Parece que o bicho embarcou num navio de cruzeiros e daí saltou para a primeira linha das páginas noticiosas. Os jornalistas fazem diretos em frente a hospitais, os fabricantes de máscaras carregam no acelerador e vemos alguma excitação de quem já viu o Covid-19 e parece estar a ver chegar um digno sucessor.
No final dos anos 90 desloquei-me várias vezes à Argentina
durante a realização de dois grandes projetos. Numa altura em que estava com a
equipa de colegas em La Plata, a sul de Buenos Aires, lemos nos jornais locais
artigos sobre o aparecimento de alguns casos de um tal "hanta virus",
da qual pouco sabíamos.
Não conhecíamos a doença, mas, pelo tom das notícias,
parecia feia. Ao perguntar na receção do hotel lá nos explicaram que era um
vírus que aparecia nos ratos com o lixo, no lixo com os ratos, mas que não nos
preocupássemos porque era um problema “só dos pobres”. Ainda perguntámos se era
contagioso, como se transmitia e responderam-nos que sim e que se transmitia
pelo ar. Fomo-nos deitar desejando-nos mutuamente votos de boa noite e de bom
vento (que soprasse na "boa direção"...).
Tanto quanto soubemos, o vento não terá soprado demasiado
forte, já que não ouvimos mais noticias sobre o tal vírus. Neste caso atual, a
ver vamos, mas pelo menos para já não me tirará o sono. Talvez nos possa fazer
refletir sobre a dimensão do planeta e a globalização que se torna efetiva a
várias dimensões. Como se resolve o problema dos ratos e dos pobres, não sei.
Certamente que não será com cruzeiros exóticos, embora estes possam trazer para
as primeiras páginas alguns detalhes que não faz mal conhecer.

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