O ministro israelita Ben-Gvir é um personagem execrável, grosseiro e sem respeito pelos princípios básicos dos direitos humanos. O filme em que ele se apresenta a humilhar os ativistas da última flotilha é um triste e condenável exemplo.
Essa condenação não justifica que se considerem todos os
israelitas e por demais de razão todos os judeus do mundo igualmente
execráveis. Tão pouco justifica o destaque planetário que provocou, pela
simples razão de que há coisas muito piores a decorrer em simultâneo, que são
ignoradas. Alguns exemplos: o que se passa na China com os Uigures vai muito
para lá da humilhação de uns ativistas que decidirem ir provocar o lobo. É
gente em sua casa, na sua terra a quem são retirados direitos básicos ao longo
de décadas. Os massacres em Myanar e no Sudão, onde não se trata de humilhação,
mas sim de assassinato em massa também não são notícia. O calvário sofrido
pelas minorias religiosas, por exemplo pelos drusos na Síria não comove muita
gente, nem desencadeia flotilhas.
Por outro lado, uma escaramuça entre colonos e palestinianos
na Cisjordânia é sempre bem noticiada. Não está em causa defender todas as
ações de Israel, mas no histórico das hostilidades estas foram quase sempre
desencadeadas pelos árabes que não aceitam o estado judeu, que a seguir se
defende, desproporcionalmente, é um facto. Há quem “religiosamente” não o
queira reconhecer, mas façam um esforço de objetividade.
Podemos discutir se a decisão da criação de Israel em 1947
terá sido um erro, mas o tempo dessa discussão já passou. A história da
humanidade está plena de decisões injustas que muito sofrimento provocaram, por
exemplo no desmembramento dos grandes impérios, no redesenho das fronteiras
europeias após as guerras, mas as feridas provocadas acabam sempre por sarar.
No caso de Israel, continua a haver gente com poder que não desiste do projeto
de “atirar os judeus ao mar”. Como isso nunca irá acontecer, nunca veremos
estabilização. Os ativistas que consciente ou inconscientemente fazem coro com
essa reivindicação não estão a lutar pela paz.
Sobre fazer prologar a crise e a vitimização: Ainda há netos
refugiados das ex-colónias português após 1974 a viver em tendas em parques de
campismo, subsidiados por um IARN? Porque é que os descendentes dos
palestinianos que saíram de Israel em 1948 ainda são “refugiados” e as centenas
de milhares de judeus que na mesma altura tiveram que abandonar os países
árabes não o são?

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