31 maio 2026

Sim, é execrável


O ministro israelita Ben-Gvir é um personagem execrável, grosseiro e sem respeito pelos princípios básicos dos direitos humanos. O filme em que ele se apresenta a humilhar os ativistas da última flotilha é um triste e condenável exemplo.

Essa condenação não justifica que se considerem todos os israelitas e por demais de razão todos os judeus do mundo igualmente execráveis. Tão pouco justifica o destaque planetário que provocou, pela simples razão de que há coisas muito piores a decorrer em simultâneo, que são ignoradas. Alguns exemplos: o que se passa na China com os Uigures vai muito para lá da humilhação de uns ativistas que decidirem ir provocar o lobo. É gente em sua casa, na sua terra a quem são retirados direitos básicos ao longo de décadas. Os massacres em Myanar e no Sudão, onde não se trata de humilhação, mas sim de assassinato em massa também não são notícia. O calvário sofrido pelas minorias religiosas, por exemplo pelos drusos na Síria não comove muita gente, nem desencadeia flotilhas.

Por outro lado, uma escaramuça entre colonos e palestinianos na Cisjordânia é sempre bem noticiada. Não está em causa defender todas as ações de Israel, mas no histórico das hostilidades estas foram quase sempre desencadeadas pelos árabes que não aceitam o estado judeu, que a seguir se defende, desproporcionalmente, é um facto. Há quem “religiosamente” não o queira reconhecer, mas façam um esforço de objetividade.

Podemos discutir se a decisão da criação de Israel em 1947 terá sido um erro, mas o tempo dessa discussão já passou. A história da humanidade está plena de decisões injustas que muito sofrimento provocaram, por exemplo no desmembramento dos grandes impérios, no redesenho das fronteiras europeias após as guerras, mas as feridas provocadas acabam sempre por sarar. No caso de Israel, continua a haver gente com poder que não desiste do projeto de “atirar os judeus ao mar”. Como isso nunca irá acontecer, nunca veremos estabilização. Os ativistas que consciente ou inconscientemente fazem coro com essa reivindicação não estão a lutar pela paz.

Sobre fazer prologar a crise e a vitimização: Ainda há netos refugiados das ex-colónias português após 1974 a viver em tendas em parques de campismo, subsidiados por um IARN? Porque é que os descendentes dos palestinianos que saíram de Israel em 1948 ainda são “refugiados” e as centenas de milhares de judeus que na mesma altura tiveram que abandonar os países árabes não o são?

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