onde estava instalado o famoso armazém automático, agora um português. Quando me tentou explicar brevemente o que era o sistema, respondi-lhe de que o conhecia muito bem.

Tinham problemas importantes de funcionamento e queriam saber se os poderíamos ajudar… Vroumm até Palmela. O sistema tinha alguns cancros que pesavam na sua fiabilidade e custos de operação. Mais chocante foi que, ao contrário da nossa proposta que tinha respeitado religiosamente o solicitado, eles tinham ignorado inúmeros pontos e não menores. Como exemplo, para quem tenha um cheirinho de familiaridade com o contexto, a eletrónica de controlo, em vez de recorrer a equipamentos standard e abertos como exigido (vulgo PLCs), usava um hardware fechado e específico do construtor.

Vendemos um serviço de auditoria detalhada, mas, obviamente, meter as mãos em seara alheia e mal plantada era uma operação de alto risco. Acabamos por propor um conjunto largo de alterações, jogando pelo seguro, mas o valor era incompatível. Não sei como acabou… não houve mais vroummms nem fui ver o Schmidt que possivelmente já lã não estaria, nem teria sido o responsável principal pelo desfecho. Aliás, destas “vitórias” estão os cemitérios cheios.

Mais tarde, acabou por haver alguns alemães finalmente a comprar aquilo a portugueses, mas isso já são outras histórias.

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